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Na ponta da língua

Nelson Portella

- Como você avalia o cenário da música lírica no Brasil?

- Que cenário? Não há cenário algum. Está tudo uma grande esculhambação. No Rio de Janeiro, então, é vergonhosa a maneira como os artistas líricos são tratados.

- A quem você atribui tanto descaso?

- Não há um culpado e, sim, uma conjunção de fatores. Para começar, governo e iniciativa privada não se entendem. Ultimamente, a única salvação tem sido a Lei de Incentivo à Cultura, que ainda nos permite apostar em algum projeto. Isso, óbvio, quando aparece alguma empresa interessada, o que também não é fácil.

- Você morou na Itália por muitos anos e, de fato, a cultura na Europa é tratada de forma diferente. Mas não acha que os brasileiros supervalorizam tudo lá de fora?

- Mas as coisas funcionam. Eu, por exemplo, acabo de me aposentar pela Itália por meio da Instituição de Aposentadoria para os Trabalhadores do Espetáculo, um órgão independente só para os artistas. Para um bailarino se aposentar, por exemplo, tem de comprovar que fez 500 apresentações. Os cantores, 900. Eu fiz 1.164 só na Itália.

- Qual a expectativa do retorno?

- Eu jurei que nunca mais voltaria a me apresentar no Brasil. Cansei. Mas o Sérgio (Costa e Silva), cocoordenador do projeto Música no Museu, é meu amigo há 40 anos e me convidou. Nos encontramos por acaso e surgiu a idéia. Gostei. Estou me preparando como um novato para cantar no Museu Nacional de Belas Artes.

- Será a última apresentação?

- Por aqui, acho que sim. Como tudo é difícil!

 
 

   

A voz do Brasil

Quem já ouviu (e assistiu) as performances de Nelson Portella (ver entrevista abaixo) em teatros do Brasil e do exterior sabe que o barítono tem um currículo vastíssimo, já tendo feito mais de três mil récitas mundo afora. Só na Itália, onde morou até 1994, subiu ao palco 1.164 vezes para apresentações em teatros e festivais, como Alla Scala, San Carlo di Napoli, Régio di Torino, Comunale di Firenze, Ópera di Roma, Ópera di Genova, Ópera di Palermo, La Fenice di Venezia, Cagliari, Verona, Modena, Pisa. ''A minha experiência na Itália foi absolutamente engrandecedora. Em Milão, estudei com Antonio Tonini, preparador de Maria Callas e Pavarotti, por exemplo'', conta Portella, após um hiato de dois anos. ''Ópera inteira, então, não canto desde 1989'', lembra o barítono. Pois bem, Nelson, 63 anos, voltará a soltar a voz - impávida como um colosso -, mês que vem, na série Música no Museu dentro do programa Vozes, coordenado por Sérgio Costa e Silva. Escolheu um repertório que inclui trechos de L'Elisir d' Amore ( Donizetti) e de Don Giovanni e Le Nozze de Figaro (Mozart). Detalhe: nas duas óperas foi considerado, tanto pela imprensa internacional quanto pela brasileira, o melhor do mundo, cantando mais de 200 vezes, cada uma, nos maiores e melhores teatros do mundo.

Fim de caso

Bruno Chateubriand e André Ramos estão tristes. Depois de assistirem ao show de Gloria Gaynor em Paris e convidar a diva para uma performance na comemoração dos 30 anos de cada um, em junho, La Gaynor, através de sua manager, concordou. Disse que estava feliz com o convite, sobretudo porque se tratava de Brasil, mas fez uma ressalva: ''Só canto em playback. Não faço mais ao vivo''. Os dois desistiram e estão à procura de uma nova diva. Quem sabe Cher?

Gatas em ação

Esta temporada de desfiles promete ser bem animada, já que a maioria das tops brasileiras vai riscar a catwalk. Alessandra Ambrósio desembarca no Brasil esta semana para acertar detalhes com Amir Slama sobre a parceria com a Sais. Sua última coleção com a grife bombou nas revistas de moda do mundo. Em junho, Alessandra estará na capa da GQ com um modelito assinado por ela mesma. Ana Hickmann, por conta de sua linha para a Sais, também desfilará com exclusividade na SPFW. Raquel Zimmermann e Michelle Alves, duas presenças bissextas nas passarelas cariocas, vão bater o ponto nesta temporada. Michelle, aliás, será o rosto do Fashion Rio. Em fotos de Gui Paganini, ela aparecerá em painéis gigantes no Aterro da Flamengo.

Fio da meada

A artista plástica Adrianna Eu chamou a atenção do diretor do MoMA, Glenn Lowry, que esteve com outros representantes do museu nova-iorquino visitando o Paço Imperial. Um dos trabalhos que Adrianna está expondo, até hoje, naquele espaço cultural da Praça 15, é composto por um imenso tecido vermelho, no qual a carioca - que é costureira de mão cheia - alinhavou 3 mil fios de linha da mesma cor, formando uma tenda onírica, com anzóis dourados fixados nas pontas. Na sexta-feira, Adrianna embarca para a Big Apple, onde já costurou, ou melhor, agendou, um encontro com a escultora Louise Bourgeois, que tem importantes contatos no mercado de arte local.

Hiper-realismo

Diretor do longa Bellini e a esfinge, o cineasta Roberto Santucci está fazendo a pré-produção do filme Seqüestro-relâmpago, que contará no elenco com Giulia Gam e Sílvio Guindane. Para compor os personagens, Santucci buscou subsídios com o psicanalista e presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas, Jorge Jaber.

Dois momentos

A top Kate Moss teve a casa assaltada, em Londres. Mas, bola para frente. Ela diversifica a carreira e será DJ por uma noite na edição do Homelands, evento de música mais esperado pelos ingleses, sábado que vem. E tocará com o namorado, Pete Doherty.

Cores do Brasil

Os franceses ficaram encantados com o que viram em vídeo e em revistas sobre o desfile de verão 2005 de Jum Nakao - com as roupas de papel superelaboradas rasgadas pelas modelos na passarela. Resultado: foi convidado pela Galerie Lafayette, Abit e Abest para participar do evento francês Aquarela do Brasil. O convite foi tão especial que Jum Nakao refez 15 modelos das roupas de papel, que também serão totalmente rasgadas na abertura do encontro, dia 31 de maio, na Galerie Lafayette.


De Tom Cruise sobre o Oscar: ''Não cresci assistindo às cerimônias. Isso nunca foi uma meta. Queria atuar e a estatueta não significa nada para mim''.


A rapper Lil’ Kim, que pode pegar até 20 anos de prisão por falso testemunho, quer vender para o canal VH-1 um reality show sobre a história.

Com Vagner Fernandes, Carlos Henrique Braz e Junior de Paula


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[22/MAI/2005]


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