Eleições da Câmara
A eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado é uma prática desejável e muito louvável. Censurável é o uso das capacidades desses senhores e seus comportamentos. Assisti à cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos e pude constatar atitudes recrimináveis. Durante a execução do Hino Nacional, parlamentares conhecidos postavam-se inadequadamente, com braços e mãos cruzados, quando a boa e cívica postura manda colocar os braços ao longo do corpo. Pior, alguns desses senhores trocavam confidências e leves gargalhadas, enquanto a nação assistia à execução do Hino, que deve ser escutado e cantado com o máximo respeito. Que vergonha, senhores parlamentares! Mas o que esperar de quem comercializa favores e fidelidades partidárias de forma tão desprovida de integridade? Luis Santos, Niterói (RJ)
Como é complicado e difícil o regime democrático! Elegemos um governo cuja proposta é mudar o país, apesar das dificuldades e pressões internas e externas e, para complicar ainda mais, nossos deputados elegem um malufista e agora comemoram o fortalecimento do conservadorismo no Congresso. Um país que precisa se desenvolver e recuperar o pífio desenvolvimento da última década terá de se submeter às mazelas corporativistas do novo grupo hegemônico na Câmara. Valmir Barbosa, Rio de Janeiro
Quando Lula disse que no Congresso existiam 300 picaretas, não teve coragem de divulgar os nomes. Agora nem precisa. São aqueles que votaram no Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara. Na maior cara-de-pau, indicaram o homem que na ausência do presidente e do vice assumirá a condução do país. O Brasil não merece os políticos que tem, mas o povo que neles vota, sim. João Carlos Gomes, Rio de Janeiro
Mais uma vez fica provado que um vidente chamado Lula, sem bola de cristal, sem jogar búzios nem cartas de tarô, acertou em cheio quando, há mais de 10 anos e sendo ele deputado, disse que havia mais de 300 picaretas na Câmara. Passado esse tempo, a profecia tem algumas imperfeições perfeitamente perdoáveis: o número de picaretas aumentou. Marli Werneck de Sá, Rio de Janeiro
Receio que o deboche com o bem público, a moralidade administrativa e o patriotismo passem a ser regra geral em nossa Câmara. O novo presidente da Casa já fez a apologia do nepotismo seletivo e, se além disto, ele cumprir o que prometeu, o dinheiro público vai ser dilapidado numa farra de fazer inveja às bacanais do velho Império Romano. Marcelo Guarabira Leitão, Teresópolis (RJ)
Se o novo presidente da Câmara cumprir metade das promessas que fez, vai ter que arrombar o cofre público para distribuir a grana aos pobres e esquecidos deputados que, segundo o próprio Severino, chegam a ''passar necessidades''. Esta é a forma como no Brasil se faz justiça social. Usa-se o imposto dos pobres para enriquecer os eleitos da Câmara. Josimar Teixeira Borges, São Gonçalo (RJ)
A eleição de um conservador e corporativista para presidente da Câmara mostrou as garras de um poder que deixa muito a desejar, mas muito eficiente na voracidade e no modo de aumentar subsídios e mordomias. Bento Cordeiro Barbosa, Rio de Janeiro
A derrota do PT na disputa pela presidência da Câmara pode ter sido merecida lição para a medíocre e confusa condução de sua estratégia política. Mas a vitória de Severino Cavalcanti não oferece o antídoto desejado, já que, tudo indica, foi a vitória do corporativismo e da nivelação política por baixo, do baixo clero. Luiz Edmundo Saraiva, Rio de Janeiro
Meditando, um pouco só, sobre a eleição do novo presidente da Câmara, só se pode tirar duas conclusões. Primeira, a de que rejeitou-se um candidato por sua notória postura pessoal absoluta e politicamente incorreta, no passado remoto e no passado menos remoto de sua campanha para o posto. Segunda, rejeitou-se o comportamento, a política social e econômica do governo federal por ele representado. Quanto ao candidato eleito, melhor será para ele a atitude digna de renunciar ao mandato e partir para o ostracismo. Esta atitude será boa para seus companheiros e muito melhor para os brasileiros. Pedro Luís de Campos Vergueiro, São Paulo
Foi uma mistura de trágico, cômico, ridículo e penoso o discurso do deputado Severino Cavalcanti na apresentação dos candidatos à presidência da Câmara. Ao fim de 17 minutos (sete a mais que o combinado), seus pares se manifestaram de forma jocosa e irreverente. Para muitos era uma candidatura folclórica. E era mesmo. Mas ele foi eleito. E agora? Não. Definitivamente, não há seriedade na política neste país. Airton Soares de Alcantara, Rio de Janeiro
Vitória esmagadora do deputado Severino Cavalcanti nomeado democraticamente novo presidente da Câmara. O governo federal sofre mais uma expressiva derrota no Congresso. Carlos Arthur Schwarz, Vitória
Senti como mais uma bofetada desferida contra meu rosto a eleição do deputado Severino Cavalcanti. A sua plataforma eleitoral atingiu em cheio os anseios dos já robustos ''representantes do povo'', que agora têm como aumentar o número de funcionários comissionados por gabinete e dobrar os salários dos homens que legislam para nós. Antonio Mattar Villela, Rio de Janeiro
O deputado Severino Cavalcanti, que não chegou a concluir o ensino médio, a partir de agora exigirá salário superior ao de ministros do STF e, provavelmente, diárias pagas em dólar ou euro, nos percursos semanais Recife-Brasília-Recife. Como ressaltou Villas-Bôas Corrêa (no JB de ontem, pág. A11), ''a era Severino promete''. Antonio Mendonça Bezerra, Rio de Janeiro
[17/FEV/2005]
Home > Colunas
> Cartas
|