Oriundo da esquerda do partido, integrante da tendência Força Socialista, o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino, alterou muito sua ''visão das coisas'' depois de um ano na linha de frente da bancada governista.
Prestes a deixar o posto por força do rodízio anual de lideranças, Pellegrino adorou a experiência. Faria tudo de novo - com mais ponderação, acrescenta - e, de fato, parece plenamente adaptado ao poder quando ao falar de sua posição política começa a frase com um ''eu era de esquerda.''
Era? ''Não, não, eu sou é claro'', corrige, reconhecendo, entretanto, que não é mais o mesmo que assumiu há um ano fazendo declaração de voto contrária à orientação do governo.
''Naquela época houve muita incompreensão de parte a parte'', diz, referindo-se ao estranhamento posto entre o PT do Palácio do Planalto e boa parte do PT do Congresso.
Problemas de agenda, na opinião dele. Ao governo, faltou compreender que a pauta apresentada ao Parlamento não era aquela a que estava acostumada a bancada do partido. Aos parlamentares da esquerda - cerca de 30% -, também faltou um entendimento mais racional sobre as razões do Planalto.
''Além de o governo não ser só do PT, era preciso levar em conta qual foi a agenda vitoriosa na eleição.'' A moderada, hoje Pellegrino tem clareza.
Os desentendimentos do início, quando o governo fazia ver clara e publicamente seu descontentamento com a conduta do líder, tanto foram superados que Pellegrino é hoje candidato a prefeito de Salvador com apoio inequívoco da cúpula do poder.
E sente-se ótimo assim. Não vê dificuldade em enfrentar sua primeira campanha como governista depois de uma vida dedicada à oposição. Ao contrário.
''Sempre tive problemas justamente por ser de oposição aos governos federal e estadual.'' Agora, com a bênção de Brasília, acha que o eleitor será mais benevolente.
E o eleitorado tradicional, de esquerda? Pellegrino não se aperta e já está tratando de ''refazer o diálogo'' com setores como o do funcionalismo público, por exemplo.
Além do quê, acha que poderá contar, no segundo turno, até com o apoio do PSDB por causa das divergências locais entre tucanos e pefelistas.
Mas, antes da campanha eleitoral, ainda há mais embates federais a serem enfrentados no Parlamento. Todos, na opinião de Pellegrino, ''muito mais fáceis'' do que os de 2003.
''O período mais difícil já passou, a economia vai melhorar e a experiência ajudará a todos'', acredita, preparando-se para, antes de entregar o cargo, reunir a bancada agora, na primeira semana de convocação extraordinária.
Problemas petistas com a pauta congressual de 2004, Nelson Pellegrino só vê mesmo se o governo resolver votar questões como reforma da legislação trabalhista e autonomia do Banco Central.
Mas, como não foi só ele quem aprendeu as artes do poder nesses 12 meses, o deputado não acredita que o Planalto compre brigas em ano eleitoral.
Uma dúvida: livre da condição de líder, que impõe fidelidade ao Planalto, voltará Nelson Pellegrino a fechar com os radicais?
''Vou continuar solidário ao governo.''
Outro tempo
Ciente de que o prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy, já não professa seu credo, embora mantenha as aparências, o senador Antonio Carlos Magalhães tem dito que vai resolver as diferenças com o prefeito em 2005, ''quando ele estiver desempregado''.
Forte ainda fosse como dantes, ACM não precisaria esperar o adversário sair do cargo para enfrentá-lo.
Recuo
A decisão de entregar ao PMDB a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos junto com o Ministério das Comunicações evidencia uma alteração de critérios no preenchimento dos cargos federais.
Ao assumir, o governo batia no peito dizendo que não aceitaria fazer de seus ministérios feudos políticos. Por isso, jamais entregaria a um partido a estrutura completa de uma pasta.
Deu a isso o nome de 'verticalização' e disseminou a versão - largamente aceita - de que, com isso, instaurava-se a moralidade pública na Esplanada.
Donde se conclui que a flexibilização dos princípios significa o oposto.
Rumo
Seja quem for o substituto de Roberto Amaral no Ministério da Ciência e Tecnologia, precisará cumprir duas metas: dar visibilidade aos centros de produção de ciência no Brasil e torná-los funcionais, criando uma ponte entre eles e a iniciativa privada.
A avaliação é do ministro de Comunicação e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken.