'Mensalão'
Com a entrevista-denúncia do parceiro Roberto Jefferson sobre o ''mensalão'', que o PT estaria dando a deputados aliados, mostra com clareza que a sociedade está à espera de respostas transparentes, não só sobre tais denúncias, mas também sobre as promessas do governo da esperança, que a continuidade do modelo macroeconômico neoliberal até agora aplicado não permitiu que fossem cumpridas. José de Anchieta Nobre de Almeida, Rio de Janeiro
É difícil de acreditar até que ponto conseguiu chegar o presidente e seu partido depois de apenas pouco mais de dois anos de governo, abafando crises, driblando brasileiros que depositaram nele toda a confiança. O partido que tinha a ética por bandeira se envolveu num tamanho mar de lama que perdeu totalmente a credibilidade. Marly Freitas da Silva, Rio de Janeiro
Finalmente o PT parece ter entendido que precisa apoiar a CPI dos Correios e a do ''mensalão'' para se diferenciar dos partidos que hoje são oposição, mas que quando estavam no poder impediram todas as investigações contra o governo FHC pelo Parlamento. Essa atitude, apesar de tardia, ainda é melhor do que a dos tucanos e pefelês no passado recente e dará ao governo Lula e ao PT moral para exigirem que não sejam os únicos investigados. Eduardo Guimarães, São Paulo
Pior do que ver a situação de corrupção no governo, é saber que votei no PT. O PT impediu a criação da CPI dos bingos (Waldomiro Diniz) alegando que criaria desgovernabilidade; no começo do caso dos Correios, alegou antecipação da campanha eleitoral de 2006, e agora com o caso mensalão o que vai alegar o PT, traição de aliado. Sérgio do Prado, Rio de Janeiro
Não é de hoje que impera no Congresso a prática do ''toma lá, dá cá''. Quantas proposições de interesse do governo - deste e dos anteriores - não foram aprovadas à custa do é dando que se recebe? Mas até então cada proposta era negociada de per si quando de sua apresentação. Isso nunca foi novidade. O que espanta no caso atual é a existência de uma espécie de contrato com os parlamentares da base governista, com retribuição pecuniária mensal, que permite ao governo deter, por antecipação, a exclusividade do voto desses representantes do povo, seja qual for o assunto da proposta. E o pior disso tudo é que, graças a essas e outras ''contribuições'', esses políticos corruptos se perpetuam em sucessivos mandatos. Dick S. Mello, Rio de Janeiro
Tenho a nítida impressão de que os recentes acontecimentos políticos ocorridos em Brasília, abalando a já combalida credibilidade pública do Congresso Nacional, representam apenas a ''ponta do iceberg''. Os desdobramentos são imprevisíveis, até porque passaremos para aquela fase em que todos os envolvidos vão tentar ''livrar sua barra'', mesmo que para isso seja necessário ''jogar lama no ventilador''. Júlio Ferreira, Recife (PE)
Mesmo que pelos motivos errados, Jefferson colocou a boca no trombone e chamou todos para dançar. Que venha a CPI, que ressuscitem as que não deram em nada. Que criem novas. Chega de corrupção e impunidade, o povo não agüenta mais. João Marcelo de Oliveira Antunes, Rio de Janeiro
Por mais que o presidente tente salvar sua pele, não dá para acreditar na sua inocência. Afinal, Lula é PT e PT é Lula. Aliás, a cara de constrangimento do ministro Aldo Rebello ao tentar explicar os fatos dá bem a medida da gravidade da situação. Geraldo Siffert Junior, Rio de Janeiro
Chega de enrolação, de barganhas e de tentativas de abafamento. O povo brasileiro, chocado, exige apuração e punição aos culpados pela vergonha que envolveu propinas e dinheiro público no lamentável episódio dos Correios. É preciso colocar essa CPI em um ''sedex'' para que os trabalhos da mesma comecem rapidamente e nos tragam resultados imediatos, com a certeza de que não haverá impunidade. O eleitor brasileiro agradece. Fernando Al-Egypto, Petrópolis (RJ)
O governo Lula, que tanto fala em ''herança maldita'', completamente embrulhado nas práticas que sempre condenou, deveria fazer uma reflexão profunda sobre o que deixará como sua herança. O prosseguimento das vergonhosas práticas de corrupção e loteamento de funções públicas em nome da governabilidade. Entretanto, além do incrível continuísmo de políticas que condenou para ser eleito, acrescenta um legado que estarrece a todos nós; a total desarticulação da esquerda brasileira. Roberto d'Araujo, Rio de Janeiro
'Coisas da Política'
O artigo de Augusto Nunes (O bombardeio só está no começo, ontem, pág. A2) está ótimo como sempre. Entretanto, discordo do final. O baú está aberto desde o Caso Waldomiro. Espero que a mídia não deixe a coisa esfriar. Assim como temos maus profissionais e péssimos amadores em todos os meios, acredito que é chegado o momento de separar o joio do trigo. Não devemos caçar bruxas, mas extirpá-las do sistema. Pode ser até que o presidente não sabia do fato, o que acho difícil, mas nesta hora estou com o líder do PSDB no senado, senador Virgílio: o Brasil deve continuar, apesar destas mazelas. João Petersen Neto, Rio de Janeiro
'Outras Opiniões'
O amontoado de tolices de Antonio Sepulveda no artigo Inelegíveis virtuais (1º/6, pág. A11) merece plena e contundente repulsa. O texto, prenhe de calúnias e ofensas, trai a vil personalidade desse recalcitrante detrator da honra alheia. Ele tenta compensar falta de talento com falta de educação; não argumenta, xinga; não alega, expele impropérios. Tenta um fugaz brilhareco usando o ataque irresponsável e rasteiro. Nas entrelinhas, vê-se o autor desnudo: um direitista malcriado, que desconfia do exercício do voto; que não critica, inculpa; não discorda, achincalha. Ricardo Bruno, Secretário de Comunicação Social do Governo do Estado do Rio de Janeiro
[08/JUN/2005]
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