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Jornal do Brasil


A equipe do JB é excepcional. Não há, entre os seus colaboradores, nenhum político oportunista ou de nível inferior ao da equipe. Por isso, um leitor atento observará que outro jornal os imitará e os copiará. Até aí, tudo bem. Mas, agora, houve um exagero: leitor de outro jornal copiar o leitor do JB é demais! O mais importante é o critério democrático da seleção de cartas. Já cansei de enviar cartas com críticas pesadas ao JB e nunca deixaram de ser publicadas. No JB, felizmente, eu posso fazer críticas a seus articulistas. Ainda bem.

Rubem Paes, Niterói (RJ), por e-mail

Caso Staheli

O assassinato do casal de americanos que ocorreu na Barra da Tijuca, está se equilibrando na aresta vertiginosa do surrealismo de Almodóvar, e no suspense das histórias de Agatha Christie. O secretário de Segurança, Anthony Garotinho, deu o último toque no misterioso caso: ''Exames feitos pela perícia indicam que ninguém entrou ou saiu da mansão dos Staheli na noite do crime.'' Se isso aconteceu, o assassino foi uma das pessoas que permaneceram vivas dentro da casa, e não saíram. Os que investigam caso, parecem estar pisando em ovos. Se essa tragédia tivesse acontecido num bairro pobre do Rio de Janeiro, os que sobraram vivos dentro da casa já teriam sido enquadrados como suspeitos e expostos ao público.

Wilson Gordon Parker, Nova Friburgo (RJ), por e-mail

Chamou-me atenção o abafamento do detalhe - num caso em que nada pode ser detalhe, nem passar despercebido, do casal Staheli ser mórmon. A Igreja, chamada de mórmon (de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), tem controle bastante eficiente em relação a seus integrantes. Não só se preocupa com a vida pessoal e profissional do crente mórmon e, de certa maneira, monitora suas relações, ainda mais em se tratando de uma vida no estrangeiro. Não pode acontecer nada de extraordinário com um mórmon sem que a Igreja não esteja preparada para investigar ou compreender ou solucionar, melhor do que ninguém. Talvez a eles não interesse divulgar suas conclusões, mas não podem estar tão baratinados quanto a polícia do Rio.

Lafayette Coutinho Moreira, Rio de Janeiro, por e-mail

Afeganistão

Novo ataque aéreo americano, no Leste do Afeganistão, matou nove crianças. Em julho de 2002, 48 pessoas de uma aldeia afegã foram mortas por bombardeios americanos, quando comemoravam um casamento. Em outro crime contra a população, 11 pessoas de uma única família afegã, foram mortas por bombardeios americanos. São milhares, incluindo crianças, mulheres, idosos e demais civis assassinados por bombardeios, no Afeganistão e no Iraque, nos últimos 2 anos. Os americanos, raras vezes, reconhecem o erro, mas alegam que os ataques visavam o inimigo. Com essas ações criminosas, os EUA só aumentam o ódio desses povos e estimulam o terrorismo.

Antonio Negrão de Sá, Rio de Janeiro, por e-mail

Bangu 4

O assustador é a tentativa de minimizar o fato, transmitido pela TV, dizendo que tudo não passou de encenação para minar a já combalida credibilidade da instituição. Trata-se de um tiro que sai pela culatra, reafirmando a desorganização, a corrupção e a incapacidade organizacional da polícia de coibir mera encenação dentro de presídios sob sua tutela. Se não conseguem evitar tão lamentável episódio, quiçá haverá de combater efetivamente a criminalidade!

Leandro Silvio Katzer Rezende Maciel, Rio de Janeiro, por e-mail

Ao mesmo tempo em que me indignaram as imagens transmitidas pela TV, da feira do pó e do congresso de telefonia celular e radiotransmissores existentes no Complexo Penitenciário de Bangu 4, filmado há 45 dias, refleti e ainda custo a acreditar que as cenas exibidas tenham sido captadas nesse período. Isso porque, o grande investimento anunciado pelo governo do Estado na aquisição dos bloqueadores de celular, instalados nos arredores dos presídios, não permitiria, creio eu, que tantos aparelhos pudessem funcionar ao mesmo tempo e os detentos tivessem tanta facilidade de sinal. Caso seja comprovada a veracidade da data do fato, o governo do Estado deve processar a empresa que implantou o bloqueador fajuto.

Déborah Farah, Rio de Janeiro, por e-mail

As imagens da TV, mostraram como os detentos se divertem, compram e vendem drogas e continuam falando nos celulares - a despeito de se tratar de presídio de ''segurança máxima'' - expondo a incompetência do governo deste Estado. Ao passe que, nós, que não cumprimos pena, nos enclausuramos cada vez mais, e não ousamos mais transitar pelas ruas do Rio depois de certa hora. Nem assim nos sentimos seguros. Enquanto nossos governantes acusam-se mutuamente, e colecionam planos mirabolantes e fracassados, a ousadia dos traficantes parece não ter limites, e o cidadão comum continua à mercê da violência descontrolada. Só lhe resta comemorar, ao fim de cada dia, a vitória de sobreviver ao caos que prevalece nesta cidade, que um dia, já foi maravilhosa.

José Carlos Zebulum, Rio de Janeiro, por e-mail

Acordo de peso

Como leitor e admirador de Alberto Dines, senti extraordinário alento que me fez retornar a esperança de que ainda pode haver entendimento entre os seres humanos. Ao ler o artigo Iniciativa em Genebra (6/12), percebi que ainda há considerável número de seres que pensam e sentem, colocando, acima de suas limitadas apreciações, valores que têm projeções do verdadeiro humanismo.

Luiz Costa Britto, Rio de Janeiro, por e-mail

Gostei muito do artigo de Alberto Dines, Iniciativa em Genebra (6/12). Concordo com a crítica feita à inaptidão da diplomacia brasileira em não se pronunciar a favor da Iniciativa de Genebra, quando do giro de nosso presidente pelo Oriente Médio. Porém, gostaria de lembrar, a respeito da política externa do governo Geisel para o Oriente Médio, conduzida pelo chanceler Azeredo da Silveira, ter sido apelidada de ''pragmatismo responsável e ecumênico''. A Política Externa Independente, citada pelo articulista, refere-se à política externa dos governos Jânio Quadros e João Goulart, do início dos anos 60.

Monique Sochaczewski Batista, Rio de Janeiro, por e-mail

A senadora

Tive o mesmo desconforto de Fritz Utzeri ao ler sua crônica, Impertubáveis pianistas de bar (7/12), de como a mãe da nossa preclara senadora Heloísa Helena, que muito admiro, conseguiu uma aposentadoria de R$ 3.400, via INSS. Eu, que trabalhei por 36 anos, recolhi para o INSS sobre 20 salários mínimos, quando isso era permitido. Depois, sempre paguei pelo máximo da tabela, ou seja, sobre 10 salários mínimos. Consegui me aposentar recebendo a polpuda soma de R$ 1.200. Será que a genitora da senadora é ex-mulher de marido militar, alguém assim, no mínimo, com o posto de coronel? Ou seria de um professor universitário? Como é que se consegue uma aposentadoria dessas não sendo funcionário federal?

Ruy Lopes, Rio de Janeiro, por e-mail

Visibilidade

A imprensa brasileira precisa dar mais visibilidade ao episódio no qual o deputado federal Inocêncio Oliveira foi condenado pela Justiça do Trabalho, em função de praticar a vil exploração de homens do campo, conforme está explicitado na sentença, que afirma ter o deputado mantido, em sua fazenda no Maranhão, 53 trabalhadores rurais em condições análogas as de escravos. A comprovação desse fato não causa surpresa. Nas últimas duas décadas, diversas acusações de utilização de mão-de-obra escrava foram feitas contra o deputado, mas ele sempre conseguiu utilizar o escudo de ser parte da base de sustentação governamental para barrar investigações, coagir acusadores e burlar as sindicâncias da Justiça. Agora, vemos o deputado ser finalmente alcançado pelos braços da lei, pois as acusações foram provadas por fiscais do Ministério do Trabalho, por meio de investigações oficiais. A confirmação da posição escravocrata do deputado, proporcionou base legal para que as acusações fossem aceitas, e o réu sido condenado a pagar as devidas indenizações.

Júlio Ferreira, Recife, por e-mail


[09/DEZ/2003]


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