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Textos da Bahia
Lembra de um certo grupo gaúcho que tempos atrás começou a publicar na rede cópias piratas de livros recentes? Se diziam hackers da literatura, davam entrevistas mascaradas via MSN explicando ser um protesto contra os altos preços dos livros no Brasil, dando a entender que o brasileiro não lê porque livro custa caro. Uma palhaçada marqueteira. A imprensa deu espaço para os caras, que obviamente, queriam aparecer. Sem hipocrisias, neste país quem é letrado sabe bem que a falta de leitura não tem origem na tabela das editoras mas sim na falta de educação primária. Somos capazes de gastar R$ 30 com vários lazeres, menos com um livro. As bibliotecas públicas estão todas vazias. E são gratuitas. Então não é com cópia pirata de Código Da Vinci num servidor em Tokelau que vamos melhorar as coisas. Surte mais efeito uma campanha local que leve as pessoas às bibliotecas, ou então o trabalho voluntário em alguma escola. Três rapazes de Feira de Santana (BA), propõem uma postura diferente. À margem da pirataria, e também de quem recebe hoje o título de ''a nova geração da literatura brasileira'', escrevem seus contos, poesias, e publicam tudo na rede pra quem quiser ler. De graça, é claro. O blog 3 vozes pretende ser apenas uma contribuição ao mundo das palavras. O marketing pessoal passa longe: os autores assinam seus textos com o nome do blog e os clichês nem passam perto: nada de indie rock, de querer ser beatnick, de idolatrar filme nórdico deprê ou de se achar um londrino que por azar nasceu no Brasil. Apenas um blog de três ''feirenses'' que querem escrever. E escrevem.
Ele sabia
''Ele não tinha forças para argumentar o que quer que fosse. Preferiu deixar que ela decidisse pelos dois. Enquanto dizia isso, lembrava-se de diversos momentos que passaram juntos. Sorrisos, conversas, afagos, silêncios, olhares. Pequenas coisas. Nada seria esquecido por ele. Tinha certeza disso. E sabia que aquelas lembranças o fariam sofrer por muito tempo''. Trecho do conto O último.
À mesa
''Sentou-se só à mesa, como de costume, mas esse dia era diferente, ele sentia um vazio imenso corroer sua alma por dentro, dando mordidas pequenas como que querendo moê-lo e matá-lo aos poucos. Costumava dizer que gostava de comer só, sentia-se mais à vontade, mas não mais, desde que conhecera seu grande amor e o deixara escapar por entre os dedos sentia sua falta em cada hora do dia, mas tentava não pensar muito nisso e assim sobrevivia sem grandes transtornos, mas o dia do aniversário dela... ah! Esse dia era cruel''. Trecho do conto O último.
Vazio
''O rumo das coisas. O voar do vento. O som do nada. O preencher do vazio. A loucura nada mais é que o excesso de razão. Equilíbrio''. Trecho do poema Coisas perdidas.
[10/OUT/2005]
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