A reportagem publicada ontem pelo
JB, focalizando a atuação ilegal do empresário Daniel Dantas, não apenas no Brasil, mas também no exterior (
Executivo acusa Daniel Dantas, pág. A3) e em vários setores, reflete de forma nítida o que foi a política de privatização do governo FHC, feita com recursos dos fundos de pensão e financiamentos do BNDES. Créditos não pagos nos setores de telecomunicações e distribuição de energia passam de R$ 20 bilhões, o que mostra que, na realidade, a privatização somente ocorreu no comando das empresas, não em seu capital. Daniel Dantas age neste contexto.
Pedro do Coutto, Rio de Janeiro
Na briga pela controle da Brasil Telecom, que o JB vem cobrindo, tomara que nós, usuários de linhas telefônicas, não venhamos a pagar o pato, isto é, não tenhamos de arcar com o custo da contratação de espiões internacionais. Era só o que faltava, ser-nos imputado um acréscimo, em nossas contas, a título de ''taxa de espionagem''
Pedro Alberto de Araújo Lima, Brasília
Palace 2
As leis brasileiras foram redigidas com ambigüidades, destinadas a acomodar situações. Sendo assim, mandaria o bom manual de serviço que, quando surgisse um caso como o da indenização pelo desabamento do Palace 2, os juízes interessados se reunissem para discutir a sentença a ser aplicada. Este caso é o espelho da Justiça brasileira, onde cada juiz interpreta a lei conforme lhe parece. No caso do Palace 2, o juiz Luiz Felipe Salomão soube descobrir a ambigüidade que pode favorecer os mais fracos, mas sempre está a favor dos privilegiados.
Wilson Gordon Parker, Nova Friburgo (RJ)
O Brasil inteiro está estarrecido com o desfecho do caso Palace 2. Após seis anos de idas e vindas, protelações e liminares, chegou-se a um consenso e os moradores vão, enfim, receber parte do que lhes é devido. Mas uma juíza tentou embargar o pagamento, por dívidas à União. Se Sérgio Naya deve tanto à nação, como pode estar solto?
Roberto de Alencar, Niterói
Aborto
Muitas pessoas que insistem em defender a ''vida'' de seres sem cérebro e sistema nervoso nunca tiveram filhos assim, mas julgam-se no direito de palpitar a partir de superstições. Não são médicos ou juristas quem deve decidir, e sim os pais, a quem cabe o terrível ônus. É uma hipocrisia condenar o aborto de anencéfalos numa época em que muitos seres humanos ''normais'' não têm condições de sobrevivência digna com trabalho, saúde e educação.
Gloria Vepi, Rio de Janeiro
Apóio a idéia do articulista Antonio Sepulveda (Vontade manifesta, ontem, pág. A11) de que cada unidade da federação tenha sua lei, votada em plebiscito, para o caso do aborto de anencéfalos. O Brasil copiou mal o pacto federativo americano, gerando casos como o das vítimas do edifício Palace 2, que não sabem qual autoridade decide: a federal ou a estadual.
Paulo Marcos Gomes Lustoza, Rio de Janeiro
Na coluna de ontem, Antonio Sepulveda sugere um plebiscito a cada vinte anos sobre o aborto e outras práticas que acabam com a vida de uma pessoa (eutanásia, pena de morte, etc). Não se pode permitir que um plebiscito escolha entre matar ou não um inocente! A lei deve garantir a proteção de nossos direitos, especialmente do principal deles: a vida.
Ana Cecília de Campos Sampaio, Rio de Janeiro
Turismo
Mesmo com a propaganda negativa da imprensa carioca, movida por razões políticas, o Rio de Janeiro foi a cidade mais visitada no Brasil por turistas estrangeiros, dos quais, segundo dados da matéria, 97,2% querem voltar à cidade (Turismo de negócios à carioca, ontem, pág. A15). Impressiona também a posição do Rio como a cidade que mais sediou eventos internacionais nas Américas, superando Montreal e Nova York. É hora de tratar nossa cidade com o carinho e respeito que ela merece.
Ailton Silva, Niterói
Planos de saúde
Se o governo quisesse mesmo resolver o impasse entre os consumidores e os planos de saúde, bastaria estabelecer a concorrência, acabando com a carência imposta a quem passa de um plano para o outro. Hoje, ninguém muda porque teme cumprir longas carências para ser atendido. O governo também poderia criar um sistema de bonificação, como acontece nos demais tipos de seguro, assegurando descontos para quem usa menos os planos de saúde.
Roberto Salgado, Rio de Janeiro
Lula
Em São Tomé, na África, o presidente Lula fez discurso em defesa da democracia e depois viajou para o Gabão, onde desfilou num Rolls Royce ao lado do ditador Omar Bongo, que governa o país com mão de ferro há 37 anos. É incrível a capacidade do presidente de dizer uma coisa e desmenti-la horas depois, sem o menor constrangimento e com pose de estadista.
Abel Pires Rodrigues, Rio de Janeiro
Banco Central
As denúncias que culminaram com o afastamento de um diretor do Banco Central deixam muitas dúvidas. Para exercer esses cargos, além da desejável competência, não há que se ter reputação ilibada? Como alguém que sonega impostos e omite bens em sua declaração pode assumir postos dessa importância? A Receita Federal deveria fazer uma devassa no mercado financeiro, incluindo os dirigentes e administradores de fundos de pensão. Muitos tiveram invejáveis saltos em seus patrimônios, o que só escondem do Fisco. Enquanto a Receita Federal coloca os assalariados na malha fina, os grandes sonegadores ficam impunes.
Gladson Santos de Mattos, Brasília
Copa América
A análise de Tostão sobre a final da Copa América é um primor, provando que craque é craque (Nem azar nem sorte, ontem, pág. C4). Com a bola no pé ou com as teclas na ponta dos dedos.
Cesar Oliveira, Rio de Janeiro
Quem jogou futebol e foi craque como Tostão não tem o direito de dizer inverdades como ''Alex sempre coloca a bola na cabeça do companheiro''. Na Seleção, o meia tem se limitado às bolas paradas, o que é muito pouco para um jogador responsável pela criação de jogadas.
Valmir Barbosa, Rio de Janeiro
A turma que foi ao aeroporto receber os campeões da Copa América deve ter levado a sério o apelo e o pedido do nosso presidente Lula para reverenciar os nossos heróis. Não entendo o mérito para tanta gratidão.
Teresa Abreu de Almeida, Rio de Janeiro
Segurança
Leio no Jornal do Brasil que há crise na PM. Os traficantes devem estar comemorando as cabeçadas da polícia. Só será possível diminuir a corrupção com um serviço de inteligência eficiente e um necessário aumento salarial para a PM e a Polícia Civil.
Antonio Kämpffe, Rio de Janeiro
Circo Voador
Foi muito bom estar na primeira domingueira do novo Circo Voador. Mas os ingressos estão caros:
R$ 20 para homens e R$ 15 para mulheres. Será a famosa lei de 50% para estudantes que obriga os produtores a fixar esses preços? Continuo com saudades da domingueira popular de outros tempos. Enquanto isso, manobristas com colete Vaga Certa cobravam R$ 10 pelo estacionamento. A quem denunciar?
Wanderley Quarte Pereira, Rio de Janeiro
Iraque
É covarde e irresponsável a estratégia militar utilizada pelos EUA no enfrentamento das forças de resistência no Iraque. Lançam mão de artilharia pesada contra alvos civis, quando o objetivo é liquidar focos de combatentes. É o caso de espingarda de matar elefante sendo usada para caçar borboletas.
Júlio Ferreira, Recife