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Legislativo
[11/MAI/2005]
As mais elevadas funções de governo do país, inclusive a de substituir o presidente, são confiadas a senadores e deputados, como decidido em nossa Carta Magna, o que torna óbvio que os parlamentares indicados para aquelas atividades gozem de excelentes atributos morais. Muito assusta, portanto, aos eleitores que tantos dos seus representantes no Legislativo sejam acusados e punidos por falta de decoro parlamentar.
Independente dos transtornos de trânsito e da excessiva expectativa que a tal Cúpula em Brasília vem provocando na cidade, o que é mais irritante é o complexo de inferioridade com que a recepção dos forasteiros vêm sendo tratada, tanto por nosso cordial e doce Itamaraty como por nossos famélicos e sorridentes empresários.
Na minha opinião, a maioria das pessoas não aprende com as grandes catástrofes, como, por exemplo, as guerras, a viverem em paz. Basta acabar uma que começa outra, dizimando populações. O Iraque e a Palestina são exemplos reais disso. A vida humana, efêmera e tão difícil, deveria ser melhor pensada e preservada pelos líderes de diversos países que promovem as guerras. Insistir no diálogo seria o melhor caminho. O dinheiro gasto para tal atrocidade poderia ser revertido em pesquisas relacionadas aos grandes males que afetam a humanidade e que ainda não têm cura.
Como costumamos fazer diariamente, ao ler a coluna de Augusto Nunes (Sete Dias, pág. A18, 8/5), vimos que se referiu a uma de nossas lutas: a valorização do salário mínimo. Nossa bandeira não foi perdida nem abandonada. Continuamos defendendo que o salário mínimo precisa ser valorizado. Sabemos que isso não será obtido do dia para a noite. A pobreza em nosso país existe há décadas, portanto não somos ingênuos de acreditar que ela possa desaparecer rapidamente. Apesar disso, temos plena consciência de que podemos, sim, melhorar as condições de vida de nossa gente.
Ao contrário do que o economista Ubiratan Iorio afirma no artigo A marcha da insensatez (pág. A11, 9/5), durante a Marcha Nacional entre Goiânia e Brasília, os militantes do MST não portam aparelhos fotográficos digitais ou objetos de semelhante valor. Quem o faz são jornalistas e documentaristas nacionais e internacionais que compreendem a importância da causa que mobiliza há oito dias 12 mil marchantes e apoio de vários setores da sociedade. Convidamos o articulista a conhecer o acampamento, as pessoas e a organização da Marcha Nacional pela Reforma Agrária, o apoio que estamos recebendo da população e poder falar do que viu, não apenas do que ''leu nos jornais'' ou ''ouviu dizer''.
Que país ridículo! Para que necessito de um passaporte, mesmo que escrito em espanhol correto, ressaltando o nome Mercosul, em maior destaque que República Federativa do Brasil, se para entrar em qualquer dos países que compõem este mercado insipiente basta a carteira de identidade? Que propaganda de mau gosto! Que necessidade de afirmação! Finalmente, quem está ganhando dinheiro com isto?
O rebolante presidente Bush, talvez embriagado pela euforia, ao nos proporcionar contemplá-lo em momento tão constrangedor, nos põe a meditar o quanto é assustador delegar poderes a falsos guardiões da redenção da humanidade que são capazes de patrocinar e/ou incentivar atrocidades devastadoras.
Continua o Brasil a ignorar a cultura e a civilização chinesa, com seus 8 mil anos, a mais antiga do planeta. Entre muitas outras invenções, foram os chineses os criadores do papel, da impressão e do próprio livro. Seguramente, como nação com o maior número de alfabetizados, são os livros sobre o filósofo Confúcio os mais lidos no mundo. Assim, parece estranho não haver qualquer menção a esses fatos históricos ou debates sobre a China entre os inúmeros que ocorrerão durante a Bienal do Livro, anunciada no suplemento Idéias & Livros de 7 de maio.
Finalmente o Brasil entendeu que precisa haver investimento em marketing para turismo. Moro na Califórnia e nunca vi um anúncio do Brasil - TV, jornal ou revista. É frustrante tentar explicar que o carnaval é uma pequena (e lucrativa, admito) parte do turismo. Comerciais mostrando ecoturismo (não só na Amazônia), as praias nordestinas, as históricas cidades de Minas e hotéis de alto luxo são imagens e destinos que vão atrair turistas - principalmente americanos que preferem não ir à Europa ou Ásia. Sem falar em eliminar os US$ 100 para o visto - o vôo é caro o suficiente.
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