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Juros


''O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic de 22% para 20% ao ano, mas a opinião pública precisa saber que essa taxa nada tem a ver com os juros cobrados pelo comércio nas vendas a prazo, nada tem a ver com os juros do crédito bancário, muito menos com os incríveis juros dos cheques especiais e os de financiamento dos cartões de crédito. A taxa Selic é aplicada sobre a dívida interna de 800 bilhões de reais que o governo rola junto aos bancos. Portanto, a rede bancária não tem por que diminuir as porcentagens que cobra de todos nós. Fala-se que os juros estão vinculados à inflação. Nada disso. O índice inflacionário do IBGE foi de 11,6% em 2002 e atingiu 8% de janeiro a agosto de 2003. Como se vê, os juros reais brasileiros (taxa cobrada menos a inflação) são os mais altos do mundo.''

Pedro do Coutto, Rio de Janeiro, por fax.

''Partindo da premissa de que as taxas de juros ''na ponta''' não acompanham a queda da taxa Selic, o ministro José Dirceu afirmou que ''os bancos tiveram tudo o que pediram'', até Proer, e formulou algumas ameaças veladas, pero no mucho. Há nisso um certo exagero, já que o Proer não foi criado a pedido dos bancos. Isso vale também para o Proes, tábua de salvação consideravelmente maior das confrarias estaduais de crédito. De qualquer maneira, não parece, salvo engano, que os bancos controlados diretamente pelo governo - a Caixa e o BB - estejam dando um exemplo retumbante de corte de juros. As razões não precisam ser procuradas numa eventual indisciplina, e sim no contexto de cunha fiscal, depósito compulsório e inadimplência. Que os juros altos provocam inadimplência maior, é claro. Menos claro fica imaginar que juros baixos acarretariam necessariamente o efeito contrário. Basta ver o que ocorre com a diminuição das multas nos condomínios, diminuição essa usada como meio de financiamento. O termômetro existe, a febre também, mas é necessário tratar bem o paciente, por exemplo não sufocá-lo com impostos. Termômetro não cura. Finalmente, se o resultado semestral do sistema financeiro é impressionante, que tal compará-lo com o da Petrobrás, cuja gasolina nossa de cada dia sobe quando o dólar sobe, mas raramente acompanha a queda da moeda norte-americana?''

Alexandru Solomon, São Paulo, por e-mail.

''As medidas que o governo vem tomando para ''incentivar'' determinados setores da economia através de facilidades ao consumidor final constituem meros paliativos inúteis. Por incrível que pareça, o governo Lula não percebeu o engessamento dos salários nos oitos anos de FHC, a que a atual administração teima em dar continuidade. Sem reposições salariais, o poder de compra a encolher cada vez mais, não há incentivo que leve a maioria da população a se endividar ainda mais, seja qual for a redução da taxa de juros oferecida. A chave do crescimento da economia está no reajuste salarial acima dos índices inflacionários atuais e compensatório das perdas dos últimos anos.''

Maria Helena Ponce Maia, Rio de Janeiro, por e-mail.

Arafat

''Os Estados Unidos vetaram na ONU proteção a Arafat, ou seja: estão dando luz verde a Sharon para escolher entre expulsar e matar o líder palestino. Os Estados Unidos têm a coragem de pretender convencer o mundo de que estão engajados de forma isenta num processo de paz que eles fazem fracassar propositadamente há 50 anos.''

Aristides Massa Rodrigues, Niterói, por fax.

Roberto Campos

''Com o belíssimo artigo de Olavo Luz (17/9) senti-me por uns minutos bem mais jovem, naqueles felizes tempos em que, todos os domingos, longe sequer de sonhar em que um dia iria desfrutar do privilégio da amizade do professor Roberto Campos, corria à banca para comprar o jornal e ler o que o então longínquo mestre escrevia. Essa pseudo-reforma tributária é um acinte à mais rudimentar das inteligências. Como é reconfortante saber que as idéias liberais de Roberto Campos, mesmo com todos os vendavais contrários, permanecem brilhantemente defendidas. A semente, para dar frutos, precisa antes morrer. Sinto-me um desses frutos e, portanto, na obrigação de lutar, na medida do que posso, para passar às futuras gerações esse legado, neste Brasil que idolatra o Estado e subjuga o cidadão.''

Ubiratan Iorio, Rio de Janeiro, por e-mail.

Ary Barroso

''A mídia e o meio artístico continuam devendo uma grande homenagem a Ary Barroso, um dos maiores compositores de todos os tempos. É lamentável a omissão, justo na passagem dos 100 anos de nascimento do artista.''

Armando Fraga Moreira, Rio de Janeiro, por e-mail.

Coisas nossas

''Na TV, famoso apresentador ''encena'' entrevista, para aumentar o índice de audiência, com bandidos de mentira do PCC ameaçando de morte algumas personalidades. É a nossa TV! Na política, muitos parlamentares são analfabetos funcionais e outros são eleitos através de artifícios que envolvem falsas igrejas ''evangélicas'' ou ''doações'' de cestas básicas. São os nossos políticos! No Rio de Janeiro, o governo, em vez de enfrentar a falência dos hospitais, das escolas e da segurança, abre restaurante popular e constrói piscinão. É o nosso governo! Na Justiça, processos simples levam alguns anos para serem despachados. São os nossos juízes! É o Brasil se distanciando a passos largos da civilização. É o brasileiro vivendo com medo, sem perspectiva e com uma qualidade de vida cada vez pior.''

Maria Cândida Miranda, Niterói, por e-mail.

Desemprego

Nas últimas semanas, os principais políticos de Volta Redonda, pré-candidatos ao governo municipal ou com interesse direto na disputa de 2004, diziam que estavam lutando para a implantação do alto-forno 4 da CSN em Volta Redonda, o que garantiria grande geração de empregos no município. Alguns políticos chegaram a anunciar o investimento de milhões de dólares. Mas ao contrário de geração de empregos, a CSN pretende demitir, segundo informou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda e Região, Carlos Perrut. Ele se mostrou pouco preocupado com a situação, já que as demissões afetariam apenas o setor administrativo e não os ''trabalhadores de chão de fábrica''. Mas os trabalhadores do setor administrativo também não têm família? Não precisam se alimentar? Esta é a hora dos políticos deixarem de lado a demagogia e lutarem de verdade pelos empregos na cidade, sem interesse eleitoral.

Caio Nogueira, Volta Redonda (RJ), por e-mail.

Invalidez

''Impressionante a morosidade e a crueldade do INSS para aposentar pessoas comprovadamente incapazes, devido a graves problemas de saúde. Conheço um senhor, há quatro anos e meio de licença médica, constantemente convocado por peritos do INSS a apresentar laudo médico atualizado. Creio que quatro anos e meio de afastamento do trabalho seriam mais do que suficientes para comprovar a invalidez desse cidadão. Perícia em cima de perícia, sem mais necessidade, provam que o INSS ''empurra com a barriga'' o direito das pessoas à aposentadoria. No meu modo de ver, dois anos, no máximo, de afastamento ininterrupto do trabalho por causa de doença já deveriam ser motivo para a concessão da complicada aposentadoria.''

Fernando Al-Egypto, Rio de Janeiro, por e-mail.

Imposto de Renda

''A contribuição previdenciária é item de dedução no cálculo do Imposto de Renda. Se o idoso, com mais de 70 anos, ficar dela isento - como pretende o líder do PFL no Senado -- , essa gente pouco se beneficiará com a medida, uma vez que seu Imposto de Renda aumentará sem aquela dedução. Assim, em vez de agora propor a isenção da contribuição previdenciária, por que o PFL não se reserva para incluir na reforma tributária um artigo que puna essa gente idosa apenas com o Imposto de Renda na fonte, sobre uma única fonte do trabalho assalariado que ultrapasse R$1.058,00, com alíquota máxima de 10%, em tabela progressiva e sem qualquer dedução? O ajuste anual do IR seria obrigatório apenas para quem tem mais de uma fonte, cuja soma ultrapasse os R$1.058,00, e facultativo para quem queira dele se beneficiar. Além da carga de trabalho da Receita Federal ficar assim aliviada, a providência será proveitosa para aqueles a quem tudo é difícil e de alto custo.''

Adail Coaracy de Aquino, Rio de Janeiro, por e-mail.


[19/SET/2003]


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