A matéria
Prefeitura multiplica verba de publicidade (pág. A13, ontem) revela uma prática comum da política carioca: deixar tudo para o ultimo ano. Cesar Maia tem feito isso em todos os seus mandatos, concentrando obras, inaugurações e placas para os últimos meses, na tentativa de produzir impacto eleitoral e passar a imagem de realizador. As verbas de combate ao Dengue, outras destinada à população de rua e projetos sociais sofreram reduções para compensar o aumento de 897%, segundo a reportagem. O prefeito afirma que o gasto
per capita é menor do que em outras cidades, mas se esquece de que, devido à importância turística, política e cultural da cidade, o Rio precisaria multiplicar em dez as verbas destinadas aos programas sociais para amenizar o caos urbano.
Marco Fonseca, Nova York (EUA)
É inacreditável que a Prefeitura do Rio esteja multiplicando as verbas de publicidade, justamente em ano eleitoral. Enquanto as autoridades municipais estão preocupadas em fazer política, enchendo as ruas de cartazes e placas anunciando obras mirabolantes, os hospitais sofrem com falta de medicamentos e de equipamentos. Médicos e pessoal de apoio estão com salários atrasados. Quem sofre com isso, como de costume, é a população, que não consegue atendimento digno em meio às epidemias de conjuntivite e de dengue.
Carla Guedes, Rio de Janeiro (RJ)
The New York Times
Muito boa a coluna do Wilson Figueiredo no JB de domingo. Até que enfim se vê uma opinião isenta, desapaixonada e sem preconceitos. A imprensa resolveu, em peso, bater em Lula usando um assunto de importância menor. Discuta-se, isto sim, sua atuação nos setores que dizem respeito ao bem-estar do povo e o péssimo desempenho do Congresso, que pouco contribui. Por décadas venho acompanhando o trabalho do colunista e considero que uma das suas grandes qualidades é fugir ao padrão de isenção da maioria.
Edda de Castro, Rio de Janeiro (RJ)
O ministro Márcio Thomaz Bastos tirou água das pedras para transformar a carta do jornalista americano em um suave pedido de desculpas. Foi competente e nos tirou de um vexame maior. Esperamos agora que os conselheiros do rei sejam mais sensatos e menos áulicos. Ainda temos mais de dois anos de governo Lula. É preciso ir devagar com o andor, pois desse jeito chegaremos em 2006 roxos de tanta vergonha.
Wania M. de Castro, Belo Horizonte (MG)
Como leitor assíduo do Jornal do Brasil e, principalmente, de seus colunistas, aprendi a admirar os textos do jornalista Alberto Dines, por seu conteúdo e a maneira sempre correta, lúcida e exemplar de escrever. Entretanto, em seu texto A lógica da ilógica, considero que desta vez o colunista cometeu um grande erro. Os fatos narrados pelo jornalista americano não podem ser considerados levianos. A notícia publicada pelo NYT mostra as fontes do que foi publicado. O jornal não se retratou, quem se mostrou desorientado foi o governo, a fim de encontrar uma saída para uma crise que ele próprio avivou. O ato de expulsão do jornalista Larry Rohter foi efetivado com fulcro em uma lei da época do governo militar, hoje tão combatido pela imprensa e pelos que estão no poder. Foi um ato de exceção. O falso cordeiro mostrou seu lado lobo.
Robledo Caputo, Santa Rita do Sapucaí (MG)
Cotas
Discordo do viés ideológico de Marcus Barros Pinto quando ele sugere um preconceito primeiromundista nos que criticam a proposta de cotas para o acesso ao ensino universitário. Pelo contrário: exatamente por saberem da importância desse ensino para nos colocar em condições de competir com egressos de grandes instituições americanas e européias é que tantas opiniões divergem da proposta governamental. E, ao contrário do que afirma o colunista, na grande maioria dos casos a crítica vem acompanhada da indicação de que a forma correta de eliminar as desigualdades é mediante o investimento imediato na escola pública de ensino médio e no atendimentos às necessidades do alunado carente, nunca baixando os critérios de acesso. Os efeitos de tal sistema serão a curto prazo, formando já amanhã graduados de segunda categoria, dada a necessidade de nivelamento por baixo.
Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro (RJ)
Toda vez que se tocava no assunto das cotas para negros, a grande maioria da população dita consciente e cheia de preocupações sociais se colocava contra e se manifestava a favor de uma cota para pobres, independente do conceito de raça ou cor. Agora que o governo acena com a possibilidade de reservar 50% das vagas nas universidades federais para alunos oriundos de escolas públicas, estou muito curioso para saber qual vai ser a desculpa da vez para ser contra.
Alexandre Clistenes, Feira de Santana (BA)
É uma atitude assustadora deste governo tentar criar reserva de 50% das vagas de universidades federais. Minhas filhas foram vítimas desta seleção cruel que é o nosso vestibular. Foram sete anos de tentativas e finalmente, por um esforço, tiveram o privilégio de conseguir vaga em universidade pública. Mas hoje tenho a plena certeza que este problema não será resolvido com esta atitude puramente política. Uma mudança radical deveria ser organizada tomando a base (Primeiro Grau). Não vamos conseguir melhorar a Educação mexendo no alto da pirâmide. Melhorar a base é o nosso dever. Um aluno mal preparado irá custar muito mais ao Estado. Espero que esta medida não passe.
Roseli Martins, Rio de Janeiro (RJ)
Na excelente edição do domingo (16/5) duas matérias se excederam. A primeira, o belíssimo artigo de Wilson Figueiredo (Conversa de Botequim), com a elegante verve de sempre, coloca a questão da bebericagem presidencial no seu devido lugar. A segunda, a carta do leitor João Pessoa de Albuquerque a Tarso Genro, diz a verdade absoluta quanto à discussão das cotas nas universidades. Para que colocar no nível maior do ensino pessoas que nos níveis médio e menor foram mal formadas e informadas? É a verdadeira inversão de valores. É preciso dar freio e limite às vaidades e à demagogia politiqueira.
Juvenal Ferreira Fortes Filho, Rio de Janeiro (RJ)
Rio sensível
Apenas o JB consegue ter em seus quadros profissionais que conseguem reunir ''razão e sensibilidade'' para conceituar as belezas das pinturas de Facchinetti e as fotografias de César Barreto (Revista Domingo, 16/5). Puro encantamento. Parabéns à editoria.
William Almeida, Rio de Janeiro (RJ)
Crimes de policiais
Excelente e oportuno o artigo Crimes de Policiais Militares, de autoria de Hélio Bicudo (pág. A10, ontem). Não é de hoje que os responsáveis pela segurança pública são acusados da prática de abomináveis crimes e do envolvimento com organizações criminosas. As principais vítimas são os pobres e miseráveis. Se esta situação perdurar só restará, com bem disse Chico Buarque em uma de suas músicas, ''chamar o ladrão''.
Leonardo Isaac Yarochewsky, Belo Horizonte (MG)
Sete dias
Sensacional o artigo de Augusto Nunes sobre Jânio Quadros na edição de domingo. Fiz repercutir entre os amigos do ex-presidente e todos riram muito.
João Carlos Silva, Campo Grande (MS)
Para que não esqueçamos a total falta de pudor da grande maioria de nossos políticos a foto montagem mostrada por Augusto Nunes no último domingo com o pessoal do PT - Mercadante, Palocci, Agnelo, Berzoini, Dirceu - fazendo chacota com o aumento do mínimo na época de FHC deveria ser afixada em local público. Aliás, a coluna completa e os inúmeros artigos de Villas-Bôas Corrêa.
Theotonio Toscano, Rio de Janeiro (RJ)