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O novo homem forte do Planalto


Agora é oficial: o comando político do governo está sob nova direção. O homem forte do Palácio do Planalto chama-se José Sarney e acumula a função de presidente do Senado.

Influente desde o início, Sarney consolidou definitivamente sua situação agora, depois que o caso Waldomiro Diniz enfraqueceu o chefe da Casa Civil, José Dirceu, e evidenciou a carência de sutileza e sofisticação do PT na gestão política da adversidade.

No vácuo da ausência de Dirceu como pólo de atração, articulação e organização, Sarney ocupou de vez o espaço; hoje é ele o centro de gravidade.

Enquanto ao ministro impõe-se a necessidade de produzir sinais exteriores de força e poder, ao presidente do Senado cabe apenas dedicar-se ao sereno exercício de ambos.

Tanto é que foi na casa dele que o alto comando político do governo se reuniu na sexta-feira para traçar a estratégia a ser adotada nas relações com o Parlamento, principalmente com o Senado.

Não deixa de ser inusitado o fato de um presidente do Senado receber representantes de uma das forças políticas da Casa para, com ela, definir rumos de atuação para dar eficácia ao atendimento de seus propósitos no Congresso.

Mas, de qualquer forma, inadequada ou não, a presença de Sarney num encontro político de natureza partidária e não institucional reflete bem o poder e a influência dele hoje na República. José Sarney pode tanto, que pode até mesmo se permitir um gesto de desconsideração à liturgia do cargo.

Em tom de brincadeira - nada distante da realidade, porém -, costuma-se dizer em Brasília que José Sarney manda mais agora do que jamais mandou quando era presidente da República e vivia sob a influência de Ulysses Guimarães.

Parlamentar mais antigo em atividade no Congresso, Sarney tem usado de sua experiência e extrema habilidade no manejo dos instrumentos de poder para assegurar ao neófito PT um trânsito razoável pelo caminho das pedras que conhece como ninguém.

Essa magnitude toda requer, evidentemente, a absorção de algum ônus.

Agora mesmo, é o alvo preferido da oposição por ter assumido a responsabilidade de impedir a instalação da CPI dos Bingos e, com isso, estabelecido uma barreira definitiva a investigações contrárias aos interesses da maioria.

Como já percebeu que Sarney é o vitorioso inequívoco dessa crise, a oposição tratou logo de lhe reservar lugar de honra na berlinda.

Sem dúvida é um aborrecimento para um político avesso a conflitos. Entre as desvantagens, tornar-se o foco das atenções é a mais arriscada e talvez a mais desconfortável para José Sarney.

O bônus, entretanto, possivelmente lhe é proporcionalmente vantajoso. A fim de não apequenar o raciocínio, deixemos de lado questões como ocupação de cargos, porque neste aspecto José Sarney não encontra obstáculos.

Os ganhos são políticos.

De imediato, ele terá assegurada a aprovação da mudança da regra que permitirá sua reeleição para a presidência do Senado, levará seu partido, o PMDB, cada vez mais para o centro do poder.

A longo prazo, contará com toda sorte de reverências por parte do Palácio do Planalto, que a ele nada negará. Se tudo correr bem, nem a vaga de vice-presidente para a filha, Roseana Sarney, em 2006.

Gato escaldado

O coordenador do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ministro Jacques Wagner, quer tudo menos briga com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

Por isso, está tratando de esclarecer que não defende mudanças bruscas nem imediatas na política econômica.

Quer, isto sim, que se abra no governo um espaço de discussão sobre outras formas de levar o Brasil ao crescimento.

Até para justificar a existência do conselho e preservar a função dos conselheiros como debatedores das políticas governamentais. Isso sob o aspecto formal.

Politicamente falando, é mais provável que Jacques Wagner esteja apenas se precavendo contra movimentos internos para desgastá-lo.

Por parte dos mesmos setores que abespinharam-se com José Dirceu quando ele começou a dar opinião em público sobre a política econômica.

Nome próprio

Autor da emenda propondo o fim da reeleição, o deputado tucano Jutahy Magalhães concorda que sua tese é difícil de defender e pode mesmo parecer oportunista.

Jutahy diz que sempre foi contra a reeleição e lembra que a emenda preserva o direito dos atuais governantes. ''Esperei sair da liderança do PSDB para apresentar a proposta, fruto de uma convicção pessoal.''


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[14/MAR/2004]


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