E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Armando Nogueira
Como nasceu um alvinegro

Coisas da Política
O dilema de Helena

Tostão
Pragmáticos e românticos

Wilson Figueiredo
Dentro e fora

Informe JB
Do ex para o atual

Cartas
Davi e Golias

Horóscopo

Contos Mínimos
Vilas e servidões

Gente
Nasce uma 'designer'

Charge Online

Márcia Peltier
Etno-grife

Emir Sader
Depois de Cancún, a cultura

Fritz Utzeri
Do ministro das pedras e vidraças ao BNDEs 'hospital'

Augusto Nunes
Reflexões no último domingo do inverno

Nas Páginas da História
21 de setembro no JB

Informe Econômico
Segundo round

Boechat
Secura

Geração
Fulano de tal

Gilberto Amaral
O amor é lindo

Mariana Jacob
Doença de Alzheimer (3)

Estilo Iesa
Bolsa do Lenny

Hildegard Angel
O circo vem aí



Depois de Cancún, a cultura


A reunião da OMC não avançou, nos termos que os países globalizadores queriam, porque uma parte dos globalizados se reuniu e resolveu lutar por seus interesses. Os países do Sul são 85% da população do mundo, que repartem mal apenas 15% das riquezas existentes, enquanto os globalizadores - os países do centro do capitalismo - são 15% da população que repartem 86% da riqueza.

Não se poderia avançar no chamado ''livre comércio'', que orienta a OMC, porque vivemos tempos de recessão econômica: tempos de protecionismo, e não de liberalização. Nenhum país está disposto a ceder qualquer fatia do seu mercado, salvo em troca de vantagens ainda maiores. E quando aqueles que tradicionalmente cederam passam a se defender, tudo pára. Felizmente, porque a liberalização comercial acelerou as desigualdades e a miséria no mundo.

A partir de agora, se trata de consolidar a unidade interna do grupo dos 21 e buscar ampliá-lo. Mais importante, porém, é que, duas semanas depois de Cancún, se realizará a 32ª Conferência Geral da Unesco, entre os dias 29 de setembro e 17 de outubro, que vai avançar nas negociações fundamentais sobre a diversidade cultural. A França comanda uma posição que busca afirmar a especificidade dos bens e serviços culturais, com o direito de cada governo de tomar medidas legislativas, regulamentares ou financeiras, para a preservação de seu patrimônio cultural e lingüístico e a favor da necessidade de cooperação com os países do Sul, por exemplo sob a forma de acordos de co-produção cinematográfica ou audiovisual que lhes permitam ter acesso às ajudas nacionais e às redes de divulgação dos países do Norte.

Entre os que se opõem a essa posição, claro, estão os Estados Unidos, liderando um bloco e tendo o apoio da OMC e de seu ''livre comércio'', que não pretende respeitar a particularidade dos bens e serviços culturais. O Brasil se encontra entre os países ''reticentes'', segundo análise de Bernard Cassen no número de setembro do Le Monde Diplomatique. A favor da posição francesa se pronunciaram a Alemanha, o Canadá, a Grécia, o Marrocos, o México e os países francófonos.

Trata-se de uma luta para aprovar um norma internacional que possa ser utilizada pelos governos contra decisões da OMC ou de outros organismos similares. Solicita-se a arbitragem da Corte Internacional de Justiça, de Haia, para dirimir controvérsias. ''Esse dispositivo poderia assim questionar a predominância do direito do comércio, do livre-cambismo sem limites, sobre todos os outros direitos (principalmente sociais, do meio ambiente e culturais), que faz da OMC a ponta-de-lança da globalização neoliberal'', nas palavras de Cassen.

Em princípio, a situação é favorável à posição do respeito à diversidade. A Unesco já adotou, por unanimidade, uma declaração universal sobre a diversidade cultural e seu conselho executivo decidiu, também unanimemente, colocar na ordem do dia da Conferência Geral a questão da oportunidade de aprovar uma resolução nessa direção.

Porém o quadro pode mudar, porque os EUA retornam à Unesco, da qual devem voltar a financiar 25% do orçamento. Os EUA, um dos países mais protecionistas do mundo em matéria cultural (importam apenas 2% de seu ''consumo'' cultural), vão brigar por estender o ''livre comércio'' ao mundo cultural, como se a cultura fosse uma mercadoria como outra qualquer, e abrir assim ainda mais espaço para sua hegemonia midiática no mundo.

O prazo final para a adoção de uma resolução é 2005, mas o clima para essa decisão será constituído a partir de agora. De forma coerente com sua excelente atuação em Cancún, o governo brasileiro terá de abandonar a posição reticente atual e, fortalecendo os espaços para a produção cultural nacional e a diversidade cultural no mundo, somar-se de forma decidida à posição de proteção e democratização da produção e da divulgação cultural no mundo.


[21/SET/2003]


   Home > Colunas > Emir Sader

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas




Aumentar letrasDiminuir letrasVersão para imprimirEnviar matéria

Promoções

Serviços




Área do leitor



Assinaturas


Rio:
(21) 2323-1000

Demais estados:
0800-707-2000

Horário de atendimento:

• Segunda à sexta-feira de 6h30 às 18h

• Sábados, domingos e feriados de 7h às 14h