E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
Alentada produção

Informe JB
O passado obriga

Cartas
Emprego e renda

Horóscopo

Gente
Pé-quente

Charge Online

Marcia Peltier
Do PT inglês

Nas Páginas da História
27 de maio no JB

Informe Econômico
Bala de prata

Boechat
Sem fronteiras

Gilberto Amaral
Em Pequim

Luiz Orlando Carneiro
Elvin Jones, o mestre da livre improvisação

Hildegard Angel
Casamento pra lá de Marrakesch

 


Alentada produção


Modestíssimo, para não dizer quase nulo, na produção legislativa de interesse geral, o Congresso Nacional exibiu-se fértil no debate de questões corporativas, neste ano legislativo que praticamente acaba agora, com o mês de maio.

Junho movimenta-se entre as festas de Santo Antônio, São Pedro e São João e as convenções partidárias país afora; julho abriga o recesso, as férias; agosto e setembro transcorrem em ritmo de campanha; outubro vai às urnas e contabiliza resultados; novembro reorganiza as forças políticas; dezembro diz adeus e vai-se embora.

Em 2004 - ano previsto para as reformas política, sindical e do Judiciário -, o Parlamento desperdiçou uma convocação extraordinária a peso de salário duplo, passou a maior parte do primeiro semestre com a pauta de votações trancada por medidas provisórias, não completou a reforma da Previdência, não cumpriu a agenda prometida, mas teve tempo de sobra para se dedicar à defesa de seus próprios interesses.

Uma das primeiras providências foi o arquivamento da proposta de redução do período de recesso e suspensão da obrigatoriedade de pagamento de salários em dobro no caso de votações extraordinárias.

Depois de alguns dias de polêmica, o assunto foi devidamente deixado de lado porque ao presidente da Câmara, João Paulo Cunha, interessava conquistar mais um mandato e teria menos chance de fazê-lo se contrariasse as conveniências de seu eleitorado, insistindo em propor mais trabalho e menos salário.

O tema da reeleição interna, como acabamos de ver semana passada, tomou tempo, energia, rendeu toda sorte de desacertos dentro do Congresso e passou a léguas de distância do interesse público.

Antes disso, suas excelências já haviam negociado entre si o funeral da reforma política. Ainda que comedidas, as modificações propostas desagradavam sobremaneira à maioria dos parlamentares - pois implicam alterações de normas e poderiam significar risco à reconquista de mandatos.

A retirada da reforma de pauta foi atribuída à resistência dos partidos de perfil conservador da base governista. É fato, PP, PL e PTB assumiram a negativa em troca de apoio à tese reeleição.

Só que não houve por parte das outras legendas, inclusive de oposição, nenhum movimento mais assertivo pela manutenção da reforma política na agenda do Congresso. Dela, a partir de um certo momento, também sumiu a reforma do Judiciário.

Mas, com agilidade e raro empenho, deputados e senadores incluíram de última hora outros dois temas de interesse corporativo: o número de vereadores permitidos por município e a punição por abuso de poder econômico em campanhas eleitorais.

No primeiro caso, ressuscitaram a toque de caixa um projeto que tramitava há anos, apenas para salvar cerca de 3 mil das 8.528 vagas de vereadores canceladas pelo Supremo Tribunal Federal.

No segundo, tornaram coletiva proposta original do senador César Borges que, na prática, acaba com o sentido da punição ao crime eleitoral, pois permite sanções apenas após o trânsito em julgado das ações.

Em matéria ação legislativa, convenhamos, 2004 foi ano curto mas de alentada produção em causa própria.

Caindo na real

O Congresso e o Planalto, vê-se agora, comemoraram com certa antecedência a aprovação das reformas tributária e da Previdência, no fim do ano passado.

Com o objetivo de fechar 2003 em condições de incluir a aprovação das reformas no balanço do primeiro ano de governo Lula, negociou-se de tudo e mais um pouco na votação do Senado, deixando questões em aberto para a Câmara resolver.

Resultado: os deputados derrubaram o ponto central da reforma tributária, transferindo para 2006 a vigência da unificação das alíquotas do ICMS, e ainda não votaram a emenda (chamada PEC paralela) que suaviza vários itens da reforma da Previdência.

Objetivamente não se pode dizer, portanto, que tenha havido reforma alguma. Os senadores reclamam dos deputados, mas, sendo o sistema de representação bicameral, teria sido mais conveniente acertar as coisas com a Câmara antes de fechar acordos com os governadores.

Provavelmente não teria dado tempo de incluir os feitos nas comemorações do primeiro aniversário, mas pelo menos não se teria vendido à opinião pública mercadoria indisponível para entrega.

Professor aloprado

O líder do governo na Câmara dos Deputados, professor Luizinho, acha que o Ministério Público não deve atuar em períodos pré-eleitorais e sugere a suspensão dos trabalhos da instituição sempre que houver eleições.

Antes que o deputado proponha também a suspensão das atividades da Polícia Federal e do Poder Judiciário a bem do processo eleitoral, urge a proposição de efeito suspensivo a atos de lesa-senso.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[27/MAI/2004]


   Home > Colunas > Coisas da Política

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Carro & Moto
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas