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'A indulgência'


A propósito do artigo de Augusto Nunes, A indulgência que anula a insensatez (11/1), acerca do (derrotério) miniministério do presidente Lula: Domingo Cavallo foi derrotado nas eleições presidenciais, repudiado pelo povo argentino. Desconsiderando esse fato, De la Rúa foi buscá-lo para conduzir a economia do país. Deu no que deu. O presidente Lula não quis aproveitar esse exemplo, ouviu só seu próprio coração e, nós, pagamos o pato, sustentando ministros medíocres ou sem função definida.

Adanor Quadros, Rio de Janeiro, por e-mail

Espero que o jornalista Augusto Nunes continue a crítica conscientização das nossas cúpulas do poder, das elites que não pensam, e do povão que sofre mais que todos nós, com os inúmeros desgovernos sucessivos.

Luiz dos Santos, Rio de Janeiro, por e-mail

'Marca própria'

A matéria assinada por Bruno Rosa, Marca própria perde vantagem (12/11, pág. A15), veio ao encontro do que eu vinha observando em diversos mercados. Resido em Alcântara (São Gonçalo) e, em um raio de 600 metros, há cinco supermercados. A constatação de que os produtos de marca própria custam mais caro é realidade. A reportagem é muito esclarecedora e alerta o consumidor para o golpe, mostrando que está sendo empulhado. Além desse golpe, é freqüente o da caixa registradora, que apresenta um valor sempre maior que os valores da gôndola. Comigo, já aconteceu por duas vezes, no Carrefour, sendo um recentemente, ao comprar uma cadeira de alumínio. O valor de gôndola era de R$ 89, quando verifiquei a nota, depois de alguns dias, constatei que paguei R$ 112. Parabéns a Bruno Rosa por suas pesquisas e reportagens esclarecedoras.

Luiz Carlos Silva, São Gonçalo (RJ), por e-mail

Triste liminar

Sou o mais carioca dos cariocas. Adoro samba e vibro com o Salgueiro. O sol e o mar são fontes de minha energia. As mulatas são o colírio para os meus olhos. Entretanto, mesmo com o meu bairrismo exacerbado, não fiquei feliz com a vitória da prefeitura do meu Rio, quanto à obtenção da liminar que lhe desobriga da identificação de americanos, ou melhor, de estadunidenses, nos portos e aeroportos de nossa maravilhosa e brasileira cidade. A citada liminar dá uma vitória ao Rio, mas uma triste derrota ao Brasil. Entristece-me voltar a ser parte de um povo confiável e dócil.

Dimas Melo, Ouro Preto (MG), por e-mail

Flanelinha

No domingo, estive na Rua Visconde de Cabo Frio, Tijuca. No trecho entre a Rua Conde de Bonfim e a pracinha, fica um flanelinha que se sente o dono da rua, colocando caixotes de madeira nas vagas, de forma a impedir o livre estacionamento dos veículos. Quando o carro pára próximo de uma vaga livre, o flanelinha se aproxima, retira o caixote, auxilia a estacionar, e quando o motorista desliga o carro é informado do valor. Se não paga adiantado o flanelinha ameaça danificar o veículo. Observei, da janela de um apartamento nessa rua, por cerca de 40 minutos, e vi, pelo menos, quatro motoristas que pretendiam estacionar, mas foram embora. Soube, por moradores, que o tal flanelinha fica diariamente no local e, quando um motorista caloteiro volta à rua, seu veículo é danificado. Será justo pessoas visitarem seus familiares e ficarem à mercê desse indivíduo?

Luciana Müller, Rio de Janeiro, por e-mail

PM

Enquanto a governadora Rosinha Matheus está se bronzeando tranqüilamente num balneário qualquer, a polícia estadual continua fazendo suas loucuras. Agora, é o coronel Renato Hottz, comandante-geral da Polícia Militar, que, operando apressadamente e no atacado, mandou reincorporar 45 policiais militares que um de seus antecessores havia mandado afastar, com a habitual recomendação de rigoroso inquérito, para que não contagiassem mais ainda a tropa. Para dar mostras da pouca seriedade e muita precipitação com que foi tratada essa perigosa medida, até defunto foi reincorporado à tropa.

Mario Amaral do Carmo, Itaboraí (RJ), por fax

''Wonderful''

Bastou que um casal de alegres turistas mal informado declarasse, depois de um par de caipirinhas, que tudo estava ''wonderful'' no Rio, inclusive na área de segurança, para o secretário Anthony Garotinho se assanhar e transformar essa declaração, solitária e alcoólica, numa verdade absoluta e incontestável. Sem perda de tempo, mandou a agência de propaganda aproveitar a deixa para gastar uma nota preta em loas à segurança do Rio, como se os cariocas ainda se deixassem enganar por esse casal que está nos governando.

Fátima da Silva Alfradique, São Gonçalo (RJ), por fax

Novo Ministério

São mais de 30 ministros. A maioria de São Paulo e do Rio Grande do Sul. O Rio de Janeiro contribui com apenas três. Mas, na hora da reforma, segundo o noticiário da imprensa, os três ministros do Rio, Miro Teixeira, Roberto Amaral e Benedita da Silva, são os candidatos mais prováveis. Sem contar o presidente do BNDES (Carlos Lessa) - também do Rio - que está na frigideira desde o dia de sua posse. Os jornais noticiam, quase todos os dias, o nome de novo presidente para o BNDES. Um paulista, naturalmente. O Rio de Janeiro deu grande votação para o presidente Lula e contribui, mensalmente, com mais de R$ 3,5 bilhões de impostos para a União, e não merece essa discriminação.

Antonio Silvério Leolpodino, Rio de Janeiro, por e-mail

Na vigência do regime militar (1964-85), cinco pastas ministeriais, da área militar, eram privativas de oficial-general. Eventualmente, um ou outro militar, reformado ou agregado, por seu notável saber técnico ou pendores políticos, exercia cargo em escalão superior no âmbito dos demais ministérios. Atualmente, nada menos do que 12 ex-sindicalistas são ministros de Estado e 32 figuram em altos escalões do Executivo, ocupando cargos de secretários, assessores especiais, diretores, presidentes de estatais, dirigentes de fundos de pensões, entre outros. Cumpre notar que apenas um general da ativa, agregado, tem status de ministro no governo Lula, por exercer múnus semelhante ao da antiga Casa Militar. Daí, constata-se que depois da Velha República, da ditadura Vargas, da Nova República, da ditadura militar, da República Nova, temos finalmente a República Sindicalista, tão almejada pela esquerda.

Paulo Marcos Gomes Lustoza, Rio de Janeiro, por e-mail

Guizo no gato

Conta a fábula que, cansados de humilhações e maus-tratos, os ratos resolveram se reunir em assembléia para discutir que tipo de providência deveriam tomar contra o gato. A sugestão mais aplaudida foi a de se colocar um guizo no pescoço do felino. Dessa forma, sua aproximação seria ouvida com antecedência, permitindo rápida fuga a quem se encontrasse em seu caminho. Ao contrário do juiz que decidiu pela reciprocidade de tratamento com os turistas americanos, nenhum ratinho foi tão imprudente a ponto de se oferecer para realizar a tarefa. Agora, o bichano que se encontrava distraído, à procura de desculpas esfarrapadas para usar seu poderio bélico em outras plagas, voltou-se para o lado de cá e já anda espalhando pela internet que aqui existe muita violência, que os americanos sofrem discriminação em nosso território e patati-patata. Para completar o serviço, só falta agora o nosso meritíssima juiz declarar guerra aos EUA.

Mariúza Peralva, Niterói (RJ) por e-mail


[13/JAN/2004]


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