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Lula


Em meio a mais uma crise política que ameaça a estabilidade do país, se me fosse dado o direito, daria dois conselhos: um aos petistas e outro ao presidente Lula. Aos primeiros, eu diria que ainda há tempo de corrigir os equívocos cometidos, desde que alçados ao poder. Deixem de lado a arrogância e a prepotência que os têm caracterizado e reconheçam que seus políticos, e a política que têm posto em prática, em nada diferem do que existe de pior, para a decepção de milhões de brasileiros. Ao presidente Lula recomendaria que não se deixe dominar pelas adversidades. Sua fisionomia tem sugerido isso nos últimos dias. Precisamos, como nunca, de um governante forte, resoluto, determinado, sério, que não tenha vergonha de se submeter às formalidades do exercício do cargo.

Gilberto Rodrigues, Rio de Janeiro, por e-mail

Eu andava sem tempo de acompanhar toda essa história do caso Waldomiro Diniz, mas, ontem, parei para ler os jornais. E concluí, preocupado: ou Lula demite Dirceu, convocando cadeia nacional de rádio e TV para declarar ao país que não admite suspeitas contra o seu governo, ou - queira Deus que não! - a oposição vai deitar e rolar no dorso de tão acintoso escândalo! E o mais importante: a Polícia Federal deve trabalhar e apurar tudo, tintim por tintim. Uma CPI, todavia, será mero palco para coronéis pefelistas e tucanos em ano de eleições municipais.

Lafaiete Luiz do Nascimento, Brasília (DF), por e-mail

Extorsão

Não fosse o irresistível pudor ético e patriótico do bicheiro Carlos Cachoeira, mais conhecido nas rodas mafiosas internacionais como Charles Waterfall, o Waldomiro, até hoje, estaria agindo tranqüilamente na escuridão e no silêncio palacianos sob as respeitáveis e crédulas barbas petistas.

Arthur Macieira Santiago, Rio de Janeiro, por fax

O caso Waldomiro revela: há algo de podre no Reino da Universal.

Luciano Kezen Padrão, Campos (RJ), por e-mail

Já que a investigação sobre as atividades do sr. Waldomiro é necessária e urgente, que se faça uma investigação ampla, incluindo quem foi o autor e quem aprovou a lei distrital, inconstitucional, que autorizou a abertura de bingos e videobingos no Distrito Federal (DF). Talvez tenhamos a noção de quais parlamentares e governadores do DF foram financiados pelo jogo ilícito. Não existe meia verdade. Há que se apurar com profundidade quem, nos últimos anos, vem sendo beneficiado pelo dinheiro sujo do jogo, até mesmo juízes que concedem liminares para as casas de jogos e policiais que protegem e garantem seu funcionamento. Acho que o PT não deve ter medo de qualquer apuração, pois, com certeza, há vários políticos de outros partidos envolvidos.

Carlos Fernando Silva Dias, Brasília (DF), por e-mail

Legislativo

A cada dia vemos o quanto o Poder Legislativo é submisso ao Executivo. Há dias, li que o presidente da Comissão de Segurança Pública da Alerj seria substituído, devido à dor de cabeça causada ao governo do Estado pelo caso Chiquinho da Mangueira. Foi publicado, em 19/2, que o presidente da Comissão de Meio Ambiente tambem seria trocado, pois o governo não gostou de sua intervenção numa unidade da multinacional poluidora Bayer. Onde está a tão falada independência entre os poderes?

Luciano Barbosa, Rio de Janeiro, por e-mail

Saída

A única saída honrosa para o ainda ministro José Dirceu é ser embaixador em Havana, junto a seu grande amigo Fidel Castro. O ex-banido José Dirceu foi exilado em Cuba, onde fez várias cirurgias plásticas para disfarçar sua atuação política na clandestinidade. Quanto ao escândalo de corrupção do ex-assessor Waldomiro Diniz, o caso ficou maléfico para Dirceu e o governo Lula, depois de virar destaque na imprensa internacional, como se tivesse sido jogado lama na ética do PT. É preciso demitir outros assessores palacianos, passar uma vassourada, para que não se repita outro caso Waldomiro Diniz. Vá para Cuba, José Dirceu, os ares do Caribe vão lhe fazer muito bem.

Jeff Thomas, Rio de Janeiro, por fax

Interessado

Meu professor de Direito Penal tinha uma frase mágica, inesquecível: ''Meu filho, procure sempre saber a quem mais interessa o crime e estará no caminho certo da descoberta de seus autores.'' Lembrei-me das palavras do velho e sábio mestre ao ler os desdobramentos do caso Waldomiro e chego à conclusão de que um dos maiores interessados no crime é o governador Roriz, do Distrito Federal, já que a lama está sendo jogada, sem provas, no seu adversário político Geraldo Magela, que, dentro de poucas semanas, poderá se sentar na cadeira do atual governador, por decisão do TSE.

Mário Peixoto Garneiro Neto, Rio de Janeiro, por fax

Hospitais

Alvissareira é a notícia, por parte do Ministério da Saúde, da construção de hospitais gerais, capacitados, do ponto de vista material e humano, em municípios periféricos do Rio de Janeiro. Solução óbvia e tardia, no mínimo uma década, mas bem-vinda. Hoje, apenas como exemplo, hospitais como o Geral de Bonsucesso, têm 50% de seus atendimentos emergenciais oriundos dessas regiões, gerando inevitável superlotação, com sua fatal e mais danosa conseqüência: o nivelamento, por baixo, da assistência prestada. Não há como dar conta de demanda infinita.

Marcelo Frick, Rio de Janeiro, por e-mail

O passeio

No Brasil, infelizmente a lei de Gerson não tem partido. Agora, o ministro da Defesa, dr. José Viegas, aproveitando a vida boa, levou a família, em avião da FAB, para passear no Pantanal. Isso sim é estar engajado no Fome Zero. Claro, fome zero para os outros, e o PT deve logo informar que as passagens foram pagas pelo ministro. Para quem nâo concorda em abrir CPI, tudo agora é permitido e aceitável, até mentir.

Antonio José G. Marques, São Paulo, por e-mail

Judiciário

Beira à desfaçatez a atuação de certos juízes ao esquecer que têm o dever e a obrigação de obedecer e fazer cumprir as leis. O desrespeito do Judiciário ao Estatuto do Desarmamento - aprovado pelo Congresso, sancionado pelo presidente da República e apoiado por 80% da opinião pública -, já aconteceu por três vezes, em três sentenças. Em uma delas, um juiz de Goiás, Ricardo Teixeira Lemos, mandou libertar dois homens presos por porte ilegal de armas, crime inafiançável, numa sentença na qual constava a seguinte bobagem: ''Além das viagens constantes que o presidente Lula está fazendo, ao que parece, ele também não sabe o que está assinando ou sancionando.'' Pobre povo brasileiro.

Waldemar Weller, Rio de Janeiro, por e-mail

Supervia

Como usuária da Supervia (ramal Central - Santa Cruz), indigna-me a contradição de nosso sistema socioeconômico, uma vez que privatizada a empresa, pressupõe-se a melhora, seja nas composições, seja nas estações ou, ao menos, no atendimento ao cliente, considerando-se os preços abusivos cobrados pelos serviços. Porém, a realidade se encontra em outra dimensão, o aumento na tarifa - de R$ 1,35 para R$ 1,50 e subindo, de novo, para R$ 1,68 em menos de 1 ano - não justifica as péssimas condições em que se encontram as ferrovias. Será que seria melhor utilizar uma van?

Gabriela Conceição de Souza, Rio de Janeiro, por e-mail


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[22/FEV/2004]


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