As divisões de fiscalização do Ministério do Trabalho foram, na prática, como que extintas durante o governo FH. Um ano de governo Lula e a situação permanece a mesma. A chacina dos fiscais funcionará como mais uma cortina de fumaça. Faz-se a grita em cima do extraordinário, esquece-se o ordinário: o descumprimento cotidiano das leis trabalhistas por grande parte (a maioria?) das empresas no Brasil. Ao mesmo tempo, o empresariado, e o governo petista (como o de FH), propõem, cinicamente, que se mudem as leis; para, só então, serem cumpridas?
Luiz Araújo, Rio de Janeiro, por e-mail
Medicamentos
Diariamente, lemos nos jornais, assistimos na TV e ouvimos nas rádios, notícias de doentes crônicos que buscam, nos postos de saúde, o medicamento que lhes garanta sobrevivência e os governos têm obrigação de fornecer. Raro é aquele que consegue encontrar o que busca. Quase sempre, recebem como resposta que o medicamento está em falta. Em seus repetidos retornos ao posto ou hospital, a história se repete. Alguns doentes buscam, na Justiça, o cumprimento da obrigação que o Estado evita cumprir. Há dias, o JB publicou a história de uma paciente que faleceu por não ter conseguido o medicamento que poderia salvá-la. O processo, por ela movido, foi arquivado e ninguém foi responsabilizado. O que acontece, quando há falta do medicamento (por má-fé ou incompetência)? A dispensa da licitação, para a sua aquisição, pelo governo. O que ocorre quando não há licitação? A aquisição, por qualquer preço, em nome do atendimento à população necessitada.
Manoel Lino de Carvalho, Rio de Janeiro, por e-mail
Demissão
A sra. Benedita Silva declarou, dia 29, que ama o presidente ''Lulinha'' e vai tirar férias. Da primeira afirmação, nada tenho a dizer, visto que gostos são gostos e não se discutem. Quanto à segunda, permito-me apontar uma impropriedade vocabular cometida pela ex-ministra: a sra. Benedita não vai tirar férias. Vai dar prosseguimento às férias, iniciadas em 1º de janeiro do ano passado, ininterruptamente remuneradas pelo Erário até poucos dias atrás.
Sergio Pachá, Rio de Janeiro, por e-mail
Leitora do JB de longa data, acho muito saudável que o jornal publique opiniões diversas. Como dizia mestre Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Mas, honestamente, fico com Dora Kramer, que critica ''a cultura do quebra-galho''. Recomendaria, a Hildegard Angel, menos ardor na defesa do vice José Alencar e da ex-ministra Benedita. Esta, certamente, foi dispensada porque as denúncias tiveram consistência. A coisa pública merece respeito, o povo merece respeito: usar com fins particulares R$ 4.000 ou R$ 4 milhões, sendo dinheiro público, é abuso. E quem está numa fila de transplante ou concorrendo a uma vaga para residência num hospital, merece ter seus direitos respeitados e não ser atropelado pelos figurões da República.
Ida Moritz Cavalcanti, Rio de Janeiro, por e-mail
Demitida, desprestigiada e abandonada, a ex-ministra Benedita da Silva desembarcou de volta ao Rio chamando o presidente Lula de ''Lulinha'', o que significa desrespeito à liturgia do cargo, numa demonstração de intimidade inoportuna. Depois, a sra. Benedita diz que vai tirar férias com o seu ''Pitangão''. Considerando a (des)administração nos dois últimos cargos que ocupou, como governadora do Estado e ministra de Assistência Social, a sra. Benedita não precisa de holiday, pois vive na ociosidade. Ela e seu ''Pitangão'' precisam arranjar emprego, porque as mordomias, à custa do dinheiro público, acabaram.
Jeff Thomas, Rio de Janeiro, por fax
Lula
Da série Lula e as grandes maravilhas da Humanidade: no Egito, as Pirâmides. Na Índia, o Taj Mahal. No Brasil, os Juros.
Ricardo Campos, Rio de Janeiro, por e-mail
Abandono
Ainda me encontrava na faculdade quando aprendi que se deve verificar, ao longo dos anos, a validade dos resultados obtidos em avaliações psicológicas e das soluções encontradas a partir daí, observando, por exemplo, se alguém com alta pontuação no QI, apresentará, mais tarde, comportamentos comprovadamente inteligentes ou não. Por isso, ao ler a carta de Hélcio Reinaldo Gil Santana (30/1), na qual revela que está recrudescendo o número de meninas grávidas aos 10 e 12 anos, penso que se torna indispensável a reavaliação dos procedimentos, até agora adotados, com referência ao atendimento de crianças abandonadas.
Mariúza Peralva, Niterói (RJ), por e-mail
Quebra-galho
O texto de Dora Kramer, A cultura do quebra-galho, é paródia do que acontece na sociedade brasileira. Sem dúvida, a grande colunista foi fundo na questão, e disse o que todos temos medo de dizer: isto aqui, seja com que governo for, é a casa da mãe-joana. Coitado dos infelizes que não têm um padrinho no serviço público. O vice-presidente da República pediu para que o diretor de um órgão público colocasse para escanteio um ''sem-padrinho'', que conquistou a sua vaga no concurso, e enfiasse o neto de um amigo que não conseguira a vaga. Eu gostaria de perguntar a Dora Kramer o que devemos fazer para protestar contra essa ação imoral?
Wilson Gordon Parker, Nova Friburgo (RJ), por e-mail
Professor
Até que o empresário Antônio Ermírio de Moraes ia muito bem no seu artigo Professor esquecido (JB, 18/10), quando deu, a meu ver, baita derrapada, ao propor que o ensino superior nas universidades públicas fosse pago, como na maioria dos países mais ricos do mundo. Primeiro de tudo, estamos, cada vez mais, longe de nos tornarmos um país rico. Segundo, o articulista não define o que é ser rico; para o atual governo sociosindicalista, é ganhar US$ 700 dólares por mês, receita típica de uma classe média hoje falida e em extinção. Terceiro, os ''bem aquinhoados'', como ele chama, fazem o curso básico pago, se graduam e pós-graduam no exterior. Rasgo o meu diploma se o atual governo canalizaria o dinheiro economizado nas universidades pagas, em parte pelos ricos, para a educação do restante do país, tendo como prioridade a escusa manutenção de 35 ministros, pagamento de juros, compra de avião top de linha, e distribuição de cestas básicas para pobres que não param de ter filhos, mas que valem votos para o governo se eternizar.
Eduardo de Braga Melo, Niterói (RJ), por e-mail
PDT
Vendo o programa eleitoral na TV, acabo ficando em dúvida se PDT é sigla de partido ou apelido do ex-governador Brizola. Sim, porque diariamente o velho caudilho, que já foi gaúcho e hoje é uruguaio, aparece sempre sozinho no vídeo para repetir o mesmíssimo script, sem tirar nem pôr, durante dias seguidos. A continuar assim, nesse tom bolorento e antigo, o partido vai se encaminhar inexoravelmente para o túmulo, com o seu dono, único e perene.
Antonio Noronha Medina, São Gonçalo (RJ), por fax
Marte
Até quando o brilhante canal de TV Discovery continuará com o equívoco de anunciar um programa sobre o planeta Marte, dizendo que as suas duas luas - Phobos e Deimos - , foram descobertas em 1977? As duas luas marcianas foram descobertas por Hall, em 1877 (V. Encyclopédie Génerále Larousse, ed. 1968).
Manoel Siquiera Marques, Rio de Janeiro, por fax
Correspondência para esta seção: Avenida Rio Branco nº 110, 12º andar. CEP 20040-001, Rio de Janeiro, RJ. Fax 021-3233-4428 ou e-mail: cartas@jb.com.br. As cartas deverão conter assinatura, nome completo e telefone. Não serão permitidas referências insultuosas nem informações incorretas.