E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Tostão
Falsas verdades

Informe JB
Quando política e futebol se confundem

Cartas
Saúde no Rio

Horóscopo

Contos Mínimos
Palmeiras imperiais

Gente
Êxodo

Charge Online

Marcia Peltier
Adeus, sossego

Emir Sader
Utopias: para quê?

Augusto Nunes
A aliança dos cínicos e dos incompetentes

Boechat
União estável?

Gilberto Amaral
A vez da Comunicação

Estilo Iesa

Antonia
Sagrado e profano de mãos dadas

Domingo Listas
DEZ músicas mais bonitas do Brasil

Renato Lemos
O Lenny Kravitz enganou todo mundo na praia

Ui!
Em boas mãos

Direito e Justiça
Mudanças no comando do tribunal

Massimo Manzolillo
Pirarucu na ceia

Que Delicia
Praças de alimentação

Giro
Do balacobaco

 


Palmeiras imperiais


Passando esta semana pela Praia de Botafogo, reparei naquele centro empresarial dividido em dois prédios e que tem ao centro um vão. Havia ali - e foi só por isto que a construção foi erguida em dois blocos separados - uma fileira de palmeiras imperiais. Hoje, elas não estão mais lá. Estão mortas.

Morreram de repente, todas elas, no ano passado, por uma causa qualquer que li no jornal e não entendi bem, algo como uma enchente que lhes encharcou e apodreceu as raízes. Estavam ali havia tanto tempo e de repente uma chuva as matou, pensei na época. Achei aquilo sem sentido, quase inacreditável. E agora, ao passar por lá e ver o vazio, sentia de forma ainda mais aguda a falta que elas fazem. O vão entre os prédios está mais vão do que nunca, o que há entre as duas construções é um deserto, uma ausência enorme, uma lacuna de palmas e troncos.

Sofro com as palmeiras imperiais. Sofro porque sei bem o quanto lhes custa crescer tanto. E sei o tamanho do desastre que significa a morte de uma delas. Trabalhei anos dentro do Palácio Itamaraty, cujo lago é cercado de palmeiras imperiais, e vi algumas serem abatidas por causa de doenças nos troncos. No lugar delas eram plantadas mudas (o que ouço falar que será feito no centro empresarial de Botafogo), mas estas levavam anos, muitos anos, para crescer poucos centímetros.

Outro dia um amigo meu, passeando no Jardim Botânico, parou para ver o lugar onde foi plantada a Palma Mater, a primeira Roystonea oleracea, que foi presenteada a Dom João VI e da qual descendem todas as palmeiras imperiais do Brasil. E ele me confessou que quase chorou ao ler sua história.

Ela também está morta. Foi fulminada por um raio em 1972, quando já tinha mais de cem anos e quase 40 metros de altura. Chamaram uma ''junta médica'' para examiná-la, mas a morte foi atestada. Não havia o que fazer. Seu tronco seco, calcinado, está exposto no Museu Botânico. E em seu lugar foi plantado outro exemplar, que recebeu o nome de Palma Filia. Verdade que esta cresceu mais depressa que as outras em redor, como se alimentada pelo simbolismo que a cerca. Mas, ainda assim, a história é permeada de uma poesia triste. E me deixou pensando nas palmeiras imperiais, em como, mesmo elas, em toda sua beleza, têm de morrer um dia.

Nisso, são um pouco como todos nós.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[27/MAR/2005]


   Home > Colunas > Contos Mínimos


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas