Briga de galos
n Vivo sempre dizendo que perdi minha capacidade de me surpreender. Não é verdade. Nos tempos de hoje, a cada momento, tropeço em novas surpresas. A última foi o conjunto de declarações indignadas (e, acredito, sinceras) de Duda Mendonça, figura conhecidíssima, principal homem de marketing do PT: Participar de rinha de galos é um hobby seu há anos e ele não vê nenhum mal nisso. Não entende por que está preso. Caso o Duda Mendonça não sofra nenhuma punição, minha conclusão será a de que devo pertencer ao reduzido grupo de irrecuperáveis moralistas empedernidos. Alvaro Sá de Castro Menezes, Rio de Janeiro
Rinha de galos é uma excrescência. Um espetáculo sangrento destinado a mentes conturbadas. Só não acho que Duda Mendonça, o marqueteiro-mor do PT, apreciar essa barbaridade tem alguma coisa a ver com seus clientes, sejam empresas ou políticos. A exploração política do assunto será um ato sórdido. Eduardo Guimarães, Rio de Janeiro
O atual marqueteiro do PT, Duda Mendonça, foi flagrado e preso participando de uma rinha de briga de galos da qual declarou ser sócio. Disse ele: ''Não estou fazendo nada de errado; esse é o meu hobby''. Como não cara-pálida, patrocinar briga de galo não é crime? Qual é o compromisso político e social deste sujeito? Para além do crime ambiental, há, a meu ver, uma questão ainda mais grave. A impostura ética e moral. Rodrigo Borges de Campos Netto, Brasília
Ao ser preso numa rinha de galo, o publicitário Duda Mendonça invocou o fato de todos no Brasil saberem que aquilo é seu hobby e por isso ele não estaria fazendo nada de errado. Se formos pensar assim, nenhum criminoso deveria ser preso no Brasil, pois bastaria alegar que aquele crime é seu hobby. Abel Pires Rodrigues, Rio de Janeiro
Na minha infância, nas minhas férias em Paquetá, sempre ouvi falar em briga de galo. Sabia onde ficava. Assisti a uma, para nunca mais. Ninguém reclamava. Fazia quem queria e via quem gostava. Agora foi só prender gente famosa, pessoas amigas de gente importante para fazerem todo este reboliço. Ficou óbvio que misturaram todas as sintonias, na necessidade de mostrarem trabalho, porque, com certeza, a briga de galo continuará no mesmo lugar. Teresa Abreu de Almeida, Rio de Janeiro
Bom o trabalho da Polícia Federal que descobriu um clube onde se realizavam brigas de galo, em Jacarepaguá, proibidas por lei. Assim a gente vai vendo quem são as pessoas. Aparecem de bonzinhos, tipo faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. O flagrante deixa em maus lençóis o publicitário Duda Mendonça e o vereador, reeleito, Jorge Babu, que teve a coragem de dizer que estava lá para agradecer os votos dos eleitores. Panayotis Poulis, Rio de Janeiro
STJ
Aprendi que a Justiça só se manifesta quando provocada. Assim, gostaria de saber o que provocou o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal, a afirmar ser contra a abertura dos arquivos dos serviços de inteligência do governo dito militar - que teria muito a revelar das proezas de membros do atual governo -, já que o próprio Executivo declarou que eles não existem mais. Tem dúvidas? É uma opinião como cidadão ou o ministro do STJ sabe de algo mais? Paulo Marcos G. Lustosa, Rio de Janeiro
Rosinha
Quer dizer que fazer cadastramento a 13 dias da eleição para comprar casas a R$ 1 em Campos não é eleitoreiro? O que é então? O secretário estadual da área alegou que se não fosse feito agora o programa poderia ficar comprometido e não ser concluído devido a prazos, restrições etc. Por causa de 13 dias, secretário? Então, me desculpe, mas são realmente incompetentes, como alegou não serem. Panayotis Poulis , Rio de Janeiro
Não sou daqueles que alimentam teorias conspiratórias ou têm mania de perseguição, mas não dá para deixar de ver que o TSE está utilizando um peso e duas medidas nesta que deve ser a mais vergonhosa campanha eleitoral. Enquanto o presidente Lula é multado por ter declarado seu apoio a Marta Suplicy, a governadora Rosinha Garotinho distribui kits escolares, anuncia casas a R$ 1 e, mais grave, muda a sede do governo para Campos com o intuito de ajudar seu candidato, num flagrante crime eleitoral. Rosa Leal, Rio de Janeiro
Energia nuclear
O Brasil vai retomar o seu programa nuclear e planeja construir quatro usinas nucleares para a geração de energia elétrica no Norte e Nordeste, cujos dois primeiros reatores já estarão funcionando em 2010. Mais uma vez somos obrigados a engulir ''goela abaixo'' os acordos firmados por este governo que não consegue nem controlar o Bolsa-Família e agora insiste em reiniciar o programa de usinas nucleares, como já não bastasse as duas de Angra que semanalmente assustam os seus moradores. José Pedro Naisser, Curitiba
'Cidade partida'
O artigo de Fernando Santana, Rio, uma cidade partida (Coisas do Brasil, 22/10, pág. A2), aborda dois enfoques do problema de segurança no Rio de Janeiro. Penso que ele deva se estender mais alertando governantes e governados de que o problema tem outra origem: seres humanos despreparados para viver com dignidade com os recursos financeiros que possuem descambam para o consumo de drogas, refugiando-se neste, e seus recursos morais que são fracos os levam a isso. E se refugiam em drogas. Sérgio Luiz Storino Gonçalves, Rio de Janeiro
China x Brasil
A China cresce em ritmo acelerado, enquanto o Brasil globalizado patina em taxas pífias. Na China, tanto o corrupto quanto o corruptor são condenados. No Brasil, persegue-se os corruptos enquanto paparica-se os corruptores. A corrupção não é privilégio do Brasil. Um petroleozinho aqui, uma concessãozinha ali, uma comissãozinha mais adiante, uma guerrinha preventiva em algum lugar exótico e assim o mundo neoliberal vai funcionando, corrompendo tudo e todos. Essa é a realidade globalizada. Roberto Bittencourt dos Santos, Rio de Janeiro
Juros
Os juros de 16,75% ao ano que o governo paga à rede bancária para rolar a dívida interna de R$ 770 bilhões, e mais os débitos de R$ 210 bilhões estaduais e municipais, nada têm a ver com a inflação. Na realidade, são incapazes de poder detê-la. Como acentuou o JB (22/10). A taxa paga está vinculada, isso sim, à necessidade de maior captação de recursos. Caso contrário, o Brasil teria se transformado no único devedor que se empenha para pagar taxa maior aos credores. A elevação dos juros em 0,5% representa uma despesa adicional de quase R$ 5 bilhões a cada 12 meses. Pedro do Coutto, Rio de Janeiro
[23/OUT/2004]
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