Congresso vazio

[21/JAN/2004]

Os 500 parlamentares gazeteiros custaram, num só dia, R$ 500 mil ao nosso bolso. Mas eles não faltaram ao trabalho normal, faltaram à hora extra. Isso mesmo. Não compareceram ao serviço extraordinário. Nenhum trabalhador que tenha 90 dias de férias, e expediente de terça à quinta, pode dar conta da sua agenda de trabalho. Se fôssemos contar essa história para as pedras de Marte, elas morreriam de vergonha. Aqui no Brasil, sentimos a mesma coisa que as pedras daquele planeta, mas não fazemos nada. Caminhamos por toda a nossa vida sentindo a vergonha eterna, mas ninguém atira a primeira pedra na falta de vergonha.

Wilson Gordon Parker, Nova Friburgo (RJ), por e-mail

Seria cômico, se não fosse trágico. O plenário do Congresso vazio e parlamentares recebendo em dobro. R$ 500 mil dos cofres públicos, jogados na vala em apenas 4 minutos. E nós, reles mortais brasileiros, pagamos por essa vergonha nacional. Será este o país que os brasileiros queremos e sonhamos? Será este o exemplo a ser passado às futuras gerações? Não sabemos, na verdade, quem são os maiores criminosos: os bandidos comuns ou os picaretas do Congresso. Esse fato é, no mínimo, imoral. Sai governo, entra governo, e o povo continua à míngua. Desde a mais tenra idade ouço falar em ''Brasil, país do futuro.'' Que futuro? Com exemplos dessa natureza estamos fadados à desesperança. Reformas? A primeira a ser feita é a do próprio Congresso, verdadeiro cancro enraizado em Brasília e de difícil extirpação.

Sergio de Paula Silva, Rio de Janeiro, por e-mail

O custo estimado da convocação extraordinária do Congresso é de R$ 500 mil. É (ou seria?!) convocação para trabalhar, é claro. Apesar disso, como visto, no primeiro dia poucos foram os trabalhadores que compareceram. Conforme noticiado, o próprio presidente da Câmara, deputado João Paulo, não compareceu à abertura dos trabalhos. Porém, é fácil compreender a razão dessa ausência ao trabalho: consta da pauta uma emenda constitucional que reduz, acertadamente e com muita justiça, o recesso (leia-se férias) parlamentar para a metade, com o que o direito ao descanso se aproximará ao da vala comum dos trabalhadores e cidadãos brasileiros que desfrutam apenas de 30 dias de férias. Não há interesse político em votar essa emenda constitucional, é cl aro.

Pedro Luís de Campos Vergueiro, São Paulo, por e-mail

Diplomacia

Clara e rara demonstração de diplomacia, reflexo da politica do seu governo, foi dada pelo embaixador de Israel na Suécia, destruindo a obra de um artista, também judeu. A grotesca atitude do brutamontes travestido de diplomata contou com o apoio imediata do sr. Sharon, principal representante da política brucutu do Estado israelense.

Juan Antonio Moya, Niterói (RJ), por e-mail

Ministério Público

Que coisa feia, meu caro amigo José Dirceu, essa sua investida contra o Ministério Público e, de quebra, contra a imprensa. Você sempre me pareceu pessoa equilibrada, ponderada, que não chuta bola de primeira para evitar buracos nos gramados que possam torcer-lhe o pé. Só posso concluir que você estava cansado para reagir da forma como reagiu, atingindo o que temos de melhor na defesa da sociedade, o nosso Ministério Público, que, às vezes, pode ser fogoso, pode incomodar, mas ao qual ninguém pode imputar parcialidade, corrupção ou desvio de conduta.

Léo Dantas Truffati, Rio de Janeiro, por fax

Brasil e EUA

A matéria A máfia que exporta brasileiros (JB, 18/1, págs. A10 e A11) é suficiente para endossar as desconfianças dos estadunidenses em relação ao Brasil e justificar as exigências impostas aos nacionais que desembarcam naquele país. Os críticos, que esperneiam pela imprensa, acham que na embaixada e nos consulados americanos não se lê jornais, não se ouve rádio e não se assiste a TV? Num país em que um juiz de tribunal superior se enriquece com a construção do prédio de sua sede, juízes e desembargadores são acusados de venda de sentenças, pode causar estranheza o endurecimento, por país estrangeiro, na aplicação de medidas defensivas na identificação de passageiros daqui procedentes.

Hélio Fontanelle, Niterói (RJ), por fax

Quando o presidente Lula propôs aos americanos o relaxamento das medidas de segurança nos aeroportos, abolindo vistos para os brasileiros e americanos, não levou em consideração as vantagens que o governo Bush obteve com o atentado terrorista de 11 de Setembro. Com a destruição das torres gêmeas, a popularidade do presidente americano subiu a níveis estratosféricos, ele conseguiu apoio para invadir o Iraque e se apoderar dos poços de petróleo lá existentes e, provavelmente, se mantiver o povo amedrontado o suficiente para votar nele, mais uma vez, se reelegerá para o próximo mandato. Parece que nosso governo precisa fazer avaliações mais realistas da atual situação mundial.

Mariúza Peralva, Niterói (RJ), por e-mail

Ferrovias

Muito interessante o artigo do jornalista Gilberto Paim, O Plurianual num campo de sombras (18/1), principalmente no tocante às ferrovias brasileiras. O que o governo FH fez com elas foi um crime.

Mozart Pio, Rio de Janeiro, por e-mail

Olimpíada

Parabéns ao Jornal do Brasil pelo editorial Mutirão Nacional (17/1). Como assinala, um mutirão nacional de boa vontade e competência deve ser formado para fortalecer a candidatura da cidade do Rio de Janeiro à sede dos Jogos Olímpicos de 2012. O Comitê Olímpico Brasileiro, por seu presidente, Carlos Artur Nuzman, acredita que esse mutirão terá caráter nacional, já que a candidatura é de todo o país, e não apenas do Rio de Janeiro.

Christian Dawes, Assessoria de Imprensa do Comitê Olímpico Brasileiro, Rio de Janeiro, por e-mail

Carroça

Trafegar em velocidade excessiva, fazer ziguezague na pista saindo de uma faixa para outra sem sinalizar, colar no fundo de outro veículo, invadir o sinal vermelho, dirigir falando ao celular, desrespeitar o pedestre na faixa de segurança, além de outros absurdos, são as únicas formas que certos motoristas possuem para mostrar, a si e aos outros, que são diferentes do jumento, que nada disso faz, ao puxar, com inteligência, sua carroça.

Haroldo Sá Filho, Salvador, por e-mail

Xenofobia

Os meus mais sinceros parabéns ao jornalista Alberto Dines por seu belo artigo Sua Majestade, a Xenofobia (17/1). Ainda hoje, aqui em Recife, se vive a xenofobia de Nassau.

Delmar Rosado, Recife, por e-mail

O sr. Alberto Dines minimizou a atitude arrogante do comandante americano, dedicando-lhe poucas llinhas. Em seu artigo, Sua Majestade, a Xenofobia (17/1), passamos a ocupar a posição de ridículos. Saiba, caro senhor Dines, que se a situação fosse inversa, um nosso comandante teria sido algemado, no ato, e ainda estaria por lá, preso, para responder a processo. Pelas regras (neuras) atuais, posso lhe assegurar, uns bons 10 anos, ou mais! Falo com conhecimento de causa. Acabei de retornar, depois de 5 anos de temporada nos EUA, e vivenciei, dia-a-dia, a escalada da estupidez, patrocinada pela quadrilha que se instalou na Casa Branca. Ofensa, sim, foi o que aconteceu! Se o senhor Dines acha xenofobia o que ouviu por aqui, recomendo uma temporada na América de hoje. Mas antes, torça para não passar por um vexame no aeroporto.

Helcio Rodrigues, Rio de Janeiro, por e-mail

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