Os ministros que escaparam da demissão, os políticos que se sentiram atendidos ou os partidos que se consideraram preteridos na reforma ministerial não ficarão, necessariamente, até o fim do ano na mesma situação.
Pode haver nova mexida no Ministério, cuja composição resultante das recentes trocas ainda não é definitiva e está sob avaliação.
Mas, se o cenário não é de segurança para ninguém - excetuados aqueles com assento na primeira classe -, é fato, porém, que o equilíbrio de alguns é mais frágil que o de outros.
Anderson Adauto, dos Transportes, e Humberto Costa, da Saúde, são os exemplos mais eloqüentes de que tudo é passageiro nessa vida. Ficaram, mas na corda bamba.
Os critérios quanto à situação do ministro da Saúde dizem respeito ao PT e à avaliação de desempenho, fraca até o momento.
Já o destino de Anderson Adauto depende do futuro das relações entre o governo e seu partido, o PL. O ministro dos Transportes ficou, consta, por uma questão de apreço ao vice-presidente José Alencar.
Mas o afeto tem limite que, no caso, é determinado pelo nível de satisfação vigente no PL.
Digamos que o vice já tenha tido um papel mais intenso na correlação de forças dentro do governo e tudo dependa do aumento ou da redução dessa intensidade.
O PTB é outra peça um tanto solta. Estão devidamente registradas em cartório do céu - Casa Civil, para os íntimos - as insatisfações do partido, que ocupa um ministério, o do Turismo, desprovido de sustança desde a transferência da Embratur para o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Ali também tudo vai depender da evolução dos fatos. Uma situação completamente diferente da atual se apresentará quando, e se, vingarem os planos do Planalto de fortalecer o PTB com a filiação de Ciro Gomes e boa parte da bancada do PPS, atual partido do ministro da Integração Nacional.
Nesta hipótese, a conta que se faz é a seguinte: o PTB terá cerca de 70 deputados, passando à frente do PFL em termos de representação na Câmara, ficando, assim, em perfeitas condições para equilibrar o poder do PMDB e, com isso, dar ao Planalto uma certa independência em relação ao mais recente parceiro.
Companheiro, aliás, que anda a inspirar cuidados, de acordo com análises feitas já no período pós-reforma ministerial.
Quanto à nomeação do ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, não há reparos, pois a avaliação é de acerto na indicação no que tange ao atendimento dos anseios pemedebistas.
O mesmo não é dito, no entanto, a respeito da escolha de Amir Lando como representante do Senado. O Planalto sabe que conseguiu desagradar a gregos e troianos do PMDB, porque nenhum dos mandachuvas se considerou atendido.
Por isso, imagina-se que Amir Lando será por seus correligionários abandonado ao sol e ao sereno. Sem contar a briga de foice no escuro entre pemedebistas por causa da indicação das poderosas presidências da Eletrobrás e dos Correios, disputas essas que acabarão por fragilizar o partido. Para satisfação do Planalto.
Por etapas
Iniciado o período legislativo normal, em março o presidente da Câmara, João Paulo Cunha, vai retomar as negociações com os líderes partidários para reduzir o tempo do recesso parlamentar e pôr fim à prática do pagamento de dois salários adicionais em caso de convocação extra.
Na realidade, essas conversas já iam adiantadas no ano passado, quando foram atropeladas por uma proposta mais radical, saída da bancada do PT, que acabou afugentando os mais conservadores no sentido de conservação de privilégios.
Os arautos do corporativismo estavam aceitando bem a hipótese de redução do recesso de 90 para 60 dias, com o pagamento de um salário adicional, quando surgiu forte a proposta de férias de 30 dias sem direito a extra algum.
Aí houve um recuo geral daquela maioria que sempre cala e alegremente consente. A idéia do presidente da Câmara é, numa primeira etapa, não ir tanto ao mar nem tampouco manter-se fincado à terra.
A proposição intermediária, pela avaliação dos humores internos depois das críticas à situação atual, teria chance de ser aprovada ainda no primeiro semestre.
Risoto
Jovem, solteiro e promissor, nada demais o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, gostar de freqüentar o circuito do mundo off-política, incluindo uma anunciada ida ao São Paulo Fashion Week.
Faz ele, aliás, muitíssimo bem. Mas não custa de vez em quando dar uma passada em Minas, onde, dizem, também há ótimas festas.