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Recursos hídricos


Li, com muito interesse, o artigo de Villas-Bôas Corrêa, O segundo ano quase perdido (11/2). O artigo tocou em pontos críticos do governo Lula, que foram, muitos deles, causados pelas bombas de efeito retardado recebidas da administração passada, que impuseram contingenciamentos indiscriminados de recursos financeiros. No caso das enchentes, a falta de gestão de recursos hídricos, em especial quanto às macrodrenagens e drenagens urbanas, e ainda o desflorestamento endêmico em todo o país, são as causas determinantes da escassez de água no Paraíba do Sul - a pior nos últimos 50 anos - e ainda a poluição dos cursos d'água em todo o país. Nesse emaranhado de problemas e condicionantes, as restrições de uma lei de responsabilidade fiscal que colocam o machado no pescoço dos responsáveis pela gestão pública, até da sociedade e do setor industrial, como o caso dos recursos hídricos e do meio ambiente.

Ninon M. de Faria-Leme Franco, Rio de Janeiro, por e-mail

Aqüífero em perigo

Além de ameaçar o Aqüífero Guarani, as grandes barragens que estão sendo erguidas na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, vão submergir espécies raríssimas de araucarias, só encontradas às margens dos rios Uruguai e Pelotas. Uma represa a jusante de outra pode nos levar a desastre ambiental de enormes proporções. Mas parece que o governo Lula não é ecochato.

Simão Rosa Batista, Campo Belo do Sul (SC), por carta

Favelas

O JB, no editorial Segurança/Favela e Crime (11/2), toma posição corajosa, mas que certamente faz parte do desejo da grande maioria dos cariocas, ao tocar no tema da desfavelização. Radical e bastante impopular para os habitantes dessas regiões. Há que se abater o mal em definitivo, com a remoção dessas comunidades para locais outros, com minucioso trabalho de planejamento, de modo a proporciona-lhes moradia, transporte, saneamento, etc. Resgate da cidadania, de fato e de direito. Esse é o viés a ser olhado, mas que definitivamente não pode ser adiado.

Marcelo Frick, Rio de Janeiro, por e-mail

Fase ''eu acho''

A excelente colunista Dora Kramer, em seu artigo Trajetória em plano inclinado (11/2), trouxe-me à tona sentimentos que desejava há tempos externar. Faço parte de um número nada desprezível de eleitores que não votaram em Lula, mas achei que o novo presidente jamais se deixaria seduzir pelas manhas do poder; que acabaria com a farra dos políticos; que protegeria idosos e aposentados; que combateria qualquer tipo de irregularidade (as tais maracutaias); que se manteria afastado de parcerias duvidosas; que combateria os escândalos de corrupção independentemente dos nomes envolvidos; que seria austero com as contas do Executivo; e que, por meio de um ministério, nomeado com competência e parcimônia, cuidaria com imenso zelo da Educação, da Saúde, da Justiça e do Social. Ainda hoje, faço parte da perplexa legião de condenados a permanecer na era do ''achar''.

Maria B. R. Amarante, Rio de Janeiro, por e-mail

O justiceiro

Penso que é oportuna a discussão do ''futuro incerto'' do presidente George Bush, por não ter comprovado que Saddam Hussein teria armas de destruição em massa, justificando a invasão do Iraque. Creio que essa discussão não tem sido bem conduzida por Bush e Tony Blair. Que prova mais eloqüente seria preciso mostrar que a preparação de seres humanos com o objetivo de destruição de seus semelhantes, sacrificando a própria vida, como foi exemplo a demolição da torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, numa das mais torpes demonstrações do poder beligerante da mente doentia dos inimigos da humanidade. Eis, sob esse enfoque, a prova, insofismável, que justificou e justificará sempre guerrear, em qualquer parte do planeta, o terrorismo patrocinado por chefes de Estado.

Orlando Machado Sobrinho, Rio de Janeiro, por e-mail

Língua portuguesa

Li, no JB, a matéria Língua pede socorro (11/2). E me pergunto se ainda há tempo de salvá-la. Caso haja, terá de levar gerações e mais gerações para ser reedificado algo que destruíram em poucas décadas. Sim, não sou tão caquética assim, mas ainda fui do tempo em que a língua portuguesa era tratada com zelo e respeito, começando pelas escolas. Hoje em dia, nossa principal emissora de TV tem o animador de um programa extremamente educativo - BBB 4 - dizendo: ''Se você vir a ser eliminada (...)''. E a apresentadora de um programa diário matinal (bem simpático e interessante) que inova o particípio passado do verbo chegar, empregando chego. Sem falar em outros erros, cometidos aos borbotões, nas demais programações ao longo do dia. O mau uso do português virou uma praga que se alastrou rapidamente.

Ellen Watson von Windheim, Resende (RJ), por e-mail

OAB esclarece

Em resposta ao leitor Arcirio Araujo de Oliveira (carta de 12/2), a OAB/RJ esclarece que existe uma Ouvidoria Geral na OAB/RJ, há dois anos e meio, onde foram atendidas cerca de 2.500 pessoas. Todos os casos recebidos são analisados e encaminhados aos setores competentes (Comissão de Prerrogativas/Tribunal de Ética). A Ouvidoria funciona na Avenida Marechal Câmara, 150, 7º andar, Castelo (RJ). De 2ª a 6ª feira, a partir das 16h. O leitor deve encaminhar as denúncias ao dr. Manoel Moreira, Ouvidor Geral, ou obter informações pelo telefone 2272-2001.

Helena - Século Z Comunicação (helena@seculoz.com.br), Rio de Janeiro

Fome Zero

Na abertura da Expo Fome Zero, terça-feira, em São Paulo, o presidente Lula afirmou que acabar com a fome no país é questão de pouco tempo. Difícil. O tema é complexo e a solução maior ainda. Isso porque a carência só pode terminar por meio do pleno emprego e do salário, desde que este não perca para a taxa inflacionária. Mas está se vendo o contrário. O caminho da distribuição gratuita de alimentos é impossível. Como entregá-los diariamente a 30 milhões de pessoas? Seriam, na melhor das hipóteses, 30 milhões de quilos. Incluindo a compra, transporte, mobilização de servidores, cadastramento. Cada quilo sairia por R$ 10; R$ 9 bilhões por mês; R$ 108 bilhões por ano. Os números indicam que distribuir alimentos é impossível. Quantos caminhões teriam que ser mobilizados?

Pedro do Couto, Rio de Janeiro, por e-mail

Fiasco

Desde o fim de 2003, já havia a certeza de que a convocação extraordinária do Congresso era um absurdo, uma vergonha, um escândalo. Já estava claro, desde então, que a convocação seria muito pouco produtiva, desgastando ainda mais a imagem de nossos congressistas e arranhando, até mesmo, a imagem do Poder Legislativo. Em dezembro, o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), já dizia que a convocação extraordinária era um ''escândalo''. O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), dizia que o presidente Lula ''pagou mico'' ao convocar o Congresso para trabalhar em janeiro e fevereiro. Agora, percebe-se que ambos tinham razão. Aliás, toda a sociedade brasileira pagou (e ainda está pagando), não apenas o ''mico'', mas, sim, toda a fatura (cerca de R$ 50 milhões). No país dos absurdos, este é apenas mais um absurdo!

Fábio M. Amorim, Campinas (SP), por e-mail


[13/FEV/2004]


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