E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Armando Nogueira
Entre Equador e Colômbia

Coisas da Política
Uma vitória de painel e bastidor

Tostão
Boas e más retrancas

Wilson Figueiredo
Haja cargo

Informe JB
Recreio Alvíssaras

Cartas
Analfabetismo

Horóscopo

Contos Mínimos
Intromissão

Gente
Andarilho

Charge Online

Márcia Peltier
Perigosas

Emir Sader
Condições para a paz

Fritz Utzeri
Cristovam precisa escolher entre ser pedra ou vidraça

Augusto Nunes
Policiais com licença para extorquir e matar

Nas Páginas da História
14 de setembro no JB

Informe Econômico
Fila da sopa

Boechat
Alto custo

Geração
Fulano de tal

Gilberto Amaral
Pacifista

Estilo Iesa
Muito prazer

Paulo Blank
O Nome do Mal



Condições para a paz


Desta vez não deu nem para a grande mídia globalizada afirmar que se avançava no caminho da obtenção da paz no Oriente Médio. Fracassou o chamado ''Mapa da Paz'', antes mesmo de engrenar. Porque tinha de fracassar, nos termos em que foi colocado.

Antes de tudo, porque a mediação norte-americana é viciada. Os Estados Unidos não têm condições de aparecer como juízes e mediadores, porque são parte altamente integrante e comprometida do conflito. Israel é um aliado estratégico dos EUA na região e o país que mais recebe ajuda militar de Washington, sede da maior colônia israelita do mundo, que constitui um lobby extraordinariamente forte a pressionar os governos norte-americanos, sem nenhuma comparação com a força dos palestinos nem com a de qualquer outro lobby.

Só isso já serve para viciar - e na verdade impossibilitar - a viabilidade de qualquer iniciativa de paz originada do governo dos EUA. No caso, aparece mais claramente como elemento de uma estratégia de tentativa de limpeza da imagem do governo Bush, sob pressão de Tony Blair, depois do isolamento em que declararam a guerra de invasão do Iraque, para tentar demonstrar que têm preocupações outras além dos interesses geopolíticos de sua nova doutrina de segurança nacional. Somente a mediação de um organismo como as Nações Unidas, submetido à sua Assembléia Geral - e não estritamente ao Conselho de Segurança, com o direito de veto das grandes potências -, pode garantir que as próprias resoluções da ONU, aprovadas por imensa maioria e bloqueadas pelo poder de veto dos EUA, possam orientar acordos justos e duradouros de paz.

Esses acordos, conforme essas resoluções, têm que começar pelo reconhecimento do direito dos palestinos de ter o seu Estado, nas mesmas condições de Israel - com soberania, fronteiras definidas, direito de retorno dos exilados etc. Para que isso se concretize, a condição prévia de qualquer negociação é a retirada do Exército israelense dos territórios ocupados - porque se trata de uma guerra colonial de ocupação perfeitamente configurada, conforme as resoluções da ONU.

Quanto a Jerusalém, como cidade sagrada de três religiões - incluído o cristianismo -, só pode ser internacionalizada, sob proteção da ONU, para garantir o acesso dos fiéis dessas religiões e de todos os que desejem visitar a cidade.

Para que essa estratégia seja vitoriosa e possa se concretizar a convivência entre judeus e palestinos - de que a cidade espanhola de Toledo foi um formidável exemplo, no tempo da dominação árabe - é necessário que um organismo internacional com credibilidade possa propor os termos do acordo e solicitar o cessar-fogo e o término da cruel e impiedosa espiral do terror que se estabeleceu entre palestinos e israelenses. Tirar os EUA desse papel e substituí-los por um órgão de legitimidade e respeitabilidade internacionais, que possa desempenhar efetivamente a função de mediador, é condição preliminar para qualquer nova tentativa de paz, se não se pretende que seja somente uma simulação para ganhar espaço na mídia e votos dentro do país.

Atualmente os israelenses perdem com a continuidade do conflito, porque perderam a paz, não podem se locomover com tranqüilidade por nenhum rincão do seu próprio pais, não podendo também usufruir do Estado que conquistaram. Ganha o seu governo extremista, mas à custa da tranqüilidade do seu povo. Perdem os palestinos que, de vítimas de uma guerra de ocupação, são mostrados pela mídia como terroristas, quando na realidade sofrem cotidianamente as violências da ocupação estrangeira, da humilhação, da degradação de suas condições de sobrevivência. E ainda perdem os dois lados, porque estão inflingindo um ao outro perdas e dores que não se apagarão tão logo, cujas feridas tendem a ser cada vez menos passiveis de esquecimento e de perdão, distanciando-os cada vez mais das condições de paz - única possibilidade que os dois lados têm de voltar a viver em harmonia e tranqüilidade.


[14/SET/2003]


   Home > Colunas > Emir Sader

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas




Aumentar letrasDiminuir letrasVersão para imprimirEnviar matéria

Promoções

Serviços




Área do leitor



Assinaturas


Rio:
(21) 2323-1000

Demais estados:
0800-707-2000

Horário de atendimento:

• Segunda à sexta-feira de 6h30 às 18h

• Sábados, domingos e feriados de 7h às 14h