|
|
Olimpíadas 2012
[20/MAI/2004]
É lamentável o fato de o secretário estadual de Esportes apenas criticar o projeto apresentado pela Prefeitura do Rio para a candidatura às Olimpíadas 2012 e somente agora expor sua opinião, sem nada ter colaborado para melhorá-lo. Aliás, o Governo do Estado não tem colaborado nem mesmo para o Pan 2007, pois tem ''emperrado'' a construção da Linha 4 do Metrô, nada tem feito para dragar e revitalizar as lagoas da Barra da Tijuca e não consegue terminar a obra do emissário submarino.
A perda da candidatura do Rio não é exatamente uma perda da cidade, mas das pessoas que comandam o Estado, essas pessoas que se nutrem das mazelas do pobre cidadão. Os poderes Legislativo, Executivo e ''paralelo'' são os que mais saem perdendo, pois não terão como arrecadar nos superfaturamentos das obras públicas e nem nas vendas das drogas que poderiam inflar seus ganhos com a chegada dos turistas.
Parece perseguição. A grande maioria dos órgãos de imprensa atribuiu a não realização das Olimpíadas no Rio à violência. Acredito que não foi só isso. A violência em Nova York (11 de setembro), Madri (11 de março e ETA) e Moscou (chechenos e máfia) são bem piores que o crime pseudo-organizado da nossa capital.
Louvável o esforço de algumas autoridades para trazer jogos internacionais para o Rio. Primeiro o Pan, com sucesso, agora a Olimpíada, ainda sem sucesso. O que sucede após mais essa tentativa frustrada é o espelho da falta de perspectiva de algumas dessas autoridades. Secretário de Esportes falar mal do projeto e eximir-se de responsabilidade quando sua chefe se encontra completamente sem rumo é, no mínimo, uma descortesia, para não dizer falta de interesse real pela cidade que o viu crescer.
Seria bom o Rio deixar de ser paranóico: essa cidade foi, é e será sempre a ''Cidade Maravilhosa'', orgulho de todos que a conhecem. Com ou sem Olimpíadas, o Rio será sempre uma cidade próxima do Olimpo e privilegiada pelos deuses.
Infeliz a declaração do prefeito Cesar Maia, ao apontar a segurança como item responsável pelo fracasso da candidatura do Rio para sediar as Olimpíadas de 2012. Mais uma vez ele tenta culpar as outras esferas de governo pelo fracasso, eximindo-se de uma culpa que também é dele. Afinal, o item que mais pesou para a decisão do COI foi a falta de infra-estrutura dos transportes e hotéis. Enquanto os governantes não se conscientizarem de que é preciso total empenho de todos, governos federal, estadual, municipal e sociedade, será muito difícil realizarmos, no Rio e quiçá no país, um evento com a importância dos Jogos Olímpicos.
Após uma grande confusão no meu embarque, em Congonhas, com destino ao Rio de Janeiro, pensei em um artigo sobre o pouco caso com o cliente, a falta de profissionalismo das companhias aéreas, o desrespeito e atenção com os passageiros e de como isso é reflexo da falta de respeito e atenção dos governos, em todas as esferas, com a população. Então, abri o JB, que sempre leio, deparei-me com o editorial Ponte em frangalhos (17/5) e vi que este jornal já estava falando por mim, por nós todos, sobre o que acabara de acontecer. Obrigada.
A nota intitulada Entre amigos (18/5), publicada na coluna do jornalista Ricardo Boechat, traz uma série de incorreções que merecem ser esclarecidas. Em primeiro lugar, o INSS não tem o poder de confiscar bens: a fazenda Vargas Capoeirão (que, fica no Médio Paraíba, e não no Norte Fluminense, como afirma a nota), em Valença, ainda pertence a um fraudador da Previdência Social e foi seqüestrada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para, ao fim da lide judicial, ir a leilão e, assim, ressarcir o INSS de parte do dinheiro desviado pelo esquema criminoso. A fazenda encontra-se hoje alugada por R$ 1.377 e não por R$ 1 e, assim mesmo, porque parte do aluguel foi convertido em benfeitorias no imóvel, cujos custos foram apurados mediante avaliação prévia e abatidos do valor final da locação. Por fim, esclarecemos que o imóvel foi alugado em 2001 para o único interessado à época e, caso o tivesse feito, o INSS estaria incorrendo em despesas mensais bastante elevadas com a sua manutenção.
O sr. Venusto Casto Francisco López (Cartas ao Editor, ontem) e a grande maioria dos que se vangloriam de ter na Presidência uma pessoa que, ainda que não tenha tido a oportunidade de ter acesso à cultura e educação na infância, a teve ao menos nos últimos 20 anos, acham que isso incomoda à classe burguesa e ao ilustre jornalista Villas-Bôas Corrêa. Deveriam perceber que isso é o que menos incomoda em nosso presidente. O que mais incomoda é a sua total falta de capacidade administrativa, sua total indecisão em tudo, que o leva sempre, como diz Villas-Bôas, a conseguir perder jogos aos 45 do 2º tempo, ainda que viesse ganhando de goleada. Ele não teve a humildade de se preparar para atingir seu objetivo de ser o presidente. Infelizmente, todo o povo brasileiro está pagando por tamanha irresponsabilidade.
O Brasil ainda não prestou a devida homenagem a Robert Scheidt, heptacampeão mundial de vela e medalhista olímpico. Ele fez todo o seu aprendizado na Represa de Guarapiranga, de águas tranqüilas e vento normalmente fraco. Daí, pode-se ter uma idéia de sua incrível habilidade náutica, provando que o verdadeiro talento não escolhe espaço ideal para despontar.
É uma ilusão arcaica a adoção de cotas em universidades federais. Desprovida de qualquer fundamento lógico, a proposta tenta explicar-se estruturada em correções tardias e superficiais, encobrindo um conflito de décadas e gerando um ciclo de marginalização inevitável. Torna-se evidente que a medida garantirá aos estudantes beneficiados nada além de vagas em universidades. O total despreparo dos mesmos criará novos obstáculos e necessidades, levando-os novamente à estaca zero. É necessário que se dê fim ao espetáculo da necessidade de complacência ilusória a que se encontram expostos os estudantes da rede pública.
Não vi um só comentário sobre o excelente artigo de Paulo Roberto de Almeida (Novos clientes do Estado, 13/5). O autor, de forma muito clara, precisa e sintética, abordou um dos grandes temas do momento, mas creio que deixou exatamente de tocar num pequeno detalhe. Os mais novos e os mais bem remunerados clientes do Estado não são, na verdade, os pretendidos beneficiários de todos esses programas de transferência de renda. São, isto sim, os intermediários de todos eles que, aboletados em múltiplas sinecuras, garantem boa remuneração...
No artigo O real e o imaginário, de Fernando Peregrino, publicado terça-feira, 18/5, em Outras Opiniões, o nome do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani foi digitado erradamente, sem o i final, e a forma correta da penúltima frase do primeiro período é a seguinte: ''Ou seja, claramente, houve uma discrepância entre a sensação e a realidade dos fatos''.
|
|
Copyright © 1995, 2000, Jornal do Brasil.
É proibida a reprodução
http://www.jb.com.br/jb/papel/colunas/cartas/2004/05/19/jorcolcts20040519001.html
|