AJB Online Área do Leitor Pesquisa Classificados




PÁSCOA E CHOCOLATE

O nascimento de uma tradição

Maria Pia

Renascimento ou a alegria da passagem de um tempo escuro e triste para um mundo iluminado: assim foi, durante séculos, celebrada a Páscoa pelos antigos. Esta celebração marcava o fim do inverno e a chegada da primavera no Hemisfério Norte. Nessa estação, os antigos povos pagãos europeus homenageavam Ostera, deusa germânica da Primavera, que segurava um ovo na mão. A deusa e o ovo eram símbolos da chegada de uma nova vida.

O significado dos símbolos Pascais do Cristianismo

Os elementos hoje presentes nos ''símbolos pascais'' nos remetem a esta mensagem da vida que ressurge depois do rigor invernal. Pode ser que para nós, do Hemisfério Sul, eles não tenham muita força e significado, mas os assimilamos como tal. O ovo nos remete à deusa Ostera e o coelho é representativo desse período, pois é o primeiro animal que reaparece depois do inverno e tem um grande poder reprodutor. Outros símbolos da Páscoa Cristã são a Cruz da Ressurreição (que traduz, ao mesmo tempo, sofrimento e ressurreição), o Cordeiro (simboliza Cristo, que é o cordeiro de Deus, e se sacrificou em favor de todo o rebanho), o Pão e o Vinho (representando o corpo e o sangue de Cristo, que eram dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna) e o Círio (grande vela com cinco cravos, representando as cinco chagas de Cristo nas mãos, nos pés e no peito).

A origem da data da Páscoa

A palavra Páscoa vem do hebraico Pessach, a chamada Páscoa Judaica, que começou a celebrar-se há cerca de 3.500 anos, quando os hebreus, pelas mãos de Moisés, iniciaram o ''êxodo'', comemorando, assim, a passagem da escravidão do Egito para a libertação (passagem através do Mar Vermelho). Já no cristianismo, o significado da Páscoa é diferente. Ela, na realidade, culmina com os eventos da Semana Santa no Domingo de Páscoa, com a ressurreição de Cristo.

Em 306 DC., quando Constantino se tornou imperador e o cristianismo deixou de ser ilegal, ficou definido que a Páscoa seria comemorada no primeiro domingo após a lua cheia do equinócio da primavera. Isso significou que a Páscoa seria uma data móvel, que aconteceria anualmente, sempre entre os dias 22 de março e 25 de abril. O Concílio de Nicéia, em 325 DC., definiu essa data com a recomendação de que caísse num domingo e nunca no dia da Páscoa Judaica.

A tradição do coelho e dos ovos de Páscoa

A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700 e, no Brasil, só a partir de 1913, com a vinda dos imigrantes alemães para o Sul do País, que este costume foi introduzido. Já a tradição do ovo de Páscoa remonta aos missionários que visitaram a China, onde há muitos séculos já existia o hábito de presentear os amigos com os ovos cozidos e coloridos na Festa da Primavera, exatamente na época que se comemora a Páscoa.

Assim, desde a Idade Média, o ovo enfeitado, como um presente da Páscoa, juntamente com a imagem do coelhinho, representando a fertilidade, passou a simbolizar a data. E o hábito de enfeitar os ovos de galinha ou pata logo evoluiu para os ovos de chocolate. No Século 18, a Igreja adotou oficialmente o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo, santificando um costume originalmente pagão. No início, eles foram feitos de açúcar e enfeitados, mas a partir de 1828, começaram a ser industrializados.

Pierre Marcolini

O célebre chocolateiro belga, 39 anos, é um artesão fora do comum. Reconhecido como o melhor do mundo em 1995, já levou por sucessivas vezes o mesmo título. O seu segredo reside no fato de elaborar seu próprio chocolate a partir das melhores favas e cacau que ele seleciona através do mundo. Na Marcolini, os chocolates são trabalhados com três tipos de cacau: o criollo (importado da Venezuela), o forasteiro (plantado na África) e o trinitário (de Trinidad e Tobago). A isso, Marcolini acrescenta o seu poder criativo e se transforma num alquimista do gosto e dos sabores.

Fouquet e Fauchon em Paris

Em Paris, a Maison Fouquet, na rue François 1er, aberta em 1928, é sinônimo de qualidade na arte do chocolate. A loja é freqüentada pelo jetset internacional e pelos famosos e milionários pedestres da Avenue Montaigne. Para a Páscoa, Fouquet oferece uma infinidade de produtos em chocolate, que vão desde os ovos, sinos, peixes, galinhas, coelhos, todos guarnecidos de pequenos ovos recheados e de outras guloseimas. Já a qualidade da Maison Fauchon, situada no número 26 da Place de la Madeleine, começa pela seleção das favas de cacau proveniente de Côte D'Ivoire, do Equador e de Trinidad Tobago e prossegue no savoir-faire da transformação. Os mestres do chocolate chez Fauchon nos convidam a sucumbir ao chocolate que funde na boca, fabricados no respeito da tradição há um século. Para a Páscoa de 2006, eles criaram o ''Ovo Diamante''. Essa pequena jóia das criações Fauchon é apresentada num estojo rosa. Resplandecente, o ovo diamante em chocolate negro é feito artesanalmente e guarda 150g de pedras preciosas em chocolate negro e praliné. É realmente um deleite para os olhos e para o paladar.

La maison du chocolat faz furor em Nova York

A famosa La Maison du chocolat, desde a sua criação por Robert Linxe em 1977, cultiva com paixão o gosto e a excelência dos chocolates feitos artesanalmente, com uma apresentação elegante e fina. Ela, desde que pousou em Manhattan, é o ponto in dos chocólatras da big apple.

O chocolate no Brasil

O Brasil é o quinto maior produtor de chocolate no mundo. Na época da Páscoa, a fabricação aumenta. São ovos para todos os gostos. Para mim, os melhores e mais requintados são o Chocolat du Jour, em São Paulo; a Patti Piva, na Daslu; e a tradicional Kopenhagen. Mas, no Brasil, ainda existem muitos artesãos na arte de fabricar chocolates.

Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

   Home > Colunas > Estilo - Maria Pia






Tempo Real