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Muro


Será que alguém é a favor da expansão das favelas? Ah, não? Então a solução é mesmo cercá-las, seja com muro, grade ou canteiro de flores. Tudo que puder delimitar o espaço, impedindo novas construções. Quando o poder público vai retirar as casas, os moradores alegam que estavam lá há 10 anos. Com algum tipo de fronteira, a mentira se torna óbvia. Abaixo a favelização do Rio de Janeiro! Vida longa aos muros!
Carlos Almeida Paes, Rio de Janeiro, por e-mail

Não vejo a construção do muro como segregação social. É apenas um limite físico. Países têm fronteiras, Estados e cidades também, bairros têm limites oficiais, prédios têm grades. Até casa de campo tem muro. Aliás, todos os ricos moram atrás de muros. Posso dizer que a idéia tem mérito, e o debate sobre o crescimento das favelas deve ter início quanto antes.
Tami F. Hoag, Rio de Janeiro, por e-mail

Em vez de cercar a Rocinha com muro, os nossos dirigentes deveriam pensar em começar ali uma verdadeira revolução social, dotando a região de ordem urbana compatível com a cidadania. Com vontade política e um zoneamento específico para a área, por que não construir pequenos prédios que organizem o espaço naquela região? Além de relocarem as famílias no mesmo lugar com um mínimo de acesso urbano, possibilitariam o policiamento, e sua construção criaria empregos, preservaria a vegetação e deixaria de ser esconderijo inatingível de traficantes. Os custos seriam menores que muros, facilitando a mobilização do policiamento, evitando as mortes de inocentes e o clima de terror. As famílias que lá moram, bem que gostariam de ter um endereço onde qualquer pessoa pudesse ter acesso.
Roberto Pereira Araújo, Rio de Janeiro, por e-mail

A idéia de cercar a favela da Rocinha com muros, além de constituir, como foi bem dito no editorial do JB (13/4), ''piada de péssimo gosto'', revela a incompetência do governo para tratar do problema da (in)segurança pública. Muro, muralha, mureta, tapume, cerca, paredão ou qualquer outro nome que seja dado representa uma violência, ainda maior que a praticada por aqueles que são apontados como traficantes e integrantes do que se convencionou chamar de ''crime organizado''. Durante a Guerra Fria, o muro que separou a então Alemanha Ocidental da Oriental ficou conhecido como o ''muro da vergonha''. A infeliz idéia tem suas raízes no preconceito social e demonstra, antes de tudo, falta de políticas públicas e sociais, que ainda são a melhor e mais eficaz forma de prevenção do crime. Seja qual for o tamanho do muro, não será capaz de esconder a incompetência do poder público.
Leonardo Isaac Yarochewsky, Belo Horizonte, por e-mail

FMI

O artigo de Ubiratan Iorio, As duas mãos em conjunto (12/4), foi certeiro. Pouca gente, aliás muita gente tida como boa, não sabe que o que importa é o déficit nominal. Essa coisa de déficit ou superávit primário é invenção do FMI para, politicamente, poder fazer acordos que, aliás, nunca deram certo em nenhuma economia do mundo até hoje. Nota 10.
Carlos Reis Queiroz, do Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos (Cemla), Cidade do México, por e-mail

Cristo

Não entendemos como alguns articulistas se revoltaram com o quadro da Paixão de Cristo, criado pelo cineasta Mel Gibson, como se ali estivesse retratada versão exagerada e sádica . Para nós, o autor não fez mais que traduzir o horror que deve ter sido o massacre de nosso Salvador. Talvez aqueles que se pronunciam com tão forte rejeição estejam impregnados de sentimentos de modernidade duvidosa. Quero me reportar aos que se filiam, até sem perceber, a uma corrente que nega o sofrimento na vida religiosa, na afirmação de que o cristianismo é só alegria. Mel Gibson quer nos levar de volta à contemplação do mistério fecundo da cruz que Jesus carregou por nós. Não se trata de sofrer por sofrer. Mas, sim, de sofrer até a última gota de sangue, por amor, para nos redimir de todo o torvelinho de misérias e maldades que aniquilam a todos da raça humana. Queremos dar nosso testemunho de que saímos melhores desse filme, com mais horror ainda pela crueldade, pela violência, mas movidos pelo desejo de seguir Jesus na sua insuperável lição de amor.
Maristella Campos Barretto, Rio de Janeiro, por e-mail

Interesses

Nas condições atuais, o problema não é Lulu ou Dudu, sempre haverá alguém para comandar o tráfico. O problema é a nossa legislação, e os responsáveis por sua aplicação. Para os corruptos da administração pública isso é bom, muito bom, o crime compensa! Os advogados que atuam nessa área são protegidos por legislação falha. O maior beneficiado por esse clima é o fundo de campanha dos partidos, e de muitos candidatos. Para que mudar?
Isaac Gheiner, Rio de Janeiro, por e-mail

Feijoada

Aonde anda a mulher negra, pobre e favelada Benedita da Silva? Não é por nada, não, mas tem muita gente que deve estar com saudade da feijoada dela. Será?
Gilton F. Silvério, Volta Redonda (RJ), por carta

MST

Infelizmente, a cada dia que passa, o presidente Lula se mostra mais incapaz. As ameaças constantes do MST e a inoperância do ministro da Desenvolvimento Agrário (amigo íntimo dos cabeças do MST), nos mostram que a violência não tem mais limites. Para que temos uma Constituição? Para ser desrespeitada? Então temos de liberar geral e cada um que se defenda por si. Não podemos mais conviver com tanto desrespeito a tudo e a todos. Por que o sr. José Rainha Júnior, que tem mais de 16 hectares de terra, não faz a reforma agrária das suas terras?
Antonio José G. Marques, Mirandópolis (SP), por e-mail

Lula

Prossegue na mídia a saraivada de acusações contra o sério governo Lula, na tentativa de desestabilizá-lo, visando uma derrota petista nas eleições municipais, que, como todos sabemos, é teste fundamental para o pleito presidencial de 2006. Uma pena! As reformas andavam a todo vapor! A próxima seria a do Poder Judiciário, depois, a trabalhista e, quem sabe, em 2005, a imponderável reforma política. Mas o problema é que o Congresso Nacional cuida de diversos interesses - até mesmo o público.
Lafaiete Luiz do Nascimento, Brasília (DF), por e-mail

Adoção

Não será uma portaria do Poder Judiciário que fará com que os candidatos a pais adotivos mudem de idéia; pelo contrário, agora os bebês brancos de olhos azuis vão, também, ficar no limbo, esperando chegar à maioridade, decretada pelo dr. Siro Darlan, para serem adotados. O magistrado reconhece o óbvio de que os casais preferem crianças à semelhança deles. Segundo a mídia, os mais rejeitados são os meninos com mais de 4 anos e negros. Isso nos leva a uma questão: casais negros também estão preferindo crianças brancas na hora da adoção? Ou será que casais negros não se candidatam a escolher crianças a eles semelhantes? Nas entrevistas, o dr. Siro Darlan nunca abordou essa realidade.
Wilson Gavinho Vianna, Rio de Janeiro, por e-mail

Correção

Por problema de edição, no artigo Sobre físicos, capitalismo e energia (14/4, pág. A9), de Luiz Pinguelli Rosa, deixou de ser mencionado o nome do físico Jayme Tionno, no trecho em que é citado como um dos físicos progressistas atingidos pelo AI-5.


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[15/ABR/2004]


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