E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Informe JB
MP provoca cipoal legislativo

Cartas
Avião de Lula

Horóscopo

Gente
'Gi' para os íntimos

Charge Online

Marcia Peltier
Cardápio

Emir Sader
O trinunfo da impunidade

Augusto Nunes
O ataque dos punguistas federais

Informe Econômico
Brasil precisa ter meta de investimentos

Boechat
E agora?

Gilberto Amaral
Bvlgari Hotel

Estilo Iesa
Alto verão

Antonia
Tudo o que uma mulher precisa

1001 Polegadas
Como fazer um 'BBB'

Domingo Listas
As dez cantoras mais bonitas da história do Brasil

Passeio Completo
Dia de luz, festa do sol

Renato Lemos
Entre a paixão por Marília e o ódio por Larry Rohter

Ui!
Sois rei?

Maria Pia In
Os primórdios

Paula Orsini
O corpo fala

Direito e Justiça
É importante a verificação das autenticações em guias fiscais

Massimo Manzolillo
Saudosa maloca

Giro
Taschen

 


O trinunfo da impunidade


O governo estadunidense teve que reconhecer o que todos sabiam, menos a população dos EUA: o de que não havia armas de destruição massiva no Iraque. Isto é, a razão pela qual foi decretada a guerra, a invasão e a ocupação do Iraque, era falsa. Mais de um ano e várias dezenas de milhares de mortos depois, a confissão não levará a nada. Será considerada um erro de avaliação.

Os governos dos EUA e da Grã-Bretanha já construíram um novo discurso: de qualquer maneira, o mundo estaria melhor sem o regime de Sadam Hussein. Triunfa assim a impunidade, o apelo à força parece compensar. Bush se reelegeu, o petróleo iraquiano está sob controle de empresas estadunidenses, as empresas dos países invasores faturam polpudos contratos na reconstrução do que eles mesmos haviam destruído.

O mundo está melhor com a guerra permanente no Iraque, com dezenas de mortos a cada semana? O mundo está melhor com o triunfo da truculência? O mundo está melhor com a destruição do patrimônio cultural da civilização mais antiga do mundo? O mundo está melhor com um país invadido por tropas estrangeiras?

Quem proporá no Conselho de Segurança das Nações Unidas punição para os dois países - membros permanentes do Conselho - que tomaram unilateralmente a decisão de, sem provas suficientes, desatar a invasão do Iraque? Que posição tomará o representante brasileiro? E os outros?

O que será da ONU se nada for feito? Valerá a pena o Brasil se candidatar a membro permanente do Conselho de Segurança de uma instituição desmoralizada pelo uso unilateral da força, sem nenhuma punição?

A que se pode comparar a invasão injustificada do Iraque: às invasões hitlerianas sobre a Checoslováquia e a Polônia? À invasão do Kuait pelo Iraque? À invasão dos territórios palestinos por Israel? À ocupação da Chechênia pela Rússia?

O projeto imperial busca articular política de guerras com liberalismo econômico. Com a primeira, trata de incorporar crescentemente novos territórios ao segundo - a ''guerra infinita'' está a serviço do chamado ''livre comércio''. O pai do presidente atual dos EUA já havia confessado que o móvel da primeira guerra do Golfo não foi a ocupação do Kuait pelo Iraque, recordando que muitos outros países - entre eles Israel - ocupam outros países, sem que tenham recebido nenhuma represália por parte dos EUA, sendo muitas vezes - como no caso mencionado - até mesmo apoiados e incentivos por Washington. O móvel foi o petróleo - reforçando a idéia de que os tanques estão a serviço da ''liberdade de comércio'', revelando assim de qual liberdade se trata - da de comercializar por parte das grandes corporações internacionais.

O mundo pode estar melhor se são as mesmas maiores potências produtoras de armamentos, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, supostamente encarregadas de zelar pela paz e pelo arbitramento dos conflitos no mundo? Pode estar bem o mundo, se as somas bilionárias que são gastas em armamento são as mesmas que faltam no combate à fome, à desnutrição e à miséria, sem que existam campanhas que preguem o desarmamento e o fim da indústria bélica?

O mundo está pior depois da invasão do Iraque, não a partir do julgamento de como viviam e vivem os iraquianos, mas a partir da impunidade que uma guerra desatada sem o aval das Nações Unidas, contra a opinião publica mundial, com argumentos falsos, impôs ao povo iraquiano e ao mundo. Poucos mandatários - entre eles Fidel Castro e Hugo Chavez - dizem ao governo Bush o que deve ser dito, revelando a crise moral que abala a cena política internacional.

A ONU se condena a se tornar, no máximo, uma Cruz Vermelha Internacional, depois da invasão do Iraque e do reconhecimento, por parte das potencias invasoras, da falsidade das razoes da guerra que segue, impunemente, produzindo milhares de vítimas. Como passará à História mais esse episódio da Pax Americana? Como passarão os que se calaram, os que foram coniventes, os que desviaram os olhos do holocausto do povo iraquiano? Eles passarão, enquanto a luta dos que combatem por um mundo sem guerras, com soluções justas, pacíficas e negociadas, seguirá adiante.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[16/JAN/2005]


   Home > Colunas > Emir Sader


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas