Excelente o editorial
Obscura Democracia, de 12/7, condenando frontalmente - como todos jornalistas e leitores devem fazer - a iniciativa do governo de criar o Conselho Federal de Jornalismo. A idéia não faz sentido. O conflito humano é eterno, a imprensa é o espelho livre que o reflete. A liberdade de informação já foi sufocada pela ditadura militar em prejuízo do país. O atual projeto, obscurantista e retrógrado, como definiu o
JB, atinge profundamente o regime democrático. Recorrer à censura, de que tipo for, significa reconhecer o próprio fracasso. A imprensa não inventa desastres: apenas os reflete e interpreta. O nazismo de Hitler, a absurda guerra do Vietnã, causadora do avanço das drogas no mundo, a tragédia de 11 de setembro, a repugnante ocupação do Iraque, não são obras de ficção. Mas estão para sempre nas páginas da história.
Pedro do Coutto, Rio de Janeiro
A proposição do governo de promover uma volta ao tempo da censura tem um quê de balão de ensaio. Em alguns episódios anteriores o governo soltava uma notícia bem pesada para depois recuar. O que para oposição soa como despreparo para governar, se analisado friamente mostra um aprendizado de como lidar com o povo brasileiro (pelo menos na idéia de quem manda no PT). Nesse caso da Ancinav e do Conselho Federal de Jornalismo pode estar embutida apenas uma tentativa de assustar com algo despropositado e exagerado para chegar a uma fórmula que proponha uma melhoria da utilização das mídias e do espaço da concessão pública.
Fabiano Tenuta da Silva, Rio de Janeiro
Pelo visto, o governo Lula ''estatiza'' a informação de forma inacreditável, como nos tempos do Estado Novo, quando Filinto Müller ''imperava'' no comando da censura e do arbítrio. Agora, com o projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo, o governo quer um povo cego, surdo e mudo! Ora, trata-se sem dúvida de um atentado à liberdade.
Fernando d'Ávila, Rio de Janeiro
Estão fazendo uma confusão, por desconhecimento ou interesse escuso, entre Conselho de Jornalistas e Conselho de Imprensa. A conservadora instituição SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) faz um ataque virulento à proposta do Conselho federal de Jornalismo, dizendo ''que se trata de grave ameaça à liberdade de expressão e imprensa no Brasil''. Há muitos argumentos para se opor a esta posição da SIP. Cito três: primeiro, na democracia não há liberdade absoluta para ninguém, todos obedecem a limites e restrições; segundo, jornalista é uma coisa, dono de jornal é
outra; terceiro, ou os Conselhos servem para todas as categorias ou não servem para nenhuma. Jornalista não pode ser exceção.
Antonio Negrão de Sá, Rio de Janeiro
Planos de saúde
O formato jurídico de exploração do negócio de planos de saúde, envolvendo a manipulação de recursos de terceiros sem a fiscalização dos mantenedores e sem a obrigação de publicação de balanços e relatórios, representa um risco para os mais de 40 milhões de associados. É inadiável obrigar as empresas que exploram o negócio a se ajustarem ao controle dos recursos que administram, sob pena de bloqueio dos bens adquiridos pelas empresas e pelos seus diretores. A decisão abriria caminho para que novas organizações entrassem no negócio, acabando com a discussão de preços que ameaça um sistema que não pode ficar exposto à falência.
Orlando Machado Sobrinho, Rio de Janeiro
Futebol
O técnico do Botafogo, Mauro Galvão, foi absolvido na última segunda-feira pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O treinador havia sido acusado de xingar o árbitro Carlos Eugênio Simon, no empate com o Palmeiras, dia 13 de julho. Se o técnico foi absolvido, é sinal de que o STJD entendeu que o técnico não xingou o juiz - que, portanto, teria mentido na súmula. Pergunto: o juiz vai ser punido?
Cesar Oliveira, Rio de Janeiro
Extintor obrigatório
Em vários países da União Européia, o extintor não é mais um item obrigatório nos automóveis. Os motoristas, na maioria absoluta dos acidentes, não conseguem manter a calma ou ter a perícia necessária para o uso. E o pequeno tamanho dos extintores, seja qual for o tipo, faz com que sejam inúteis no caso de incêndio do automóvel. O extintor continua sendo exigido no Brasil, inclusive nas blitze policiais da madrugada. Agora, o Contran decidiu exigir que em 2005 todos os extintores sejam substituídos pelos de tipo ABC - não por acaso, fabricados por poucas empresas.
Claudio Souto, Rio de Janeiro
Aborto
Não entendi a indignação da leitora Marisa Sanematsu (Cartas ao Editor, ontem) contra o sentimento de piedade que o artigo de Ives Granda (Como se faz um aborto, 12/8, pág. A13) possa despertar em relação ao feto condenado ao abortamento. Matar é um sentimento anti-natural no ser humano; matar o próprio bebê, mesmo com defeito, uma aberração, pois a iniciativa é tomada pela pessoa na qual a criança confia. Não se trata de sentimentalismo apelativo como foi insinuado, mas de amor pelo ser indefeso, inocente e enfermo que cresce alojado nas entranhas da mãe.
Carmen Lúcia Andrade, Rio de Janeiro
Li com grande interesse e sensação de alívio o ótimo artigo Como se faz um aborto, de Ives Gandra. Ao tentarem ser senhores da vida, alguns homens e mulheres se esquecem que o senhor da vida e da morte é Deus. Causando ou não sofrimento ao feto durante o aborto, fica claro que isso é homicídio. Pondo em Deus a confiança, Ele ''que sustenta os fracos e levanta os que caem'', penso que devemos, em qualquer caso, entregar a Ele nossas angústias e alegrias, agradecer-Lhe o dom da vida e todos os demais dons, esperando ter na vida eterna as recompensas pela fidelidade prestada.
Antonio Luiz Porto e Albuquerque, Rio de Janeiro
Não posso deixar de me juntar às inúmeras pessoas que o tem elogiado sobre seus artigos a respeito do aborto. A coluna, por si só, já é um libelo irretocável nessa luta contra o aborto e peça imprescindível, que deveria ser lida no plenário do STF antes de qualquer julgamento sobre casos semelhantes.
João Martinho F. de Rezende, Rio de Janeiro
Rio
Li com imenso prazer o artigo de Carlos Lessa (O negócio do ócio, 12/8, pág. A13). A cidade tem vocação para o lazer e turismo. As universidades públicas cariocas têm um papel importante nesse processo. Por que não usá-las de forma competente? Teríamos mais empregos e, conseqüentemente, mais auto-estima para a cidade.
Mônica Visconti de Melo, Rio de Janeiro
Saúde pública
Verbas para o sistema de saúde pública diminuem ano a ano, e quando aprovadas, são disputadas pelos interesses eleitorais e pela corrupção. Sem remédio e sem material humano, os hospitais e postos de saúde nada podem fazer. Para começar a resolver este velho problema, porque o governo federal não convoca Estados e municípios, e juntos tomam uma atitude digna e patriótica, na tentativa de descobrir a melhor maneira de viabilizar o funcionamento do SUS, que é o plano de saúde mais viável para o cidadão brasileiro?
Wilson Gordon Parker, Nova Friburgo (RJ)
Polícias
É sabido que a duplicidade policial - Civil e Militar - só dificulta o combate ao crime. Assim, urge que essas corporações sejam substituídas por uma única polícia - sem o aposto Civil ou Militar - aproveitando a oportunidade para a criação de uma Polícia de Vigilância Especial, com seus membros dispostos por 24 horas nas calçadas dos quarteirões da cidade.
Manoel Marques, Rio de Janeiro