E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
A persistência no arbítrio

Tostão
Evolução do futebol feminino

Cartas
Censura

Horóscopo

Contos Mínimos
Interferência

Gente
Estrela do Sul

Charge Online

Marcia Peltier
Greve à vista

Emir Sader
As Olimpíadas e nós

Augusto Nunes
Essa gente nada sabe do que está falando

Nas Páginas da História
15 de de agosto no JB

Informe Econômico
Pole position

Boechat
Pela arte

Gilberto Amaral
O nome basta

Estilo Iesa
Quando, onde, quem

Antonia
O melhor custo-benefício

Paulo Blank
Correntes de vida

Domingo Listas
Dez mortes exploradas pela indústria da conspiração

Renato Lemos
Olga era a utopia possível: minha mulher ideal

 


A persistência no arbítrio


Garimpando a pesquisa CNT/Sensus de junho, o PPS descobriu o seguinte dado: consultadas 2 mil pessoas sobre liberdade de imprensa, 65% delas disseram que estão satisfeitas com o nível de liberdade de expressão existente no país. As que se declararam desconfortáveis com o ''excesso'' de independência somaram 18%.

Ainda que não compartilhe dessa convicção democrática, até por uma questão de prática de respeito à maioria, conviria ao governo arquivar de vez as tentativas de criar restrições ao trânsito de informações.

Não dá certo e continuará dando errado, pois já ficou demonstrado que as ações governamentais de repercussão mais negativa - interna e externamente falando - foram todas relativas ao tema.

Não se sustenta o argumento ouvido aqui e ali, segundo o qual isso se deve à reação corporativa dos veículos de comunicação e dos jornalistas responsáveis pelo noticiário, porque a rejeição às limitações está claramente expressa nas manifestações de cartas de leitores e de instituições não diretamente ligadas ao ofício da comunicação.

Donde a conclusão óbvia de que a liberdade de imprensa, assim como a estabilidade econômica, é um valor coletivo já plenamente consolidado e do qual a sociedade demonstra que não abre mão.

Na questão da estabilidade, os que estão agora no poder demoraram, mas feliz e finalmente compreenderam que o conceito não tem dono, não pertence a governos, a partidos nem a ideologias: é fator de bem-estar comum e pressuposto inamovível de qualquer país com razoáveis pretensões ao desenvolvimento e à organização institucional.

Em relação à livre ação e pensamento, no entanto, o breve, mas consistente, histórico desse governo no assunto - e aqui incluem-se vários casos, desde a primeira tentativa de impor critérios oficiais à concessão de patrocínios culturais, até os casos em curso, passando pela tentativa de cassar o visto do jornalista do New York Times - não aconselha otimismo no tocante à impossibilidade de novas tentativas autoritárias.

Aos indicadores: há um padrão de comportamento pelo qual, num primeiro instante, o governo reage em bloco contra as críticas, insistindo em suas razões. Num segundo momento, surgem discordâncias pontuais e, finalmente, vem o recuo.

Até que uma nova ofensiva não apenas repete os termos da proposta anterior, como os apresenta reforçados. Caso típico da questão dos limites aos patrocínios. O Planalto recuou, mas depois ampliou e detalhou o plano de controle sobre a produção cultural no projeto da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual. Manteve o fundamento e aprofundou os instrumentos de domínio do Estado.

Esses recrudescimentos ainda apresentam a agravante de conquistar adeptos entre os que antes faziam a crítica interna. Tomemos o caso do ministro Gilberto Gil, da Cultura.

No ano passado, ele reagiu consoante à sua biografia, postou-se contra o chamado ''dirigismo''. Agora, deu-se ares de surpreendente arrogância acusando os críticos da Ancinav de estarem contra o aperfeiçoamento da democracia e quererem transformá-lo de reprimido em repressor.

Compreende-se que um artista de inequívoco livre-pensar, como Gilberto Gil, se assuste ao se ver na berlinda desse tipo de debate. Mas, prestasse ele um pouco mais de atenção no tom e nas palavras que vem usando e perceberia que adotou - mesmo involuntariamente - o figurino absolutista.

Indignado com a avaliação vigente de que o governo, se pudesse, caminharia para trás no tocante à garantia das liberdades, Gilberto Gil declarou: ''Não acredito que o governo Lula vá acabar com a democracia, até porque eu não vou deixar''.

Força de expressão? Provavelmente, mas a frase soa de uma onipotência atroz. A democracia no Brasil persiste não por vontade nem ação individual de quem quer que seja, mas por categórica afirmação da cidadania.

Fenômeno parecido ocorre com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que salvou o governo do vexame completo no episódio Larry Rother, para meses depois achar normal a idéia de o Estado patrocinar proposta de determinar como será a atividade jornalística no Brasil e chancelar proibição a funcionários públicos de transmitirem informações sem autorização superior.

Diz ele que não aceita ''carapuça de censor'', rejeita a qualificação de ''mordaça'' na vigilância ao servidor e, como Gil, diz que não permitirá agressões às liberdades.

Mas aí é que está: as palavras dos ministros da Justiça e da Cultura, ou de qualquer outro integrante do governo, de nada servem no tocante à garantia da segurança democrática do país, se - a despeito das palavras - o que prevalece, e se repete com obstinada freqüência, é a propositura e a defesa de princípios com a indisfarçavél marca da arbitrariedade.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[15/AGO/2004]


   Home > Colunas > Coisas da Política

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Carro & Moto
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas