Invocando a ''autoridade de quem, no PT, fez a primeira aliança com o PSDB'' - na eleição de 1998 -, o governador do Acre, Jorge Viana, defende a idéia de uma aproximação entre os dois partidos. Ele tem conversado a respeito do assunto e encontrado no senador tucano Tasso Jereissati, por exemplo, um interlocutor mais que interessado.
Segundo o governador, tucanos e petistas têm muitas ''afinidades'' que não podem ser desperdiçadas e permitiriam uma convivência produtiva. Muito mais fácil, Jorge Viana reconhece, do que com muitos partidos atualmente aliados ao governo federal. Os nomes, ele se abstém de citar.
Para o governador do Acre, um acordo dessa grandeza teria de ser precedido de um movimento político muito bem articulado, coisa que não se faz de um dia para o outro. Aliás, na visão dele, não se pode pensar em nada semelhante a não ser depois das eleições municipais do ano que vem.
''As questões paroquiais vão dividir todos os partidos. Com algumas exceções, não haverá acordo para lado nenhum'', diz ele, bem mais realista que alguns dirigentes petistas cuja esperança vislumbra possibilidade de alianças em quase todos os municípios, com os partidos aliados no plano federal.
Depois disso, Jorge Viana vê chance na construção de um grande acordo nacional - ''um pacto de boa vontade'' - que garanta a sustentação política do governo do PT, com uma configuração ideológica diferente da atual.
O governador chega a falar na hipótese de uma chapa de tucanos e petistas na eleição de 2006, quando o PT (não necessariamente com Luiz Inácio da Silva) tentaria a reeleição. Não leva em conta as várias pré-candidaturas tucanas já em circulação.
''Será que até lá o Aécio Neves e o Geraldo Alckmin estarão maduros para a colheita?'', pergunta numa referência à necessidade - na concepção dele - de os governadores de Minas e de São Paulo ainda precisarem de tempo para se consolidar como lideranças nacionais. O PSDB, na avaliação do governador, poderia ocupar a Vice-Presidência da República.
E os tucanos aceitariam? Jorge Viana, em princípio, não vê impedimento. ''O PSDB aprendeu muito com a derrota.''
A eleição de José Serra para a presidência do PSDB é, na visão do petista, um dado favorável à proposta de aproximação. De fato, Serra costuma ser muito mais bem falado dentro do PT do que em muitos setores do próprio partido.
Na opinião de Jorge Viana, o adversário de Lula na final da campanha eleitoral de 2002 não fará uma oposição agressiva que inviabilize um acerto futuro. ''Além de não ser o estilo dele, Serra com certeza teve tempo para refletir e, acredito, nós também. O fato de todos já terem descido dos palanques facilitará muito as coisas.''
Embora não rejeitem a idéia de um acordo futuro, os tucanos que já se pronunciaram sobre o assunto não vêem possibilidade para breve. José Serra, como Jorge Viana, cita 2004 como obstáculo, mas Aécio Neves vai mais além. Para o governador de Minas, o PSDB voltou a ter esperança de disputar bem a eleição de 2006 e, portanto, só vê chance de uma aproximação para depois.
Todo prosa
Tem pemedebista já experimentando o terno da posse no Ministério Lula, seja qual for a pasta. É o caso do líder do PMDB na Câmara, deputado Eunício Oliveira. Ele tem certeza de que será ministro e tem dito aos correligionários que espera receber o convite formal entre os próximos dias 5 e 6. A posse, informa ele, fica para janeiro.
PFL maravilha
Enquanto isso, dez entre dez petistas, obviamente nos bastidores, atestam a mais absoluta desconfiança a respeito da entrada do PMDB no governo. As apostas são de problemas na certa. Quando alguém vislumbra preconceito nessa posição, os governistas lembram a conduta do candidato a parceiro nas negociações das reformas no Senado, sempre fazendo jogo duro - e dúbio - em busca de vantagens.
Um petista dos graúdos, com cargo no Executivo, chega a avaliar que a relação com os pefelistas é bem melhor, mais franca pelo menos. ''Em matéria de diálogo de governo, o PFL é uma maravilha'', diz.
Para constar
O governo, defensor da reforma política nos discursos do presidente da República, não aposta no futuro da proposta a ser votada hoje na comissão especial da Câmara dos Deputados. Ao contrário.
A palavra de ordem, que une governistas, evangélicos e baianos, é levar o projeto para a Comissão de Constituição e Justiça e lá deixá-lo cozinhando em fogo brando até que seja dado o sinal verde pelo Palácio do Planalto.
Fosse para valer a votação de hoje, seguramente já haveria algum parlamentar do primeiro time do Congresso no patrocínio da reforma.
Já dizia uma velha onça que os políticos hesitam tanto em votar a reforma política porque é o único assunto do qual entendem.