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O Iraque é aqui


Acredito que, excetuando os países em guerra, não exista lugar nenhum do mundo onde 100 % dos moradores tenham sido vítimas de atos de violência ou que, parentes e amigos, tenham história similar para contar. Urge que, todos nós, reflitamos sobre o trágico dia-a-dia que vivemos. Vivemos encapsulados, ensimesmados, apavorados, tensos. A cidade do Rio de Janeiro, para cada um de nós, se transforma em uma casca de noz onde nos escondemos e procuramos sobreviver. Chega de discursos. Chega de cálculo / divulgação de índices de violência. Chega de demagogia. Chega de incompetência. Chega de cinismo. Chega de mortos e feridos, física e psicologicamente. Tolerância zero já. Pois, já, já é tarde demais.
Fernando Duarte Gomes Cancela, Rio de Janeiro, por e-mail

Lembro-me que houve um acordo, se não me engano, entre o chefe de Polícia e o presidente da Associação de Moradores da Rocinha para que a polícia não subisse o morro. Olha no que deu. A quadrilha do Vidigal, após fechar a Av. Niemeyer e até mesmo matar uma motorista que se dirigia para casa, tenta invadir a Rocinha no meio da noite. Resultado: mortes, moradores tanto da Rocinha quanto de São Conrado apavorados. E agora, sra. governadora? E agora sr. prefeito? E agora sr. presidente da República? Será que não está na hora de cercar as favelas com o Exército? Não consigo entender como não se consegue prender esses bandidos. Pelo que leio nos jornais, a nossa polícia sabe quem são os bandidos, sabe a quantidade de cocaína que é vendida dia e noite na Rocinha, sabe que ali é o ponto de distribuição de tóxicos. Como é que não consegue estrangular a entrada e a saída das drogas. Deve existir um meio de acabar com isso.
Adelina Vianna Braga, Rio de Janeiro, por e-mail

A afrontosa violência de mais esta operação dos criminosos do narcotráfico na cidade do Rio de Janeiro indica que a esta altura a mera intervenção federal na cidade será insuficiente. Agora, a possível, e talvez única, solução é a transformação provisória e imediata, mesmo que ao preço de mais uma Emenda à Constituição Federal, da Cidade do Rio de Janeiro em Território Federal ou Município Neutro, sob controle direto e total do governo federal, com todo o peso político do seu poder, o único em nosso país talvez ainda à altura do poder dos criminosos, para eliminar a importante base criminosa brasileira que o narcotráfico internacional construiu na cidade do Rio de Janeiro. Com toda a certeza os cariocas concordarão em abrir mão provisoriamente daquela parte da sua cidadania política que hoje lhe dá o direito democrático de eleger governador e também prefeito, em troca da recuperação do direito democrático da egurança, direito que lhes foi roubado pelos criminosos.
Fernando Salinas Lacorte, Rio de Janeiro, por e-mail

Está cada vez mais difícil viver no Rio e no Brasil por causa da crescente onda de violência. As autoridades precisam ter cada vez menos tolerância com os criminosos, que agem com certeza da impunidade. Mas o mais importante é que a Educação e um programa educacional de planejamento familiar sejam implantados com prioridade em todas as esferas do poder público. Assim, vamos diminuir as diferenças sociais e o desemprego, e consequentemente a criminalidade.
Gustavo Ribas, Rio de Janeiro, por e-mail

Sete Dias

Muito boa a coluna "Sete Dias" deste domingo. Concordo com as observações contidas em todas as notas. Só uma questão: tenho lido quase nada sobre o favor feito pelo Sarney – que, presumo, ainda vai custar caro – ao PT. Refiro-me ao desmonte da CPI do Waldomiro que, me parece, criou "jurisprudência". Isso quer dizer que o país nunca mais poderá ter CPIs que firam interesses dos governos. É absurdo, é o retrocesso da democracia.
Leopoldo Dogher, Rio de Janeiro, por e-mail

Palocci

Ao desqualificar de forma grosseira o documento produzido por um grupo de deputados do PT pedindo mudanças na política econômica, o ministro Antonio Palocci mostra o mesmo defeito dos integrantes da equipe econômica do governo passado: a soberba. Fica a impressão de que não há abordagem alternativa para a economia brasileira senão a do arrocho, com juros e carga tributária altos e concentração brutal de renda. É bom lembrar que estamos empregando esses métodos há algum tempo, sem que nada além de miséria, desemprego e tensões sociais resultem, e que países que há 30 anos estavam bem abaixo do Brasil em termos de atividade econômica, como os tigres asiáticos, hoje ostentam indicadores socioeconômicos bem superiores aos nossos, por terem investido pesado em educação e transferência de renda para o setor produtivo.
Roberto Fonseca da Rocha, Rio de Janeiro, por e-mail

Confisco

O governo de Lula a cada dia frustra as expectativas da sociedade brasileira. O PT em vez de propor aumento de impostos e confiscos “voluntários” deveria oferecer à sociedade um plano de governo que tenha como foco principal o crescimento sustentável da economia nacional. O crescimento econômico é a única solução viável para solucionar os problemas mais imediatos e de longo prazo da sociedade nacional. O desemprego nos centros urbanos e no campo são ameaças seriíssimas para a estabilidade social do país. A violência urbana e no campo afugentam turistas e investidores.

Lula e o PT assumiram um compromisso moral e ético com a sociedade brasileira. Ate o momento, nada foi feito para recuperar a esperança que tantos depositaram em ambos.
Raul de Gouvea, Rio de Janeiro, por e-mail

Paixão de Cristo

O filme de Mel Gibson, com sua extrema violência e dilaceramento, como bem chama a atenção o humanista Leonardo Boff em seu brilhante e sério artigo, A Paixão de Cristo (9/4), recorda-me a extrema eloqüência e irresponsabilidade do fanático Pedro de Amiens, o Eremita ou Ermitão, como é conhecido na História da Baixa Idade Média, em que com suas prédicas facilitou o Bush daquela época, o papa Urbano II (1088-1099), a preparar e proclamar a primeira cruzada contra os muçulmanos. Assim como Pedro o Eremita, em vez de procurar disseminar o amor ao próximo, Mel Gibson buscou e busca a máxima violência. Seus princípios de vida estão rigorosamente enquadrados nos do presidente Bush e companhia e sem a menor dúvida representam a face ocidental de Bin Laden.
Izrael Rotenberg, Rio de Janeiro, por e-mail

EUA x Iraque

Parece que Bush e os falcões do governo americano não aprenderam com o Vietnã e com outras reações de independência e soberania de outros países. O mundo mudou e as demonstrações de força da Potência Imperial, buscando com engodo e armas satisfazer seu apetite insaciável por poder e lucro, agora obtêm as respostas que merecem. O passeio que seria a guerra do Iraque, com a conquista do poder político e militar da região, do petróleo e dos bilhões ganhos pelos amigos na reconstrução daquilo que eles próprios destruíram, começa a se transformar num atoleiro e num matadouro de americanos. Quanto ao Brasil, nas negociações da ALCA e nas pressões recentes, baseadas em mentiras, visando impedir nosso progresso e independência no uso pacífico da energia nuclear, devemos resistir, pois, apesar de arrogantes, vemos que a fera não é invencível.
Waldemar Weller, Rio de Janeiro, por e-mail


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[12/ABR/2004]


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