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Meu nome é Partimpim


Adriana Calcanhotto sempre fez questão de frisar que o CD Adriana Partimpim, embora fosse calcado em canções do universo infantil, não foi idealizado exclusivamente com a pretensão de ser um álbum para crianças. Na estréia do espetáculo homônimo, sábado à tarde, no Teatro Carlos Gomes, centenas de pimpolhos aportam no espaço para prestigiar a cantora, mas muitos adultos também foram conferir ao vivo e em cores este outro lado da autora de Esquadros. Apesar de voltado ao mundo infanto-juvenil, Adriana foge do caráter imbecilizante que, em geral, permeia os espetáculos desta natureza. Adriana não grita ''vamos lá, criançada!'', não pede para a meninada para pular e nem bater palmas. Trata criança como criança: com respeito, sem subestimar a inteligência dos pequeninos. Conta (e canta) a história de um menino chamado Vinicius (o de Moraes), cuja foto e ilustrações - que ela própria assinou num livro em homenagem ao Poetinha - são projetadas num telão ao fundo. Introduz a criançada na literatura do poeta Ferreira Gullar ao apresentar o personagem Gatinho, do livro Um gato chamado Gatinho, com 17 poemas que Gullar escreveu sobre seu felino. Adriana pôs melodia em quatro dos poemas. Lindo, emocionante, arrrebatador! E as crianças cantando em coro Fico assim sem você, de Claudinho e Buchecha? É de chorar.

 
 

   

Uakti para os novos

Na fila do gargarejo, pais famosos e os respectivos pimpolhos acompanhavam tudo atentamente. Desde a entrada de Adriana, que desce feito malabarista presa a duas cordas, ao encerramento num onírico balanço. O cenário de Hélio Eichbauer, com bichos que lembram a técnica de produção de origamis, completa o clima, assim como os figurinos de Isabela Capeto e o styling de Felipe Veloso. Os músicos (com casaquinhos que remetem à farda de soldadinho de chumbo) - e ela própria - lançam mão de todos os tipos de objetos do mundo infantil (ou não) para extrair sons: chocalhos, caixinhas de som, reco-reco, sacos plásticos com ar, bacia com água, lixas d'água. Enfim, quase um Uakti, o incensado grupo mineiro, composto por mestres neste quesito. Cássia Kiss levou os filhos, Giulia Gam e Flávia Alessandra, idem. Moreno Veloso, Alexandre Kassim, Dedé Veloso, Aracy Balabanian, o próprio Ferreira Gullar e Mariana de Moraes ficaram impressionados, como toda a platéia.

Letras

No sábado, 89 mil pessoas foram à Bienal do Livro. A impressão que se tinha, ao passar entre 16h e 18h, na porta do Auditório Fernando Sabino, o maior da Bienal, é que toda a multidão tentava entrar para ver Jô Soares, que foi à feira apresentar seu livro, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (Cia. das Letras). Enquanto ele respondia perguntas de uma platéia, que se apertava sentada nas cadeiras e no chão, o povo do lado de fora gritava: ''Libera! Libera!''. Tudo para que fosse permitida a entrada de quem não conseguiu senha. Consciente de sua posição de star, Jô resolveu ser gentil com o público e, ao chegar, pediu que o batalhão de fotógrafos, que formava uma muralha diante da mesa, se afastasse, para que a platéia pudesse vê-lo. Foi aplaudido de pé.

Abalou Bangu

Depois de rodar quase um mês pela Europa, apresentando-se nas principais cidades do Velho Continente, Leny Andrade, nossa jazzwoman, aportou direto na Lona Cultural Hermeto Pascoal, em Bangu. Foi até à Zona Oeste para uma única apresentação ao lado do B3, o poderoso trio composto por João Carlos Coutinho, Lúcio Nascimento e Adriano de Oliveira. Leny cantou muuuito. Abalou Bangu, literalmente. ''Canto na Europa, na América do Norte e no Japão. Mas é importante trazer para cá o nosso trabalho''. O público, lógico, aplaudiu de pé. Como diz Gil: ''O povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe''. E por falar em Leny e Gil, a cantora está com dois DVDs prestes a sair pelo selo Albatroz. Só que os projetos estão emperrados no Ministério da Cultura por questões burocráticas. Alô, ministro!

Tristeza

O cantor Emílio Santiago sofreu um baque recente. Sua mãe, Hercília, morreu na quinta-feira.

Inédito no Rio

Contemporâneo e parceiro cultural de Jorge Amado e Carybé, o mais importante artista plástico baiano, Mestre Didi, de 86 anos, vai expor suas esculturas de orixás pela primeira vez no Rio. O também escritor, ensaísta e curador Deoscoredes M. dos Santos - seu nome verdadeiro - tem obras nos acervos do MAM carioca, do MoMA nova-iorquino, do Museu Picasso, em Paris, e de outros grandes espaços culturais da Europa. Além do valor artístico, ele é o mais antigo descendente no Brasil do reino africano de Ketu (hoje ocupado pela Nigéria e pelo Benin) e possui o título de Alapini, o sumo sacerdote, que ocupa o posto máximo na hierarquia religiosa Nagô. Mestre Didi acaba de aterrissar no Rio para inaugurar, amanhã, a exposição com 20 esculturas, que marcará a abertura do Espaço Cultural Sofitel, em Copa.

Fogo

A bailarina Ana Botafogo incendiou Natal em duas apresentações no Circuito Cultural Banco do Brasil, realizadas no Teatro Albero Maranhão. E jogou mais fogo entre o society natalense, sexta-feira, ao aparecer no Portofino Bistrô, localizado no Alamanda Mall. Ela foi abraçar Rosa Costa - amiga e companheira de sapatilha, que deixou o Rio para administrar o restô do momento nas terras potiguares. Sob os olhares, elagantes, dos frequentadores, Miss Botafogo equilibrou-se na degustação de um risoto de camarão. E, como boa bailarina declinou, merci, da sobremesa.


Recorde: o capítulo final da saga Guerra nas estrelas, de George Lucas, arrecadou US$ 50 milhões nas primeiras 24 horas de exibição nos EUA.


Renée Zellweger disse sim ao marido e cantor Kenny Chesney. Ela vai participar do próximo videoclipe do astro. ''Estou louca para aparecer na MTV'', afirmou.


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[23/MAI/2005]


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