Paulo Maluf - apesar das implicações nos obscenos processos noticiados pela imprensa - formalizou seu apoio a Marta Suplicy no 2° turno em São Paulo. O Partido dos Trabalhadores e o presidente Lula mostram sua verdadeira face. Sem ética e sem compromisso. O objetivo é um só: o poder pelo poder. Entende-se a indiferença de Brasília em relação à violência no Rio de Janeiro. O problema de maior urgência no país, hoje, é preterido por cestas básicas, farmácias populares, ações assistencialistas e demagógicas.
Rubem Paes, Rio de Janeiro
É uma tragédia, mas o que está em jogo na eleição do próximo dia 31 em São Paulo não é o melhor projeto para a cidade; é a própria democracia. Exagero? De forma alguma. A democracia está ameaçada quando a única forma de os cidadãos obterem informações num país deste tamanho e num mundo globalizado, que é através da imprensa, está viciada, pois a imprensa de São Paulo informa o que quer, como quer e quando quer, tentando induzir as pessoas a acompanharem a opção política de meia dúzia de empresários de comunicação. É obrigação, pois, de todo cidadão que quer ver a democracia vicejar opor-se a essa aberração que vem sendo a cobertura midiática sobre a eleição em São Paulo. Deve-se lutar contra a censura que os grande empresários de mídia instalaram no país. É uma luta desigual devido à covardia, ao autoritarismo, à perfídia dessa gente. Mas não há que esmorecer.
Eduardo Guimarães, São Paulo
No debate da eleição municipal em São Paulo tem de ser dito que a prefeita Marta Suplicy pegou uma prefeitura falida envolvida em escândalos de corrupção e a saneou, implementando vários programas sociais. Serra, seu adversário, foi superministro de FHC, aliás, o PSDB escondeu durante toda a campanha municipal seu grande líder, FHC. Os tucanos, que falavam em chamar para os debates temas nacionais, agora só falam da cidade e, vão além, querem impedir Lula de participar da campanha. Mais o triste é constatar que Maluf e os malufistas vão decidir quem vai ser o próximo prefeito.
Emanuel Cancella, Rio de Janeiro
Violência urbana
Houve uma época em que o brasileiro urbano, que ainda podia morar em uma casa espaçosa, desfrutando de um bem cuidado jardim frontal e um sombreado quintal ao fundo, foi forçado a buscar a alternativa de morar em apartamento, procurando maior segurança para a sua família. Esse era um tempo romântico, quando os ladrões ainda assaltavam com o tradicional aviso: ''a bolsa ou a vida''. Hoje, os tempos são outros! Além de apartamento não ser mais sinônimo de segurança, chegamos ao um ponto no qual o assaltante tem um mórbido prazer em tirar a vida da sua vítima.
Júlio Ferreira, Recife
Inversão de papéis
É muito fácil para políticos de esquerda em época de eleições usar de discursos em que se prega igualdade social e melhor distribuição de renda. O difícil para esses políticos, após as eleições, é cumprir tais promessas e, principalmente, trabalhar em prol do povo. É o que vem acontecendo com políticos do PT que, contrariando as tradições do partido, depois de eleitos esquecem o povão e voltam sua atenção para a elite, caindo em tentação e governando para a classe alta.
Sebastião Pedro Ribeiro, Rio de Janeiro
Rio violento
A governadora do Estado do Rio entregou uma carta ao cônsul britânico protestando contra a reportagem do The Independent, que qualificou o Rio como cidade da carnificina e cocaína. O cônsul pode até ter recebido a carta, por questão de elegância, mas o que o governo britânico tem a ver com isto? A carta deveria ter sido entregue, ou enviada, àquele jornal, que até pode ter exagerado no termo carnificina, mas não está longe da realidade.
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro
Lendo a carta de vários missivistas sobre a reportagem de um jornal inglês, sobre a situação no Rio de Janeiro, quase todos deram eco à reportagem, sem ao menos saber o que está por trás e quais são os objetivos da reportagem. Gostaria de lembrar que carnificina é o que os ingleses estão fazendo no Iraque. Carnificina, escravidão, submissão, pilhagem etc. foram o que os ingleses praticaram com todos os povos que não acatassem os ditames do império. Um país que tem um povo que sempre apoiou essas atrocidades e carnificinas não tem condições de falar de outro.
Claudio barreiros da Costa e Silva, Rio de Janeiro
Em um momento em que o cidadão carioca se vê abandonado, reportagens como a do jornal britânico servem como uma voz para que as autoridades incompetentes façam jus aos votos recebidos nas urnas. O que foi dito na reportagem citada nada mais é do que a nefasta realidade vivida diariamente por todos nós. Agora vem a hipocrisia em se afirmar que se trata de preconceito ou exagero!!! Pelo amor de Deus!! Por que insistem em nos dar atestado de imbecis???!!!! Que venham jornais estrangeiros para denunciar as mazelas desta cidade!!
Elaine Antunes, Rio de Janeiro
Grande Othelo
Como responsáveis pela idealização e realização do projeto Grande Othelo - 90 anos, esclarecemos que, diferentemente de nota publicada no dia 4 na coluna Boechat, a família do artista Grande Othelo não vendeu o acervo do pai. Vencemos um edital de concorrência pública, mais uma em 12 anos de carreira íntegra. Para preservar o desejo dos herdeiros de Othelo, a posse do acervo é garantida a eles. O projeto, que obteve patrocínio de R$ 249 mil da Petrobras, inclui a organização, catalogação, digitalização do acervo e uma posterior organização de um guia de fontes, além de um site, em um ano de trabalho de uma equipe de pesquisadores. Inclui ainda uma peça, o musical Grande Othelo - Eta Moleque Bamba, em cartaz no Teatro Sesi e, até o aniversário de 90 anos de Grande Othelo, em outubro de 2005, serão realizadas uma exposição, uma biografia e um documentário longa metragem. A família negociou a catalogação e exposição pública para permitir o acesso a pesquisadores, estudantes e a todos que possam se interessar por uma importante arte da história da cultura brasileira, preservada em 64 caixas guardadas por quase 10 anos pela família e intocadas até agora. Todo o projeto envolve, até agora, o trabalho de 70 pessoas. O primeiro dessa envergadura com o nome de Grande Othelo, tratando de sua memória e de seus herdeiros com o respeito que merecem.
Andréa Alves e Ana Luisa, diretoras da Sarau Agência de Cultura Brasileira