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Oleoduto


A respeito dos artigos de Dora Kramer (1/2 e 3/2), confrontando as posições de Rosinha Matheus e José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras, a respeito da produção e do refino de petróleo, parece-me que a governadora do Rio tem toda a razão de lutar pela instalação de uma refinaria no Estado. A região de Campos e Macaé é responsável por 80% da produção nacional. Os poços marítimos das duas cidades fornecem diariamente pouco mais de 1 milhão de barris. Não se trata de questão tributária, mas de solução racional. Todas as teorias econômicas voltam-se para a construção de refinarias nas áreas de produção. Nem poderia ser o contrário. Os economistas passaram a vida dizendo isso. Por que motivo instalar mais uma refinaria em São Paulo, além de Paulínia, a maior do país? Por que construir um oleoduto de 723km ao custo de R$ 4,5 bilhões? Com esse dinheiro, a refinaria, funcionando no Norte Fluminense, só agregaria vantagens e reduziria custos de operação.

Pedro do Couto, Rio de Janeiro, por e-mail

Dora Kramer, com o artigo Dois no ringue (1/2), estabelece claramente os conflitos entre o Rio e o Planalto, no qual, nós, os fluminenses, temos sempre levado a pior. O esvaziamento econômico do Rio é flagrante, e o novo paulistério, mera continuação do anterior, esmera-se em criar condições de conflito, retirando empresas sediadas no Rio, levando-as para São Paulo, culminando com a guerra do oleoduto e não permitindo a construção de uma refinaria em solo fluminense.

Luiz Edmundo Saraiva, Rio de Janeiro, por fax

Carnaval 2004

São preocupantes os indicadores sociais, transmitidos pela mídia, relativos aos festejos carnavalescos. Pelo jeito, estamos indo muito longe na permissividade e na falta de responsabilidade social. O carnavalesco Joãozinho Trinta anuncia que vai exibir na passarela do samba estátuas nuas, realizando com pormenores, o ato sexual. Faço apelo às pessoas de bem para que se pronunciem contra tal abastardamento. Temos aqui no Rio uma plêiade de problemas graves. E o carnavalesco, numa atitude irresponsável, pretende acrescentar a todo esse triste cortejo, forte estímulo à onda avassaladora do turismo sexual, do qual, de fato, se envergonham as pessoas responsáveis, que desejam o bem do país e de sua juventude. Que outros me sigam.

Maristella Campos Barretto, Rio de Janeiro, por e-mail

Língua portuguesa

Acho que hoje em dia são pouquíssimas as pessoas que ainda se (pre)ocupam com o bem falar e escrever a língua portuguesa. Não há mais fonte confiável de leitura e nem de se ouvir. Refiro-me, em particular, à programação de TV, entretenimento que atinge a todas as classes sociais. Já se deram conta, por exemplo, de que ninguém mais faz concordância dos pronomes oblíquos. Ninguém mais diz: ''Nós nos vimos.'' É: ''Nós se vimos'', com a maior sem-cerimônia. Bem como: ''Eu se visto e se olho no espelho para ver se estou bem.'' Cheguei à conclusão de que, por esmagadora maioria, o se foi eleito o pronome absoluto, social e democrático, para uso a qualquer hora, em qualquer lugar.

Ellen Watson von Windheim, Resende (RJ), por e-mail

'Idéias'

Fiquei encantado com a entrevista publicada, em 17/1, no caderno Idéias, do JB. Já a recortei, para relê-la de tempos em tempos. Antonio Bulhões disse tudo o que penso e sinto sobre o Rio de Janeiro, com uma diferença: ele é simplesmente genial. A inteligência dele pôde ser ricamente aflorada e explorada graças à qualidade das perguntas de Elizabeth Carvalho. É a primeira vez que escrevo para o JB, assinante e admirador do jornal que sou há mais de 30 anos.

Ricardo Antunes Corrêa, Rio de Janeiro, por e-mail

Parabéns a Cristiane Costa e Telma Alvarenga pelo saborosíssimo texto O elo perdido dos milionários (Idéias, 17/1). Os comentários irônicos em relação ao comportamento dos ricos, sobre os políticos de esquerda que mudam de conduta no poder e a crítica bem-humorada aos despautérios da maluca Lolita Pille, me fizeram lembrar um Agripino Grieco modernizado e agradável. Coisas assim tornam o Idéias, sem dúvida, melhor para se ler.

Luiz Fernando Emediato, Rio de Janeiro, por e-mail

Pedro Nava, 100

Informo aos editores de Idéias & Livros que o centenário de Pedro Nava foi comemorado, e muito. Houve discursos dos reitores das universidades federais de Juiz de Fora e Minas Gerais; foi registrado, nos Anais do Senado Federal, pelo senador Eduardo Azeredo, que fez brilhante discurso sobre o escritor; documentários de TV a cabo; e a inauguração de uma estátua, pela Prefeitura de Belo Horizonte, em dezembro de 2003. Houve também intensas comemorações, em junho de 2003, mês de nascimento de Pedro Nava, no Centro de Estudos Murilo Mendes (UFJF), e no Centro de Memórias da Faculdade de Medicina da UFMG, inaugurado pelo próprio Pedro Nava, no início da década de 80. Só houve surdina no Rio, cidade que Pedro Nava escolheu para morar e o fez por mais de 50 anos. O prefeito Cesar Maia e o secretário de Cultura do Município (sr. Macieira) foram contactados, mas não tiveram o mínimo interesse na homenagem. Das duas, uma: ou não o conheceram ou nunca leram a magnífica obra de Pedro Nava. Quanto à exposição da Fundação Casa de Rui Barbosa foi magnífica e Pedro Nava, o alquimista da memória, melhor ainda.

Joaquim Jaguaribe Nava Ribeiro, Juiz de Fora (MG), por e-mail

Ônibus

Os empresários de ônibus não perdem tempo. Tão logo houve a obrigação de passe livre, colocaram a entrada dos passageiros pela porta da frente e a roleta quase em cima do motor. Conclusão: os que têm a passagem gratuita ficaram prejudicados. Além de um número insuficiente de bancos, quatro a seis lugares, se encontram nas piores condições, ou seja, todos entram pela porta dianteira. Se algum passageiro de passe livre tiver que sair, o fará pela porta dianteira, por onde os outros passageiros estão entrando. Ou o cidadão de passe livre espera, o que é mais complicado, ou ele se adianta e salta antes. Ora, em se tratando de pessoas idosas, deficientes físicos e mães com bebê de colo, fica muito complicado. Esse pessoal das empresas de ônibus, associado aos maus motoristas, são, aqui entre nós, maquiavélicos.

Irosé Wanderley Pedroso, Rio de Janeiro, por e-mail

É a lama

A prefeita Marta Suplicy teve seu carro (oficial) amassado e enlameado pelas vítimas das enchentes. Foi pouco. Alguém tão inepto a governar uma cidade mereceria mais, o que, certamente, virá por meio do voto. Com suas obras inúteis no trânsito da cidade, minha funcionária não tem conseguido chegar cedo ao trabalho. A prefeita não tem humildade, é arrogante e discute com os munícipes, esquecendo-se de que é nada mais, nada menos do que uma funcionária pública e, como tal, deve satisfações e atendimento cordial a todo e qualquer munícipe.

Luiz M. Leitão da Cunha, São Paulo, por e-mail

Lagoa

É incrível como as nossas autoridades municipais, estaduais e, até mesmo federais, não enxergam a sujeira que está ao redor da ilha ocupada pelo Clube Naval, departamento esportivo, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Se continuar assim, dentro de pouco tempo, a ilha deixará de ser ilha.

Murilo Graça Couto, Rio de Janeiro, por fax


[06/FEV/2004]


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