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Salário mínimo


O governo Lula, com a distribuição de cargos e a tão valiosa liberação de verbas para emendas de parlamentares dóceis, enterrou de vez o salário mínimo de R$ 275 nesta triste quarta-feira de duplo luto. O acréscimo de R$ 15, aprovado no Senado e derrubado na Câmara, custaria cerca de R$ 2 bilhões. Somente com o acréscimo de receita obtido a partir do aumento da alíquota da Cofins, de 3% para 7,6%, o governo arrecadará em 2004 mais de R$ 6 bilhões, ou seja, só o excedente da Cofins já seria o suficiente para pagar três vezes a diferença de R$ 15,00. Uma miséria, negada a 17 milhões de trabalhadores e comemorada com o entusiasmo de quem vence a Copa do Mundo.
Rodrigo Borges de Campos Netto, Brasília

O presidente Lula está rezando por ter conseguido, na Câmara, manter o salário mínimo em R$ 260. Para quem sempre prezou pela democracia, não faz o que prometeu. O brasileiro apostou em um presidente filho do povo. Lula veio como salvador para os desamparados e, na primeira oportunidade, pagou um aumento de R$ 20. O povo brasileiro se sente humilhado com esse tipo de tratamento.
Jefferson Garcia Nachard Mendonça, Niterói

A sessão da Câmara para a votação do novo salário mínimo me lembrou as reuniões do centro acadêmico nos tempos de faculdade. O presidente da mesa chamando, off-line, um colega de cretino, tentativas de agressão, miniatura de caixão, deputados carregando gêneros alimentícios. Se a Câmara reflete e representa a imagem da população brasileira, como deveria ser, estamos mal.
Roberto Ribeiro de Castro, São Paulo

Depois de formarem a quadrilha do salário mínimo no Parlamento, os deputados voaram para terreiros, a fim de participar de quadrilhas menos ofensivas à moralidade pública. Nas festas juninas de 2004, os parlamentares jogaram na fogueira o resto de ética que ainda existia nos corredores de Brasília.
Wilson Gordon Parker, Nova Friburgo (RJ)

'Propinoduto'

Sob o argumento de que condenados cumprindo pena com possibilidade de recurso a instância superior podem aguardar o novo julgamento em liberdade, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, ordenou que todos os ladrões do bando de Silveirinha fossem soltos. Há tempos, ele liberou Salvatore Cacciola. Se a suprema corte não reformar o enfoque jurídico de Marco Aurélio, terá ele, sozinho, mudado o Código Penal. Isso porque, dos 250 mil presos e mais 150 mil foragidos, quase todos podem recorrer das penas. Assim, teriam de ser soltos também.
Pedro do Coutto, Rio de Janeiro

Alguém, por favor, poderia explicar a decisão do ministro do STF Marco Aurélio Mello? Não quero a linguagem nem o palavreado empolado dos advogados. São desnecessários. Quero honestidade, transparência e qualquer argumento que me faça sentir menos enojada.
Patrícia Coelho, Rio de Janeiro

O ministro Marco Aurélio Mello colocou toda a máfia do ''propinoduto'' novamente nas ruas. Libertou até os encarcerados que nem pediram para sair. Estarrecedor o empenho do ministro em buscar brechas legais para libertar malfeitores. Diz ele que só para um leigo pode parecer estranha a decisão do STF. Não, ministro. Estranho seria se o senhor os mantivesse na prisão.
Rubem Paes, Niterói

Brizola

O que aconteceu antes do jogo Flamengo x Santo André, pela Copa do Brasil, no dia 23/6, em São Paulo, do ponto de vista político, foi imperdoável. O árbitro não consignou a homenagem à morte de Leonel Brizola - com o ''minuto de silêncio'' - porque não recebeu ordens oficiais. Mas quando morreu a princesa Diana, da Inglaterra, a homenagem a ela foi prestada em todos os campos de futebol do Brasil. Em um país que se acomoda em ser colônia dos países mais ricos do mundo, todos devem considerar normal a falta da homenagem a Brizola.
Mauro Cézar Sá da Silva, Rio de Janeiro

Absurda a leitura de que a política de segurança de Leonel Brizola era permissiva, só porque se baseava no respeito aos direitos humanos. Se fosse assim, como explicar o recrudescimento da violência em todos os Estados do país nas últimas décadas? A culpa está nas políticas neoliberais, que engendram a miséria e a desigualdade, e nos que as defendem, incluindo os meios de comunicação, que não dão espaço para pessoas como ele fazerem a crítica devida a esse sistema perverso e injusto.
Marcos Marques de Oliveira, Niterói

Interessante constatar como os americanos, quando do obituário de Ronald Reagan, se ocuparam tanto com o elogio como com a crítica de seu desempenho como político. Já no Brasil, basta o indivíduo morrer para se tornar herói. A morte de Leonel Brizola é um bom exemplo disso. Até de meigo o cavalheiro foi adjetivado, não sendo exatamente de cavalheiro que posou, certa ocasião, num embate político com a ex-deputada Rita Camata.
Theo J. Santos, Rio de Janeiro.

O PT sempre foi um corpo sem cabeça. Quadros altamente politizados, apoiados por intelectuais teóricos, com a fantasia de ter como líder um militante sindical capaz de governar ao chegar ao poder. Deu no que deu: continuísmo, imobilismo e desmoralização do partido e dos seus agentes no poder. Com o PDT seria o mesmo, com outra formatação: partido só com cabeça e corpo atrofiado. Sem idéias, com rótulos e jargões no lugar de ideologia, personalista e centralizador.
Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro

Como pensar o Brasil sem os velhos líderes, bons e maus? Prestes, Vargas, Juscelino, Jânio, Afonso Arinos, Bilac Pinto, Tancredo Neves, Carlos Lacerda, Jango e Brizola? Tivemos os truculentos ditadores da caserna, para cair, 22 anos depois, na euforia democrática-demagógica de Ulysses, Sarney, Collor e Lula. Salvou-se Itamar, embora pequeno e, sobretudo, o estadista FHC. O mais é a mediocridade.
Marco Aurélio Chaudon, Rio de Janeiro

Ministério Público

Em agosto próximo, o plenário do STF vai decidir se o Ministério Público pode ou não conduzir investigações a fim de provar algum crime. O enfraquecimento do MP só interessa aos corruptos, àqueles que desviam recursos públicos e a poderosos que não se sentem ameaçados pelas investigações feitas apenas por delegados de polícia. A grande maioria da sociedade apóia a atuação investigativa do Ministério Público.
Flávio Romero Ferreira Soares, Brasília

Face à possibilidade do ministro Nelson Jobim, do STF, obter dos seus pares a decisão de declarar ilícitas as investigações do Ministério Público, o governo do presidente Lula deve ter em conta que muitos ou todos os nossos juízes podem libertar os megaladrões, presos ao cabo de investigações do MP, declarando sua ilicitude. Até mesmo aqueles ainda não condenados, como o ex-senador Luiz Estevão e o deputado Jader Barbalho, passarão à condição de inocentes. Daí para frente, ninguém mais segurará a corrupção.
Gilberto Souza Gomes Job, Rio de Janeiro

Eleições em SP

A eleição em São Paulo terá ''caráter nacional'', certo? Então, é bom nos prepararmos para aquilo com o que estarão preocupados os principais candidatos. Serra tentará promover o julgamento do governo federal; Maluf utilizará a campanha para se defender das acusações de corrupção e Marta Suplicy, que deveria prestar contas de sua administração, passará a campanha defendendo Lula. Todos os anos, quando chove em São Paulo, temos calamidade pública: o trânsito fica infernal, milhões de pessoas têm suas casas inundadas e, na eleição do responsável pela solução desse problema, falar-se-á de tudo, menos dele.
Eduardo Guimarães, São Paulo


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[25/JUN/2004]


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