Não nos enganemos com o crescimento da economia brasileira no ano de 2004. O desenvolvimento consistente do nosso padrão de vida só acontecerá quando o governo resolver diminuir as taxas de juros, pois, com a atual política de juros altos, todo o sistema propulsor do desenvolvimento econômico fica comprometido, a começar pela indústria e o comércio. Enquanto a economia brasileira não for direcionada para a solução dos problemas internos, buscando com prioridade a correção das injustiças sociais, acumuladas ao longo dos séculos, continuaremos marcando passo, na medida em que todo crescimento obtido servirá, única e exclusivamente, para amortizar as dívidas contraídas com os
agiotas internacionais.
Júlio Ferreira, Recife
Renda
Da mesma forma que precisamos acabar com a escravidão para incrementar o consumo e consolidar a revolução industrial, precisaremos reduzir a concentração da riqueza e aumentar drasticamente a distribuição de renda, para que o capitalismo, a liberdade e a democracia não se transformem em meros registros históricos. Nem que seja apenas por medo, egoísmo ou conquista de mais consumidores, não podemos mais retardar tal iniciativa.
Aécio G. Cavalcanti, Rio de Janeiro
Câmara
Nossa sorte é que entre todos os candidatos a presidente da Câmara só um vai ser eleito pois, de outra forma, não haverá orçamento que resista ao rombo provocado pelas promessas feitas quase todas de forma imoral, pois destinam-se a rechear ainda mais o bolso sujo de nossos congressistas. Não é à toa que no grupo de trabalho (mais um) promovido pelo governo na tentativa de eleger seu candidato, o convidado de honra é o ministro da Fazenda e dono da chave do cofre. Mas os outros não são muito melhores e, em matéria de criatividade, são igualmente perdulários, desde que seja com o dinheiro do povo. Fala-se em aumentar salários e subsídios a patamares nunca dantes imaginados, criar novas benesses e agrados ao sedento bolso dos nobres representantes do povo que, em seu tradicional patriotismo, estão extasiados com as músicas quiméricas que estão ouvindo. No discurso, entretanto, fala-se em consolidação da democracia. A que democracia estarão de referindo?
Perla Pacheco Leão, Rio de Janeiro
Condenado à morte
Faz bem nosso governo em não pedir pelo brasileiro condenado à morte por tráfico de cocaína em sua prancha, na Indonésia, pois trata-se de assunto interno daquele país. A impunidade no Brasil, onde as leis só existem no papel, cria na sociedade a mentalidade do jeitinho ou do não vai dar em nada, o que efetivamente acaba ocorrendo, e acham que a anarquia que existe aqui existe no mundo inteiro. Há poucos meses tivemos o exemplo de uma brincadeira (ou palhaçada?) de dois jovens no desembarque em um aeroporto nos Estados Unidos. E o que aconteceu? Aplicaram-se as penas do país. Se fosse aqui, provavelmente achariam graça. No caso do rapaz na Indonésia, o crime foi de tráfico de drogas. Ele não sabia o que estava fazendo? Na certa devia achar que lá era igual ao Brasil, onde não acontece nada.
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro
Tribunal Superior
Antes mesmo de recomeçar no batente, nem tão batente assim, e após um afrontoso recesso que eles mesmos se atribuíram, como casta privilegiada que julgam ser, os respeitáveis e meritíssimos ministros do Superior Tribunal de Justiça decidiram, como primeiro ato de sua cansativa pauta de trabalho, renovar a sua própria frota de carros e para tanto gastaram alguns milhões de nossos suados impostos.
E não se pense que compraram carrinhos furrecas como o estado das finanças públicas aconselharia, mas, ao contrário, escolheram os carros mais caros do mercado: 37 Omegas importados e equipados com toda a tecnologia de ponta ao preço unitário de R$ 146.500. Não esqueceram nem de mandar colocar macios bancos de couro. Sinceramente, na hora em que o governo nos aperta e espreme para arrancar o último centavo de impostos, seria de se esperar atitude mais responsável de um Tribunal Superior.
Lucas M. Granato, Niterói (RJ)
Quantos bilhões o Estado do Rio de Janeiro estará deixando de lucrar se a instalação de uma nova unidade de petroquímicos básicos, pela Petrobras e pelo Grupo Ultra, for direcionada para o Espírito Santo ou para São Paulo? Quantos empregos, diretos e indiretos, o Estado do Rio poderá estar perdendo? Os entraves ambientais serão gerados apenas se a petroquímica for instalada na Baía de Sepetiba? Os riscos não serão previsíveis se a petroquímica for instalada em outra região do Rio de Janeiro ou em outros estados? Com tanto avanço tecnológico, não há como evitar problemas ambientais futuros, conciliando desenvolvimento e preservação da natureza? Por onde andam os nossos senadores, deputados federais, deputados estaduais e até mesmo os prefeitos dos municípios interessados e vereadores das bancadas locais, que não se reúnem com urgência, junto aos técnicos da Petrobras e responsáveis pelo desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro, a fim de assegurar que a petroquímica seja instalada em nosso estado? São algumas perguntas que precisam ser respondidas após a notícia veiculada pela imprensa de que a refinaria petroquímica do Grupo Ultra poderá ir para São Paulo ou para o Espírito Santo.
Sinvaldo do Nascimento Souza, Rio de Janeiro
As declarações do secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio, Wagner Victer, revelando que a Petrobras já trabalha reservadamente com técnicos do governo do Rio na escolha de um local para o projeto da nova refinaria de petroquímicos é preocupante. A obrigação maior da Petrobras como estatal federal é resguardar em primeiríssimo lugar os interesses nacionais e secundariamente o de seus acionistas e não os de qualquer estado da federação. O que se espera de um empreendimento empresarial é que ele siga os critérios técnico-econômicos quanto à sua localização e nunca os critérios políticos.
Roberto Ribeiro de Castro, São Paulo