Sempre entendi ser dever da Justiça proteger a vida, principalmente a de inocentes, e lutar para que todos tenham iguais oportunidades. Por isso, surpreendeu-me a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, de permitir - violando a Constituição, como explica Ives Gandra da Silva Martins (
O Supremo e o homicídio uterino, JB, 15/7, pág. A13) - o aborto de crianças anencéfalas. Matar, senhor ministro, não elimina o sofrimento de nenhuma mãe. O que faz sofrer é a falta de solidariedade, de alguém com quem compartilhar as dores e as alegrias. Em vez de estimular a cultura da morte, devemos ajudar com compreensão e solidariedade para diminuir o sofrimento das mães. Exemplo maravilhoso deu o médico que realizou o parto de uma criança anencéfala, segurando-lhe a mãozinha durante seus 40 minutos de vida. A criança e, especialmente, a mãe receberam desse médico o conforto, o carinho e a segurança de alguém que entende ser o egoísmo o fardo insuportável que mata a alma.
Eliane Quadros Barros, São Paulo
O Direito é uma eterna transação entre o justo e o útil, não se podendo atenuar esse princípio por sentimentos individuais de teor moral duvidoso. Como escreveu Fernando Orotavo Neto (O Supremo e a justiça da vida, 18/7, pág. A13), a gestante deve gerar a vida, e não a morte. Não se pode, apenas por considerações filosóficas, impor o prosseguimento de uma gravidez inútil de um feto descerebrado e natimorto.
Carlos Alberto Dias Ferreira, Rio de Janeiro
Estranha a 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que definiu a prática do aborto como ''ponto-chave'' de suas demais reivindicações. Certamente não representaram a mim ou às mulheres brasileiras, de maioria católica, que é contrária à legalização do aborto. É inacreditável que, para aquelas senhoras, matar os filhos é prioridade.
Nilza Queiroz da Silva, Rio de Janeiro
Tenho acompanhado nas Cartas ao Editor do Jornal do Brasil relatos de mães que optaram por levar a termo a gravidez e estão em paz com suas consciências. É natural ao ser humano inclinar-se para a vida e o amor, e não para a execução de seus próprios filhos.
Carmem Cândido de Andrade, Rio de Janeiro
Liberais
Cumprimento o professor Ubiratan Iorio pelo belíssimo artigo A angústia dos liberais (ontem, pág. A13). É um conforto ver palavras lúdicas que tocarão a muitos e provocarão reações negativas em outros, mas de todo o modo esse é o trabalho a ser feito e está sendo bem executado.
Nelson Sousa, Rio de Janeiro
Crateras
Parabéns ao jornalista Hugo Marques e ao JB pela matéria Uma cidade ameaçada por crateras (18/7), sobre o surgimento de crateras de até 20 metros em Vazante (MG). A Companhia Mineira de Metais, que segundo os moradores provocou o problema ao bombear água no subsolo para extrair zinco, alega que o fenômeno é natural. Do jeito moroso com que as autoridades brasileiras costumam tratar os problemas que ameaçam a população, pode ser que os relatórios, propostas e ações só venham quando o município já tiver sumido.
Anita Bevilaqua, Rio de Janeiro
Eleições
Parabéns ao jornalista Israel Tabak, do JB, por ter questionado as regras do debate de domingo entre os candidatos a prefeito do Rio. A atitude da Rede Bandeirantes, que passou previamente as perguntas para cada candidato, resultou numa discussão artificial e ensaiada.
Maristela Memere Riski, Rio de Janeiro
Como pode o Tribunal Superior Eleitoral aceitar candidaturas de 907 militantes do Movimento dos Sem-Terra em todo o país? Já não bastam os pastores e bispos que acumulam fortunas e compram emissoras de TV e rádio? Este Tribunal deveria impedir que espertalhões chegassem ao poder em busca de imunidade para se protegerem da Justiça.
Aristides Gallipoli, Rio de Janeiro
'Sete Dias'
A coluna Sete Dias do último domingo (18/7) está além de excelente. Em Sobreviver é perigoso, Augusto Nunes faz uma síntese perfeita do Brasil, país do futuro. Mas o governo petista vai dar um jeito nisso. Talvez esteja num difícil dilema: adotar a expectativa de vida do Haiti, de 49,4 anos, ou de Serra Leoa, de 34,3 anos? Meus parabéns pelo brilhantismo, aliás de sempre.
Nilmar Velasco, Rio de Janeiro
O jornalista Augusto Nunes foi simplesmente sublime na coluna deste domingo. Que ele seja mesmo o nosso trombone.
Roberto Alves de Souza, Rio de Janeiro
O artigo de Augusto Nunes, Um mapa para o presidente (18/7, pág. A16), oferece ao leitor o mapa político do nosso presidente. Lula tem reclamado muito das denúncias de corrupção que são feitas pela imprensa. O PT só chegou ao governo porque sempre teve liberdade para fazer e apoiar todos os tipos de denúncias que lhe convieram. Ninguém poderia imaginar que a paciência se transformaria em sentimento de primeira necessidade no governo do PT.
Wilson Gordon Parker, Rio de Janeiro
Augusto Nunes precisa tomar cuidado com o mapa também! O Amazonas não faz fronteira com a Bolívia. Quanto ao Lula, ele poderia explorar mais o fato de que não existe presidente que saiba o que está fazendo quando tem 35 subordinados, e alguns ''in''... Folguei em saber que o colunista, com muito bom senso, reverencia o saudoso Roberto Campos, que costumava lembrar uma frase de Churchill: ''Nada mais conservador do que um trabalhista no governo''.
Roberto César de Castro, São Paulo
N.R.: O colunista esclarece que ''no mapa está evidente que o Amazonas não faz fronteira com a Bolívia. Mas não aparece Mato Grosso do Sul (aliás, um dos Estados governados pelo PT). Como o texto diz que a fronteira boliviana tangencia quatro Estados, e o Amazonas está incluído na ilustração, o leitor foi induzido ao erro pelo colunista''.
Segurança
Depois das declarações do sub-secretário Marcelo Itagiba, proibindo policiais do Rio de Janeiro de morrerem, tivemos a triste notícia de que, em apenas 16 horas, quatro policiais foram abatidos mortalmente por marginais. Nos últimos 15 dias, esse número sobe a 10, em serviço ou em falsas blitze, e ainda com a absurda notícia de que traficantes ofereceram uma recompensa de R$ 10 mil para matarem um inspetor de polícia. Este é o clima em nosso Estado, onde as ações contra policiais podem servir como termômetro de como anda a segurança pública. Se aqueles que devem prover a segurança estão ameaçados, que dizer da população?
Fernando Duarte Gomes Cancela, Diretor de Comunicação do Sindicato da Polícia Federal do Rio de Janeiro
No que diz respeito aos administradores públicos, em todos os níveis de atuação, o Rio de Janeiro é uma cidade triste, suja e abandonada, cansada de chorar diariamente pelas vítimas da violência.
Fábio Domingos, Rio de Janeiro
'Glam Rio'
A revista Glam Rio está um escândalo! Produções lindíssimas, papel fantástico, tudo mil. Parabéns.
Adriana França, Rio de Janeiro
Em qualquer lugar do mundo e em qualquer língua, a revista Glam Rio seria um grande sucesso. Parabéns, e obrigada ao JB por tanto talento e beleza.
Graça de Oliveira Santos, Rio de Janeiro
Alto Leblon
Muito oportuna a reportagem do JB sobre as edificações no Alto Leblon. Só faltou salientar que os novos edifícios estão desfigurando um dos últimos recantos de paz da cidade. As condições do tráfego, já precárias na região, vêm se agravando com o aumento do número de moradores.
Sérgio Marques Peixoto, Rio de Janeiro