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Transgênicos


''Repudio o fato de o governo ter editado medida provisória autorizando o cultivo e a comercialização da soja transgênica. Essa atitude é injustificável, torpe - por usar um instrumento autoritário como a medida provisória - e aliena a sociedade do debate. A ação do governo atropela decisões judiciais e é mesquinha ao promover interesses privados em prejuízo do meio ambiente e da saúde dos brasileiros. O governo e o presidente irão colher os mais amargos frutos diante da opinião pública e de antigos eleitores que, como eu, depositaram sua confiança em diretrizes de políticas ambientais de campanha que agora são sabotadas para acomodar acordos políticos menores.''

João Miguel da Costa Aliano, Rio de Janeiro, por e-mail.

''A liberação do plantio de soja transgênica pode causar ao Brasil problemas, a curto prazo, muito sérios para a credibilidade do país nas mesas de negociações sobre comércio. No ano passado, os produtores do Sul do Brasil que plantaram soja geneticamente modificada não tiveram de pagar os chamados royalties à empresa que detém a patente do produto; até por isso esses produtores tiveram um ganho extra na safra passada. Só que essa empresa já anunciou a intenção de cobrar pelo uso do material transgênico. Com isso, cria-se um problema: quem pagará esses royalties, o governo brasileiro, os produtores? Ou o governo vai quebrar a patente para ninguém pagar? Se os produtores não pagarem pelo uso da tecnologia, o Brasil pode ser acusado de estar dando subsídios à agricultura e não terá condições morais de cobrar que os países ricos deixem de subsidiar a sua agricultura, prejudicando vários setores da economia brasileira. Pode até ser liberado o plantio de transgênicos em uma parte do país, desde que os produtores que optarem por essa tecnologia paguem por ela, sem ajuda direta ou indireta do Estado brasileiro.''

Fernando Nogueira Cabral dos Santos, Goiânia, por e-mail.

''Já que a Monsanto ganhou a queda-de-braço até com o presidente da República, que acabou mudando de opinião e mandou um perplexo vice-presidente assinar uma MP que autoriza o plantio de soja transgênica, agredindo o bom senso e o temor da sociedade que acaba sempre pagando a conta, alguém tinha de sair em defesa da população. Foi o prefeito Cesar Maia, que alguns insistem em achar com gestos e trejeitos de um insano Napoleão de opereta bufa, mas que, com sua reação imediata, me pareceu mais lúcido que o dono do hospício. Ele já assinou uma decisão que obriga mercados e supermercados a expor, em prateleiras especiais, os produtos que contenham qualquer quantidade de transgênico, com cartazes visíveis que informem o consumidor. O próprio consumidor deve decidir se quer arriscar sua saúde e a da família, consumindo transgênicos.''

Anselmo do Carmo Vicini, Rio de Janeiro, por fax.

Dívida

''Excelente a colocação do presidente argentino, Néstor Kirchner, na Assembléia Geral da ONU (JB, 26/9). Ele pediu aos organismos internacionais que ''assumam sua quota de responsabilidade'' pela crise do país. E acrescentou: ''É quase uma obviedade assinalar que, quando uma dívida adquire tal magnitude, a responsabilidade não é só do devedor, mas também do credor.'' Kirchner tocou num problema que mais dia menos dia terá de ser discutido seriamente entre todos os envolvidos. A dívida do Terceiro Mundo é impagável e seus efeitos são o desmatamento, a poluição, a ignorância, a violência, a exploração e a corrupção nesses países. Já que o presidente argentino jogou a bola para cima, está na hora de os países, em conjunto, chamarem seus credores para conversar. Tudo diplomaticamente, como exigido nos dias de hoje.''

Otávio Carneiro da Cunha, Rio de Janeiro, por e-mail.

ONU

''À época da criação da ONU e do Conselho de Segurança vários países ainda eram colônias, outros tantos não eram economias industrializadas e o grupo de países com armas nucleares ampliou-se desde então. Portanto, a composição do Conselho e dos membros permanentes com poder de veto é irrealista. Os países importantes em termos regionais devem ter assento permanente no Conselho. E deve-se pensar, talvez , na criação de um assento por região, no qual se revezariam as nações que são importantes e sentem-se feridas nas suas suscetibilidades ao ver um rival regional ter acesso ao CS como membro permanente. O Japão e a Alemanha precisam ter presença política internacional mais significativa, equivalente ao poderio econômico que exibem. Pensar em segurança internacional nos termos atuais é uma ficção. Comprometer potências regionais com a Carta da ONU é uma via importante para inserir certas regiões do mundo nos ideais da entidade; sem dúvida, uma via muito mais inteligente do que o uso da força militar.''

Everton Jobim, Rio de Janeiro, por e-mail.

Amaral Peixoto

''O artigo de Celina Vargas do Amaral Peixoto, de 25/9, sobre o pai encheu-me a alma de boas recordações e de grande regozijo, por ver registradas, num dos mais importantes jornais da nossa imprensa, para conhecimento das novas gerações, as qualidades de um dos maiores homens públicos brasileiros, eleito e reeleito pelo povo tantas vezes, sem jamais apelar para lances de marketing ou gestos de populismo. Líder respeitado de tanta gente do Rio, como meu pai e eu mesmo, Ernani do Amaral Peixoto é ainda hoje referência de espírito público e sabedoria na política; de seriedade e honradez; de eficiência e desprendimento pessoal. Parabéns à Celina e ao JB.''

Roberto Saturnino Braga, senador, Brasília, por e-mail.

Turismo

''A Assembléia Legislativa corre contra o tempo para aprovar o pacote de 23 mensagens do Executivo fluminense. Lamento que no alentado elenco de mensagens tenha sido esquecido o turismo. Todos querem verbas para gastar com a propaganda do Brasil no exterior, mas se esquecem de que milhares de empresários da rede hoteleira nas regiões interioranas sobrevivem com a ocupação máxima de 30% ao ano por falta de uma política pública de financiamento ao consumidor de pacotes turísticos. Com o tamanho dos juros e da carga tributária no processo de compra e venda, cada real investido no consumo retorna aos cofres dos governos multiplicado muitas vezes. Não existe melhor fórmula para criar oportunidades de trabalho, gerar emprego e renda e promover o salto de qualidade de vida que a nação reclama. Falta às elites dirigentes pensar com criatividade e ousadia.''

Orlando Machado Sobrinho, Rio de Janeiro, por e-mail.

Farsa

''A farsa montada no programa de Gugu Liberato, em que atores se fingiram de bandidos e fizeram ameaças à população, é uma das conseqüências desastrosas de prática cada vez mais freqüente entre nós: a de misturar a realidade com a fantasia. Há pouco tempo se fez uma passeata pelo desarmamento que foi também uma filmagem de uma novela de TV. A imagem substituindo ou se confundindo com o real é a marca de uma sociedade que começa a perder perigosamente suas referências e prefere viver na fantasia a enfrentar seus próprios conflitos.''

Mariúza Peralva, Niterói, por e-mail.

Auxílios

''Estará o ministro Ricardo Berzoini, que tanto defende o equilíbrio das contas da Previdência Social, de acordo com a decisão do INSS de prorrogar automaticamente, até novembro do corrente ano, o pagamento dos auxílios por licença médica, em função da greve dos funcionários públicos? A se confirmar a informação é prova eloqüente da falta de rigor nos gastos do INSS, pois esses benefícios só podem ser pagos mediante perícias médicas.''

Antônio Duque Estrada Meyer, Nova Friburgo (RJ), por e-mail.

Verbas da saúde

''Um grupo de deputados do Rio votou a favor do ''desvio'' de 25% das verbas do Fundo Estadual de Saúde para projetos assistencialistas do governo, impulsionado pela passividade dos cariocas. Com emergências lotadas, farmácias vazias, aparelhagens quebradas, falta sistemática de vagas e pacientes morrendo nas filas de atendimentos, como aceitar o desvio de verbas para outros setores? Acho que os irresponsáveis que aprovaram o desvio de verbas em questão deveriam sair de seus gabinetes para avaliar a situação.''

Fernando Monçores Velloso, Rio de Janeiro, por e-mail.

Simonal

''O que fizeram com Wilson Simonal durante todos esses anos - acusações de ter colaborado com a ditadura - foi uma enorme infâmia. A suposta honraria que a OAB lhe confere post-mortem é uma ofensa aos homens de bem.''

Mozart Guariglia de Oliveira, Teresópolis (RJ), por e-mail.


[28/SET/2003]


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