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De dimensão mais que amazônica

DORA KRAMER

Pergunte-se a um pefelista do primeiro time, entusiasta do apoio do partido à candidatura Ciro Gomes, qual a dimensão da resistência do presidente do PPS, senador Roberto Freire, a essa aliança e se ouvirá que o obstáculo é de proporções mais que amazônicas: ''É do tamanho do mundo.'' E para se ter uma idéia exata do que significa a frase, o nosso personagem acrescenta que, na sua opinião, é mais fácil o PPS queimar a ficha de filiação de Ciro do que aceitar o acordo com o PFL.

E esta ficha está nas mãos do presidente do partido, cuja disposição ao acerto é zero. ''Não quero que fique parecendo intolerância nem interesse regional, como andam dizendo. A questão é política. Nada tenho de pessoal contra o PFL, mas não passei esses anos todos construindo um projeto para aceitar uma aliança com gente cuja concepção é exatamente a oposta à nossa'', diz Roberto Freire.

Aquele mesmo líder do PFL que não nutre ilusões quanto ao sucesso do acordo - até porque, lembra, o governador Jarbas Vasconcelos não tem interesse algum nessa aliança e do apoio dele depende Marco Maciel para se eleger senador -, assegura que hoje 90% do partido optaria por Ciro Gomes, caso a proposta fosse explicitada.

Isso incluindo todos as alas da pefelândia, assim divididas: os que ainda querem a volta ao berço governista, os defensores da ausência de candidatura própria e os insistentes na manutenção do nome de Roseana Sarney - grupo representado apenas por Jorge Bornhausen e César Maia. Posição, aliás, que ninguém no PFL consegue entender.

À exceção dos chamados ''governistas'' - sim, agora temos disso também no PFL -, todos os outros concordariam que, se fosse para ter candidato no lugar de Roseana o ideal seria Ciro. Desejo que encontra correspondência no PTB, no PDT e até dentro do PPS.

Conta gente importante do PFL que nunca sofreu tanto assédio por parte de integrantes dos partidos que apóiam Ciro Gomes. De um deputado do PPS, outro pefelista ouviu a seguinte frase: ''Quero ser o primeiro na fila do gargarejo para conversar, assim que vocês oficializarem a desistência de Roseana.''

Nesse quadro, e considerando que Ciro Gomes já revisou publicamente o antigo horror que nutria pelo PFL, à primeira vista fica-se com a impressão de que Roberto Freire é um obstáculo de somenos importância. Afinal ''só'' ele seria contra.

Ocorre que o cenário não é tão simplesinho assim. Primeiro, porque Freire tem respaldo no partido, não obstante as defecções. E, depois, é como disse o nosso pefelista sempre alerta: dono da ficha de filiação, é mais fácil Roberto Freire romper a aliança com PTB e PDT, comandar um movimento interno pela expulsão de Ciro - e, de quebra, Mangabeira Unger -, e transferir seu apoio a José Serra, do que correr para o abraço com o inimigo, optando por ficar sem discurso político para o resto da vida.

Mandrake

O candidato do PSB, ex-governador Anthony Garotinho é, de fato, um mestre na arte do ilusionismo. Depois de anunciar uma auditoria inexistente e tentar aprovar sua própria aposentadoria para recuar ante a repercussão negativa, agora disse à Justiça que nunca, jamais em tempo algum, insinuou que o deputado Márcio Fortes enviara a ele um emissário com um dossiê contra Roseana Sarney.

Interpelado pelo tucano, Garotinho, ainda no cargo, enviou ofício ao Superior Tribunal de Justiça declarando-se impossibilitado de se manifestar a respeito da notificação. E fornece o motivo: ''É que, lamentavelmente, o petitório do parlamentar se refere a declarações atribuídas, por jornalistas, a assessores não identificados e a outras pessoas, não havendo, sequer, alusão alguma a Sua Excelência nas afirmações irrogada ao governador do Rio de Janeiro.''

Ou seja, na versão de Garotinho, ele não só nunca fez as acusações, nem mesmo insinuações, como se diz absolutamente alheio a um assunto no qual se empenhou pessoalmente, até mesmo com telefonema direto ao pai de Roseana, senador José Sarney.

Pois, agora, Márcio Fortes irá à Justiça comum - dado que Garotinho não tem mais foro privilegiado - com uma ação na qual pedirá prova testemunhal. Para isso, já está preparando lista de pessoas - entre elas alguns jornalistas - que teriam ouvido do então governador a referência explícita ao deputado como ofertante do dossiê.

Erro de obra

Não foram apenas os projetistas do Elevado Paulo de Frontin e do Pavilhão da Gameleira que erraram os cálculos e viram suas obras desabarem. Houve erro também no texto publicado ontem aqui, comparando o infortúnio daqueles profissionais às escorregadelas políticas de outro calculista irretocável, Jorge Bornhausen.

A nota referia-se ao pavilhão de exposições que estava em construção em Belo Horizonte quando desabou, como ''Estádio da Gameleira''. E já que é para esclarecer, vamos ao serviço completo: a tragédia aconteceu em 4 de fevereiro de 1971, soterrou 126 operários, matando 64 e deixando 62 feridos e mutilados.

[12/ABR/2002]

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