O jornalismo pressupõe liberdade de expressão. Qualquer forma de controle sobre o texto jornalístico tende a evoluir para a censura pura e simples. Por isso é fora de propósito a criação do Conselho Federal de Jornalismo, com o objetivo de fiscalizar o exercício da profissão de jornalista. O que se está pretendendo é um gritante retrocesso, pois, sob a desculpa de criar um órgão de controle profissional, estarão sendo estabelecidas normas punitivas, que irão tolher a manifestação do livre pensar. Espero que o jornalismo brasileiro, que soube resistir ao Estado Novo, na década de 30, e à ditadura militar, principalmente no período pós-AI-5, não se curve ante esta clara tentativa de limitar a sua capacidade de crítica.
Júlio Ferreira, Recife
O Poder Judiciário já aceita uma fiscalização externa. A maioria das classes trabalhadoras recebe essa fiscalização. Como entender que os jornalistas se recusem, como se formassem uma casta intocável de cidadãos acima de qualquer suspeita? Que essa fiscalização seja executada também em suas fileiras. Que sejam criados mecanismos para que se coíba o mau jornalismo, as manchetes tendenciosas e sensacionalistas, as matérias pagas e insultuosas. Fiscalização nesses profissionais que não têm compromisso com o verdadeiro jornalismo.
Antonio Villela, Rio de Janeiro
Às pessoas que sentem a proposta do governo Lula de criar o Conselho Federal de Jornalismo como uma tentativa de cerceamento da liberdade de expressão, lembro que muitos dos integrantes do PT fizeram parte de um sistema autoritário, na qualidade de oprimidos e perseguidos. Em circunstâncias diferentes, não sendo mais oposição, mas com as rédeas do governo nas mãos, a inversão de papéis, dentro do mesmo sistema, é esperada. Por isso, não devemos estranhar os projetos de lei de controle da produção audiovisual, do jornalismo e do Ministério Público. Os dominadores, agora, são eles.
Mariúza Peralva, Niterói
Alerta vermelho para as liberdades democráticas no país. Formação do Conselho Federal de Jornalismo com a finalidade de, entre outras coisas, fiscalizar o exercício da informação; Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual, com o intuito de controlar as atividades de informação; lei restringindo a atividade do Ministério Público e impedindo a divulgação de resultado de investigação, ainda que não seja hipótese de segredo de Justiça. Não bastam vozes discordantes, mas a união de todos para rechaçar essas iniciativas que podem conduzir o país a uma nova era de autoritarismo.
José Augusto Soares, Rio de Janeiro
Márcio Thomaz Bastos, de respeitável currículo democrata, parece ter sofrido uma lavagem cerebral depois que foi convidado a participar do governo Lula. Passou a defender o abrandamento das penas para condenados por crimes hediondos; o afastamento do Ministério Público das investigações; e agora o projeto fascista de cerceamento do jornalismo, com a criação do Conselho Federal de Jornalismo. Chamando de ''onda de denuncismo'' as denúncias contra o atual governo, o ministro sugere uma mordaça para impedir que as falcatruas venham a público.
Odilon Martins Fonseca, Rio de Janeiro
A maioria das profissões possui conselho federal e conselho de ética. Por que os jornalistas seriam uma exceção? É fundamental que parta da própria categoria o debate em torno de questões tão delicadas que envolvem a imprensa. A sociedade precisa rever esse poder absoluto da mídia. Não se trata de censura, mas da necessidade de coibir os excessos, como o denuncismo irresponsável, a quase inexistência do direito de resposta nos mesmos espaços da informação caluniosa e difamatória e a manipulação em favor de candidaturas. Concordo, porém, que é necessário o cuidado para que não haja partidarização do conselho.
Carlos Vasconcellos, Rio de Janeiro
Quando o PT venceu as eleições, ouviu-se com grande alarde que a esperança havia vencido o medo. Porém, o que vejo, neste momento, é um sentimento de medo com as propostas e ações que o governo do PT vem nos impingindo. São medidas que nos fazem lembrar o período negro da repressão, do autoritarismo, do poder exacerbado.
José Luiz de Oliveira Santos, Rio de Janeiro
Crimes hediondos
Causaram espanto as declarações do ministro da Justiça sobre a Lei dos Crimes Hediondos. Como reconhece o próprio ministro, no momento em que a sociedade brasileira se vê acuada em seus lares, cercada de grades nem sempre suficientes, a proposta do ministro nos parece inoportuna. Muito cômoda, aliás, porque na realidade o problema está na incapacidade administrativa, em um código penal obsoleto, na impunidade, na corrupção, na falta de policiamento preventivo, em gigantescas brechas jurídicas. Qualquer abrandamento de penas neste momento só servirá de incentivo aos criminosos em atividade e em potencial.
Paulo Braun, Passa Quatro (MG)
Parabéns ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, pela proposta de abrandar as penas dos autores de crimes hediondos, ou seja: tráfico, seqüestro, corrupção de menores, etc. Enquanto isso, nós, trabalhadores pagadores de impostos, continuamos confinados atrás das grades de nossas residências, transformadas que foram em autênticos presídios.
Luiz C. Rangel, Petrópolis (RJ)
Este governo não falha: a cada dia escancaram-se nas manchetes dos jornais idéias emitidas pelos altos escalões, no mínimo indecentes. Desta vez foi a sugestão do ministro da Justiça de que crimes hediondos devam ter penas mais brandas! Esmerou-se nosso ministro. Justifica que isso aliviaria a superpopulação das prisões. Agora é que o estupro, a pedofilia, a tortura, farão parte do dia-a-dia, pois talvez passem a ser considerados inimputáveis.
Cláudio Tavares Cals de Oliveira, Rio de Janeiro
Se a Lei dos Crimes Hediondos não cumpre o objetivo é porque não está havendo um verdadeiro poder de dissuasão contra o crime. Se o sistema penitenciário permite a formação de quadrilhas dentro do presídio é porque há permeabilidade entre presos e guardas. Se com a lei em vigor a população já não consegue se sentir segura, imaginem sem ela.
Dion de Assis Távora, Rio de Janeiro
Camelôs
É comum a reclamação contra os camelôs: tomam as calçadas dos pedestres; vendem produtos piratas, contrabandeados ou roubados; fazem concorrência desleal aos comerciantes estabelecidos; sujam as ruas; contribuem para a desordem urbana. Apenas uma minoria deles, hoje, é feita de gente necessitada e honesta que, de fato, merece um tratamento especial. A população exige providências.
Diva Maria Paes, Niterói
Baleias
É revoltante, a cada baleia encalhada nas praias brasileiras, testemunhar a absurda inoperância e o inadimissível despreparo dos órgãos públicos para a recondução desses animais ao mar. O que vemos são cenas deprimentes de pessoas comuns e, no máximo, bombeiros, tentando arrastá-las de forma nada profissional e sem qualquer equipamento próprio. O máximo que conseguem é abreviar a vida do pobre animal, não sem antes causar-lhe toda a sorte de torturas físicas.
Jorge de Assunção Filho, Rio de Janeiro
'Domingo'
Foi com imenso prazer que li a abertura da revista Domingo com o texto inteligente, leve e enxuto de Anna Maria Ramalho. Mais um motivo para fazer da revista uma leitura obrigatória.
Aristóteles Drummond, Vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro