Se nem mesmo o lixo deve ser jogado fora indiscriminadamente, muito menos se deve jogar seres humanos em depósitos imundos como são as prisões brasileiras. É preciso que haja preocupação em reaproveitar a parte reciclável dos que delinqüem, como se faz com o lixo. Acumular lixo em grande quantidade e sem critérios pode gerar um sem-número de problemas sanitários. Fazer o mesmo com seres humanos gera problemas muito piores. Entretanto, logo aparecerá alguém para dizer que o Brasil não tem recursos para reciclar o ''lixo social'', como fazem os países ricos. Ora, o custo de combater o produto das fábricas de criminosos que são nossas prisões é muito maior. As mortes por causas violentas no Brasil chegam a 150 mil por ano e custam ao Estado metade do que ele gasta com saúde, sem falar ainda nas despesas crescentes com segurança pública.
Eduardo Guimarães, São Paulo
O sistema penitenciário brasileiro continua a sofrer pela falta de pessoal qualificado à execução de uma tarefa de natureza especial: a guarda desses detentos. Isso se evidencia principalmente se considerarmos o acréscimo da massa carcerária, que em cinco anos praticamente triplicou. Hoje 21 mil presos ocupam as 40 unidades prisionais existentes em todo o Estado do Rio e apenas 3 mil agentes penitenciários têm a quase impossível missão de manter a custódia e a ordem nesses cárceres. Essa situação é preocupante e merece a atenção das autoridades.
Alcy Coutinho, Rio de Janeiro
Desarmamento
A neurose coletiva aumenta. Vive-se a síndrome da violência. Até onde é válida a Lei do Desarmamento? O Estado, em matéria de segurança, mostra-se impotente, não conseguindo controlar a situação. Até quando serei uma presa fácil e indefesa da desordem estabelecida? O Rio é uma grande favela. As pessoas de bem estão fugindo daqui.
Marcelo L. Araújo, Rio de Janeiro
Rio São Francisco
Quanto à transposição das águas do Rio São Francisco, quero acrescentar que o estudo de impacto ambiental deve incluir o tema ''Efeito sobre a piscosidade do mar ao longo do litoral do Nordeste'', pois, faltando os nutrientes que este grande rio despeja no mar, poderão faltar os nutrientes que alimentam os peixes.
Konrad Güth, Rio de Janeiro
Governo Lula
Não sou o único a achar que as idas do Planalto ao exterior são fórmulas usadas para dissipar nuvens negras. Basta que a crise se torne insuportável no Brasil para que a comitiva arrume as malas e viaje para onde a realidade ainda não chegou. Davos e outros centros de discussões das políticas mundiais, cravejados de pessoas vivendo seus 15 minutos de fama, são perfeitos para o resgate da paz de espírito do nosso presidente. Ali, onde as vaias dão lugar aos aplausos, ele pode dissertar longa e despreocupadamente sobre seus sonhos sem dizer como os realizará. E entre o abraço de Bono e o beijo da Sharon Stone, passa a acreditar que tudo aquilo é verdade. Se der errado, ele bota a culpa nos oitos anos de FH.
Marcus Drummond Boeira, Nova York (EUA)
Aumento da Light
O Ministério Público do Rio, com a Procuradoria da União, vai tentar bloquear o aumento extra da Light. Tomara que consigam, mas, se isto constar das regras da privatização e do contrato, não há juiz que não dê ganho de causa à Light se o assunto parar na Justiça. Espero que o cidadão veja que tudo isto tem origem nas regras da privatização que foram feitas no governo FH e que só preservavam os interesses dos compradores, aos consumidores nada. É bom que abram os olhos e não se deixem levar pelos discursos de bom-moço que o PSDB e PFL estão fazendo agora.
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro
A Aneel concedeu reajuste extra à Light que entrará em vigor assim que o Ministério da Fazenda autorizá-lo. Em cima do reajuste anual que veio em novembro, os consumidores da Light - em 31 municípios do Estado do Rio - vão pagar mais 6,13%. É pública e notória a queda dos salários, aposentadorias e pensões nos números que constituem o PIB, aliado ao crescimento da carga tributária no país. Não é só a Light que está em ''apuros financeiros'', os trabalhadores também estão. Esta na hora de o Ministério da Fazenda mostrar na prática que não é o ''Ministério dos Juros''.
Emanuel Cancella, Rio de Janeiro
Gestão fiscal
O relatório da Gestão Fiscal de 2004, assinado pelo secretário do Tesouro em exercício, Almério Cançado Amorim, publicado no Diário Oficial de 28 de janeiro, revela que a dívida mobiliária do governo federal atingiu R$ 1 trilhão e 255 bilhões. São títulos colocados na rede bancária e rendem aos bancos, para rolá-los, 18,25% de juros ao ano, maior despesa pública do país. O endividamento - acentua o relatório - cresceu 10% em relação a 2003 e significa 76% do Orçamento da União para 2005. Enquanto isso, o Diário Oficial do Rio, de 31 de janeiro, informa que a dívida do Estado alcançou R$ 42 bilhões em dezembro, 11% acima da registrada no exercício anterior. O que está havendo? O Planalto e o Palácio Guanabara precisam explicar à opinião pública, pois se as receitas tributárias subiram nos últimos 12 meses e, no plano nacional, as exportações nunca cresceram tanto, como entender que a conseqüência seja o avanço das dívidas?
Pedro do Coutto, Rio de Janeiro
Cuba
O governo brasileiro vai liberar para que os médicos formados em Cuba possam exercer a profissão aqui. É um governo inovador e criativo. Se pode diminuir o emprego no Brasil, por que não? As promessas de campanha devem ter sido espalhadas Cuba também. Será que Fidel também vai liberar em Cuba aos brasileiros que quiserem sair da nossa violência urbana para ir morar lá?
Antonio José G. Marques, São Paulo