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Governo Lula


Brilhante, como sempre, o artigo de Dora Kramer (A persistência no equívoco, ontem, pág. A2). Após criticar a desastrada tentativa do governo de extorquir mais recursos da sociedade para cobrir despesas via aumento de tributos, conclui o texto com uma crítica mordaz ao aumento de gastos do Palácio do Planalto em 150%, ao exorbitante número de ministérios criados pelo governo Lula e à criação de 3 mil sinecuras para amigos, companheiros e familiares. Nota dez para a colunista.
Cleber Amorim, Rio de Janeiro

Lula, ex-operário e líder sindical que se negou a ser candidato pela segunda vez a deputado federal depois de ter sido o mais votado do país para não se misturar aos ''300 picaretas do Congresso'', agora presidente clama por heróis para o povo brasileiro. Repete o discurso de chefes de republiquetas, regimes fundamentalistas e antigas ditaduras, ciosos por elevar a ''auto-estima'' do povo e cultuar aos heróis.
Waldemar Weller, Rio de Janeiro

Exercitando mais um factóide, desta vez tendo como tema a ''auto-estima'', o presidente Lula reclamou dos brasileiros que não cultuam seus heróis. Tem razão o presidente, pois aqueles que imaginamos que poderiam ser nossos grandes heróis estão sempre nos decepcionado. O último garantiu na campanha eleitoral que era contra a CPMF, contra os juros extorsivos, contra o aumento da carga tributária, contra a submissão ao FMI, contra a corrupção. Eleito, foi o que se viu. Como cultuar heróis com esse perfil?
Anna Maria Baptista Fagundes, Rio de Janeiro

Juros

A rede bancária e as administradoras de cartões de crédito utilizam o método da capitalização mensal de juros. Segundo esse método, o mutuário que tivesse contraído empréstimo de R$ 1.000 em julho de 1994, teria em junho de 2004 a dívida de R$ 2.886.900,48, considerando só a taxa média (6,925%) de junho do Banco Central. O lucro recorde dos bancos se faz à custa do endividamento crescente do povo.
Luis Vergniaud, Rio de Janeiro

Charge

Excelente a charge de Ique no JB (20/7, pág. A8), defendendo a Justiça no simbolismo da sua imagem mutilada. Fundamento essencial do regime democrático, ela deve ser uma instituição protegida e preservada. Que se aperfeiçoem as leis e se tornem mais eficientes seus trâmites burocráticos, ampliando-se a quantidade de varas, serventuários e magistrados, de modo que ela possa ser rápida e acessível a todos, independente da condição social, cumprindo o seu relevante papel no Estado.
Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro

Lei do Abate

Ao divulgar a informação de que aviões suspeitos não serão abatidos caso tiverem uma criança a bordo, não estaria o ministro da Defesa dando uma bela sugestão ao tráfico de entorpecentes? Em caso positivo, não poderia ser acusado por facilitação? Afinal, ninguém duvida que, agora, crianças passarão a fazer parte da tripulação de aviões com cargas clandestinas.
Mariúza Peralva, Niterói

No Brasil toda lei tem um porém. Nunca é feita com um ponto final, sempre é com uma vírgula. Agora vem esta ''Lei do Abate'', que trata das aeronaves dos narcotraficantes. Se houver uma criança dentro do avião, este não poderá ser abatido. Fica difícil o progresso do país, já que essas crianças têm a proteção de um estatuto que só beneficia os ''pequenos marginais''. Mediante esta ''vírgula'', os traficantes, quando não usarem os filhos dos seus lavradores, irão seqüestrar os nossos filhos.
Aristides Gallipoli, Rio de Janeiro

O governo atual deve merecer elogio pela corajosa, necessária e útil medida na guerra contra as drogas. Avião não identificado deve ser abatido sumariamente caso a suspeita de conduzir drogas seja comprovada, apesar da inaceitável intromissão americana por uma década. Viva a soberania nacional e as Forças Armadas da Aeronáutica.
Luiz Edmundo C. Saraiva, Rio de Janeiro

Brasil

Olho em volta e só vejo desperdício no governo, a suntuosidade dos palácios da Justiça, o número exagerado de parlamentares inúteis mas cheios de assessores, uma burocracia que nos custa os olhos da cara, sonegação, desvios milionários sempre impunes, deputados que enriquecem num piscar de olhos. E lá vai o Brasil! É por isso que o dinheiro do governo nunca é suficiente, mesmo que quase nada nos seja devolvido como contraprestação dos tributos que pagamos.
Elias Nascimento Yussef, Rio de Janeiro

Segurança

O cidadão fluminense não tem razões para se preocupar: de seu estratégico recesso, o secretário Garotinho avisa que a segurança está melhorando no Rio. Pena que os fatos o desmintam. Pior para os fatos!
Ulisses Martins de Souza, Niterói

''Quando houver um confronto entre bandido e polícia, o policial está proibido de morrer''. Não importa qual integrante da segurança pública criou esta tão polêmica frase. Só sei que, na última semana, quatro policiais foram executados friamente. Quando o policial mata um bandido, moradores e testemunhas plantadas afirmam que a polícia matou um trabalhador inocente. Quando ocorre o contrário, o policial estava em cumprimento do dever. É por essas e outras que a bandidagem deita e rola e saem impunes de tudo.
Déborah Farah, Rio de Janeiro

O general Augusto Heleno Pereira, que comanda a missão de paz do Exército brasileiro no Haiti, informou o tipo de trabalho realizado naquele país: ''Fazemos uma patrulha a cada meia hora para desarmar o povo e conter a violência''. Ou seja, enquanto vivemos no Rio de Janeiro situações nas quais os próprios PMs são pegos em flagrante assaltando a mão armada, nossos militares estão fazendo em outro país aquilo de que mais precisamos aqui. Por que não aproveitamos essa experiência no Haiti e a aplicamos no Rio?
Christianne Maroun, Rio de Janeiro

Chuvas

Benditas as chuvas que lavam as nossas encostas, diminuindo o trabalho da Secretaria de Obras e da Comlurb. O exemplo mais recente é o da Av. Niemeyer. Com as chuvas, rolaram as pedras soltas e o lixo que os favelados despejam morro abaixo. Agora, é só recolher os detritos em uma pista asfaltada. Não precisa escalar o morro para recolher o lixo, obrigação da Comlurb, nem providenciar as obras de contenção das encostas. A população que precisa se deslocar para trabalhar e pagar impostos que se dane!
Luiz Eduardo Martins Taddei, Rio de Janeiro

Planos de saúde

Fui surpreendida com o aumento de cerca de 85% nas mensalidades do meu plano de saúde e verifiquei que não poderei pagá-las, pois o reajuste que tive como funcionária pública não vai chegar a 20%, após muitos anos sem aumento. O governo não tomou nenhuma providência para coibir o aumento abusivo. A saúde do povo não é reconhecida como questão da administração pública?
Cláudia Ferrer, Rio de Janeiro

Os jornais me parecem muito tímidos na abordagem do tema ''planos de saúde'', mesmo representando, estes últimos, o maior abuso praticado no Brasil nos últimos tempos. Fico imaginando o nosso Brasil entregue ao SUS, falido, sucateado e praticamente inexistente. Que iremos fazer se de fato os planos se tornarem impraticáveis pelo preço escorchante e insuportável? Por que os jornais são tão suaves na abordagem desse tema?
Valério March Cavalcante, São Paulo

Dívida

O governo sucateou o serviço público federal e não tem dinheiro para remunerar os cientistas ou pagar um salário mínimo de R$ 275. Enquanto isso, gasta anualmente R$ 1,5 bilhão em publicidade.
Delmiro Schmidt de Andrade, Belo Horizonte


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[22/JUL/2004]


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