Não é fácil viver nas grandes cidades do século 21.
Estamos sempre apressados, corremos risco de vida em cada esquina, tudo custa caro. Moro no mesmo lugar há oito anos, um prédio de apartamentos com quatro unidades por andar. Durante todo esse tempo meu contato e o da minha família com os que moram a alguns metros de nós nunca passou de cumprimentos polidos e comentários desenxabidos sobre o tempo ou qualquer outra bobagem. Certa vez, uma de minhas filhas chegou, mas todos tinham saído e ela não tinha a chave. Um vizinho, do mesmo andar, chegou e a encontrou sentada à porta do apartamento. Cumprimentou-a, polido e sorridente, e entrou em seu apartamento sem sequer perguntar se ela gostaria de esperar lá dentro. As pessoas, nas grandes cidades, não se aproximam de outras sem um motivo. Medo? Arrogância? Acho que os que habitam as grandes cidades não têm prazer de viver e, portanto, de ter mais contato humano que o necessário. Por isso são as pessoas mais tristes e desalentadas que caminham sobre a Terra.
Eduardo Guimarães, Rio de Janeiro
Madeireiros
O secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco, informou que o governo não cedeu uma vírgula no acordo com os madeireiros do Sudoeste do Pará que interditaram estradas, ameaçaram explodir um caminhão com produtos químicos e provocar um banho de sangue. É impressionante a forma despreocupada do governo em dar declarações para a imprensa, como se esta não soubesse distinguir entre ceder e não ceder. Bem melhor fez a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que saiu da reunião sem dar declarações.
Abel Pires Rodrigues, Rio de Janeiro
'São Lula'
Como explica em ótimo artigo Marcelo Kischinhevski (JB, de ontem, pág. A2), parece não existir nexo de causalidade necessário e suficiente entre o regime de metas e o comportamento da inflação numa economia. Da última vez que afrouxamos chegamos a mais de 70% de inflação ao mês no fim do governo Sarney. Agora, como conciliar essa realidade com a de pagarmos R$ 140 bilhões anuais de juros, com o nível rasteiro de execução política que temos, é arte acima do poder de qualquer sacerdote. Estando mais na alçada dos santos que fazem milagres. O mais recente, São Lula, parece que não está resolvendo.
Sérgio de Souza Tôrres , Rio de Janeiro
Fóruns
Em artigo no JB (ontem, pág. A11), Leonardo Boff conseguiu, como ninguém, resumir a missão de Lula e os dois fóruns. Que os epulões de hoje não fiquem só no banquete e na fala em Davos enquanto os pobres disputam as sobras da gastança e do desperdício. Nunca o mundo foi tão rico e tão pobre. Davos e Porto Alegre, Deus queira que um dia se reúnam e configurem uma missão: salvar a humanidade do abismo ecológico e humano, para onde caminham céleres. Desse abismo ninguém escapa. Há tempo de mudar o caos mundial onde todos, sem exceção, nos encontramos.
João Carlos Moura , Rio de Janeiro
Frango congelado
O Instituto de Defesa do Consumidor fez pesquisa em São Paulo e constatou que nove entre 10 marcas de frango, congelado, enganam o consumidor com excesso de gelo. Aqui no Distrito Federal, já encaminhei várias reclamações sobre tal prática, mas sem sucesso. Estamos pagando água nos frangos e peixes e frutos do mar congelados sem qualquer providências das autoridades.
Magda Maria de Assis Rocha , Brasília
Saúde
A situação caótica na saúde do Rio se arrasta há pelo menos uma década, com espasmos de indignação e denúncias pela mídia. Porém, a gênese de tal situação não tem solução a curto e médio prazos. Essa é exatamente a questão social. O crescimento desordenado das comunidades de baixa renda pela cidade afora cria uma demanda por serviços muito acima da capacidade instalada ou a instalar-se. Pode-se até administrar melhor o caos. Mas saná-lo,impossível.
Marcelo Frick Rio de Janeiro