E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
Lula vê futuro no bipartidarismo

Villas-Bôas Corrêa
Recados do povo

Informe JB
Ponto para o leitor

Cartas
Recursos hídricos

Horóscopo

Supersônicas
Ano Maria Rita

Gente
A festa da semana

Charge Online

Marcia Peltier
Onde está Gigi?

Leonardo Boff
Gente boa

Nas Páginas da História
13 de Fevereiro no JB

Informe Econômico
Promessa é dívida

Boechat
Alerta 1

Gilberto Amaral
Guerra pesada

Maria Lucia Dahl
A deliciosa casa do tio Carlinhos

José Sarney
Garoa do meu São Paulo

Fernadão
Histórias do vôlei

Hildegard Angel
O samba do avião de R$ 56,7 milhões

 


Lula vê futuro no bipartidarismo


O presidente Luiz Inácio da Silva acha que a organização político-partidária do Brasil caminha para o bipartidarismo, ''no modelo mais moderno existente hoje na Europa''. Cita Alemanha, Espanha e França, onde, a despeito da existência de outros partidos, duas grandes correntes atuam em contraposição, capitalizando as preferências do eleitorado, como ocorre nos Estados Unidos, com democratas e republicanos.

Lula não detalha como se daria a divisão ideológica dessas duas forças, mas considera fortemente a hipótese de ''pessoas do PT'' e ''pessoas do PSDB'' virem a compor, juntas, um desses partidos. Não seria uma legenda com pretensões exclusivamente ideológicas - ''os ideológicos são sempre pequenos''; teria ampla base social, composta por gente muito mais afinada politicamente do que se vê hoje num mesmo partido.

O grande beneficiário desse sistema, na opinião do presidente, sem dúvida alguma seria o eleitor. ''As coisas ficariam mais claras, mais definidas, e os compromissos também mais firmes.'' Nomes dos políticos dos quais se afastaria ou se aproximaria nesse cenário bipolar, não diz por nada. Não parece minimamente disposto a ferir suscetibilidades presentes em nome de um futuro ainda incerto.

Fala-se na roda - sim, o presidente pôs-se na quarta-feira à noite a conversar durante três horas numa roda de 15 jornalistas - sobre seu bom diálogo com o presidente do PSDB, José Serra, e de sua suposta aversão por alguns personagens de partidos hoje aliados. Nem assim anima-se à nominata.

Aos tucanos, aliás, no momento dedica a previsão de uma grande derrota eleitoral em outubro. Na opinião dele, ninguém derrota Marta Suplicy em São Paulo. Serra? ''Ele não quer disputar porque sabe que vai perder.''

O presidente não vê chance de o discurso eleitoral ser nacionalizado com o propósito de fazer do pleito um julgamento de seu governo. Acha que a oposição manifesta essa intenção ''da boca para fora'' porque a federalização na opinião dele conta ponto a favor do PT por causa da sua popularidade.

Bem, mas e se tudo der errado e Marta perder em São Paulo?

Nesta hipótese, Lula reconhece, é derrota grande e de repercussão nacional.

De qualquer forma, o presidente não pretende mudar a rotina do governo em função das eleições. De alteração na política econômica para atender apelos a aumento de gastos públicos, não quer nem ouvir falar. Palocci está firme e forte. Já a equipe da Fazenda, o presidente transfere a questão ao ministro - ''quem trata do segundo escalão é ele''. Sobre juros e superávit primário, considera que os críticos dividem-se entre os que não sabem o que querem e os que não têm a mais pálida idéia a respeito do que falam.

''O superávit não dá para pagar um terço da dívida. É muito pouco para quem precisa, sobretudo, manter a credibilidade, esta é a palavra-chave.'' Quanto aos juros, ''esse pessoal que só se manifesta quando tem reunião do Copom não pode esquecer que a taxa hoje é alta, mas é a mais baixa dos últimos 10 anos''.

Trato mais flexível do Orçamento? ''Nem pensar!'' Entre a opinião dos técnicos do Executivo, que elaboraram uma proposta de R$ 402 bilhões, e a posição do Congresso, que acrescentou mais R$ 5 bilhões com base em previsões de receitas feitas pela assessoria técnica da Comissão de Orçamento, o presidente optou pelos cálculos da Fazenda e mandou bloquear a diferença.

''Era isso ou eu tinha de demitir todo mundo que elaborou a proposta orçamentária, a começar por mim que a aprovei.''

Mas, se na área econômica o mundo continuar rodando como se eleições não houvesse, no campo político o debate eleitoral altera projetos. Por exemplo, Lula não considera politicamente conveniente a discussão das reformas política e trabalhista neste ano no Congresso. Melhor em 2005, ''falemos aqui sinceramente''.

Bem menos delicadas do ponto de vista eleitoral, as reformas sindical e do Judiciário são, na visão do presidente, as ideais para compor a agenda de 2004.

Mesmo adiadas, Lula tem, sobre as outras duas, opinião formada desde já, embora ressalve que ela não irá, necessariamente, prevalecer. Na reforma trabalhista, ele propõe a flexibilização das normas, mas primeiro sugere que se esqueça o termo ''flexibilização'' - de uso corrente no governo anterior -, substituindo-o pela expressão ''liberdade sindical''.

A partir de contratos coletivos de trabalho, cada sindicato teria liberdade para negociar a aplicação das garantias de acordo com os interesses de suas bases.

Na política, Lula aposta no bipartidarismo, mas antes disso gostaria de ver o mandato de quatro anos - ''uma cretinice''- e a reeleição substituídos pelo direito a apenas um mandato ''de cinco ou seis anos''.

Para quando? ''2010 ou 2012''.


[13/FEV/2004]


   Home > Colunas > Coisas da Política

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas



  Aumentar letrasDiminuir letrasVersão para imprimirEnviar matéria