E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
Em perfeito desequilíbrio

Informe JB
O povo no poder

Cartas
Olimpíadas 2012

Horóscopo

Gente
'Happening'

Charge Online

Marcia Peltier
Protesto

Nas Páginas da História
20 de maio no JB

Informe Econômico
La garantía soy yo

Boechat
Coisa de louco

Gilberto Amaral
Avastin

Luiz Orlando Carneiro
Tenorinho, afinal, homenageado

Hildegard Angel
Levantamento de dólar

 


Em perfeito desequilíbrio


Deve haver uma razão - não obstante sua invisibilidade aparente -, para os diferentes sistemas de pesos e medidas usados pelo governo federal na calibragem de suas reações sempre marcadas pelo excesso. Seja de leniência ou de intransigência.

Tomemos dois episódios recentíssimos para ilustrar a contraposição de atitudes: o espetáculo de intolerância exibido na semana passada por causa do artigo do New York Times e a serena complacência diante das afirmações do vice-presidente da República e de seu partido.

Segundo eles , o Ministério da Fazenda adota uma política fiscal ''irresponsável'' e o presidente do Banco Central não passa de um ''sabotador'' da pátria.

Não é a primeira, nem será a última, vez que o PL e José Alencar sustentam diatribes contra a equipe econômica. Equipe esta comandada pelo presidente Luiz Inácio da Silva, cujo inerente aval a suas ações e integrantes o faz alvo também das acusações de irresponsabilidade e sabotagem.

Consta que aqui, como de resto também no caso da extrema indulgência concedida pelo Planalto às agressões diárias do MST aos direitos individuais e ao interesse coletivo, a intenção do governo seria tratar ambos os assuntos com indiferença, para que caiam no vazio.

Se é fato, o equívoco não poderia ser maior. No caso, do PL o tom das críticas, vocalizadas inicialmente só pelo vice e circunscritas à óbvia queixa contra os juros altos, vem aumentando.

Em episódio anterior, o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central foram espinafrados pelo presidente do PL em pleno Palácio do Planalto, durante cerimônia de posse de um correligionário do partido no Ministério dos Transportes.

Muito provavelmente, uma atitude firme - talvez o cancelamento da posse - teria desestimulado os ataques, dado o caráter puramente demagógico deles, e contribuído para a afirmação da autoridade do presidente.

Como a democracia não prescinde de autoridade mas dispensa com prazer o autoritarismo, bem teria feito o presidente Lula se, lá atrás, tivesse deixado claro ao movimento dos sem-terra que há leis no país e que cabe ao poder público preservá-las e aos cidadãos, cumpri-las.

Movimento muito mais benéfico à sua imagem do que as bravatas dirigidas ao governo americano na semana passada, segundo as quais os Estados Unidos precisariam ''aprender'' que no Brasil ''há leis''. Embora a alguns seja concedido o direito a infringi-las, faltou acrescentar.

No rol das reações incongruentes e excessivas, por abundância ou escassez, os trabalhos foram abertos na expulsão de quatro parlamentares do PT. À época, toda condescendência foi reservada aos dois ministros envolvidos com uso irregular de dinheiro público em viagens. Com direito à defesa pública do presidente.

Isso sem contar o caso Valdomiro Diniz. Incurso no delito de corrupção, foi muitíssimo mais bem tratado pelo Planalto que os chamados rebeldes, cujo crime limitou-se à divergência de opinião.

A condenação dos dissidentes e a absolvição, na prática, do corrupto, não se pode dizer que explique o padrão de incongruências nas reações governamentais.

Mas diz algo a respeito do que desconforta e do que não incomoda tanto o Palácio do Planalto.

Roto e rasgado

O presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha, reclamou ontem que os ministros do PMDB estavam ''usando a máquina'' para trabalhar contra a emenda constitucional que daria a ele e ao senador José Sarney direito a mais um mandato.

Exatamente como ele, João Paulo, usou o posto - nomeando deputados para comissões, abonando faltas, autorizando viagens - para conquistar apoio a seu intento. A única diferença é que uma ''máquina'' é executiva e a outra legislativa.

Caso típico do roto reclamando do rasgado.

E Justiça se faça, ministros do PMDB e o presidente da Câmara não foram os únicos a trabalhar em causa própria, nesta causa desprovida de qualquer relação com o interesse público.

Arte popular

No lugar de dar por encerrado o assunto e diluir assim o prejuízo, o Palácio do Planalto continua estendendo o assunto New York Times.

Agora comemora, e divulga isso, o resultado de uma pesquisa telefônica indicando 51% dos consultados a favor do cancelamento do visto do jornalista Larry Rohter e 49% contrários à decisão.

Abstraindo-se a omissão, em algumas publicações, dos percentuais dos que acharam o gesto prejudicial ao país (70%) e dos que consideraram correto o recuo (79%), conviria ao Planalto maior prudência no balizamento de atos por pesquisas.

Senão, acabará tendo de apoiar a pena de morte devido à sua ampla aceitação popular.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[20/MAI/2004]


   Home > Colunas > Coisas da Política

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Carro & Moto
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas