''O que chama a atenção na reportagem
Baixo consumo puxa queda da economia (página A20, 29/8) é a discordância entre os especialistas sobre o termo ''recessão''. Quando e de que forma se caracteriza ou não a recessão? Consultei bibliografia especializada e recorri a alguns dicionários: recessão nada mais é do que retração ou queda da atividade econômica. Portanto parece irrelevante a discussão sobre os critérios que definem recessão. O que importa são os dados divulgados pelo IBGE e demonstrados na reportagem, ou seja, o país está mergulhado numa retração de suas atividades econômicas, evidenciada pelo alto índice de desemprego, pela queda do consumo das famílias e pela queda dos investimentos. Esses dados são agravados pelos péssimos indicadores da produção, como podem ser vistos na agropecuária, na indústria e nos serviços, e pela arrecadação tributária sobre produtos.''
Antonio da Silva Gonçalves, Rio de Janeiro, por e-mail.
Dívida
''Desde que me entendo por gente, todos os governos, em Brasília ou no Catete, apertam o torniquete do Fisco e espremem o nosso bolso para atender às exigências do FMI e nos tomar as últimas moedinhas para os juros impagáveis e sempre crescentes. O número mágico é 4,25% do PIB, uma montanha de dinheiro que sai sem trazer qualquer benefício ao país. Há algo de muito podre por trás dessa história que nenhum governo teve coragem de contar. Não dá para ficar esmagado indefinidamente pelo insensível agiota internacional que atende pela alcunha de FMI. Assim não sairemos do lodo de nossa miséria.''
Camilo Ferreira Soares, Rio de Janeiro, por fax.
Academia
''A Academia Brasileira de Letras é instituição das mais respeitadas pelo povo brasileiro, reserva intelectual da nação; não só pela qualidade literária de seus membros originais, como pela rigidez do padrão com que vem, ao longo dos anos, fazendo a escolha dos novos ocupantes de suas cadeiras. Infelizmente, a ABL resolveu entrar na ''era do marketing'', e vem sacrificando a sua postura quanto ao processo de seleção, abrindo vagas para políticos que, em que pese uma postura cívica absolutamente digna, estão longe de ser considerados expoentes da literatura brasileira.''
Júlio Ferreira, Recife, por e-mail.
Aviação
''Às empresas brasileiras foi reservado o mercado doméstico da aviação, tal como nos demais países. O mercado internacional é partilhado com empresas estrangeiras, com a devida reciprocidade. Entretanto, na permanente crise em que vive, a aviação comercial brasileira está em estágio terminal, já que o Estado exauriu-se em socorrê-la financeiramente. A falência inevitável das companhias de aviação brasileiras aponta para a transferência do seu controle ao capital estrangeiro. Será essa a solução? Fomos criativos e bem-sucedidos quando inventamos as sociedades de economia mista para desempenhar algumas atividades fundamentais no desenvolvimento do país. O capitalismo nacional era insuficiente para essas atividades e o internacional não as considerava atraente. Está aí a Petrobras como maior exemplo e orgulho nacional de que somos competentes para vencer os desafios. Essa é a alternativa indicada.''
Roldão Simas Filho, Brasília, por e-mail.
Programa espacial
''Os que criticaram José Sarney pela iniciativa da construção da Base Espacial de Alcântara e estruturação do Programa Espacial Brasileiro, como ambientalistas e preservacionistas, puderam ver a segurança da base e do projeto em relação ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e arquitetônico da cidade, que nenhum dano sofreram com o terrível acidente de 22/8. Houve danos físicos, mas restritos à área específica da base. Resta ao governo liberar as verbas, sem limites, para o imediato soerguimento da nossa soberania espacial. Recuso-me a crer que um governo de esquerda e nacionalista tenha liberado este ano só 10% das verbas do Programa Espacial, conforme ventilado na mídia.''
João Diogenes Caldas Salviano, Recife, por e-mail.
Nobel
''A indicação de Sérgio Vieira de Mello para o Nobel da Paz é uma das mais acertadas da história de vida da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Sugiro sugiro que o Congresso busque apoio à indicação junto a outras casas legislativas, governos e organizações não governamentais. O prêmio in memoriam será mais uma vitória daqueles que almejam a paz mundial e o retorno do homem à sua essência de ser que pensa, sente, age e constrói para o benefício coletivo.''
Márcio Dison, Florianólpolis, por e-mail.
Educação
''Um Estado como o Rio de Janeiro pode considerar este ano perdido. O governo estadual conseguiu o quase impossível: piorar, e muito, a qualidade do ensino público. Muitas escolas funcionam sem professores de matérias essenciais. Em alguns Cieps, alunos de séries diferentes estão assistindo às aulas juntos, e os alunos do terceiro ano do segundo grau são os mais prejudicados, pois não estão recebendo o conteúdo programado. A Secretaria de Educação conta com enorme lista com os nomes dos professores aprovados no concurso de 2001 e só não os convoca porque não há vontade política.''
Hugo Meirelles, São Gonçalo, por e-mail.
Debate cultural
''Sou professora de história, e a questão cultural tem sido uma das minhas preocupações, porque acredito ser muito difícil o desenvolvimento da educação desvinculado da cultura popular. Nesse sentido, considero oportuna e feliz a carta de Emanuel Cancella, de 24/8. Concordo com a necessidade de retomada do debate cultural no país.''
Helena Maria de Souza, Rio de Janeiro, por e-mail.
Condecoração
''O Brasil não é um país sério. Quem disse tal frase, seja lá quem for, acertou na mosca. O Duque de Caxias deve ter se retorcido no túmulo ao ver que a gloriosa Medalha do Pacificador se transformou numa bijuteria. Por favor, senhores bajuladores de plantão: não maculem a honra do grande brasileiro que com muito patriotismo não permitiu que o país se transformasse em republiqueta, a exemplo do que ocorreu muitas vezes na América Latina. Temos de voltar a ter orgulho do que é nosso e não podemos banalizar tão importante honraria.''
Cláudio Fontana Strazzi, São José do Rio Preto (SP), por e-mail.
''Fiquei estarrecido ao saber que José Genoino recebeu a Medalha do Pacificador. Não só ele, mas muitos outros alçados a altos cargos públicos graças a jovens desinformados e pessoas sem esclarecimento. Essa homenagem é uma ofensa às Forças Armadas, notadamente ao Exército Brasileiro.''
Helio S. Sadayuki, Rio de Janeiro, por e-mail.
Idosos
''Infelizmente existem no mercado lojas de departamento, bancos, financeiras e seguradoras que negam financiamento e venda de seguro de vida a idosos, alegando que os custos da contratação são muito altos. Ou seja, muitas instituições restringem o crédito para quem tem mais de 60 anos. Essa conduta, além de abusiva, impede o acesso dos idosos a produtos bancários e ao crédito a prazo. É pura discriminação contra os mais velhos. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor nenhum banco ou loja pode recusar financiamento por causa da idade do consumidor. Também o artigo 5º da Constituição proíbe qualquer tipo de discriminação por causa da idade. As autoridades devem ficar atentas a essa prática.''
Sergio Tannuri, São Paulo, por e-mail.
Impressoras
''O leitor Silvio de Barros Pinheiro (Cartas ao Editor, 28/8) tem razão ao trazer à tona o elevadíssimo preço cobrado por um cartucho de impressora a jato de tinta. Um fato, porém, pouco se comenta: a maioria das fábricas de impressoras não trabalha mais com os modelos matriciais e optou pelos jato de tinta. A única impressora matricial que ainda pode ser encontrada nas lojas está com o preço nas nuvens. Parece que o seu fabricante está preocupado em vender só as de jato de tinta, devido ao elevado lucro aparente oferecido com a venda do correspondente cartucho.''
José Carlos B. Trindade, Rio de Janeiro, por e-mail.
Propaganda
''Constrangedora e de mau gosto a propaganda de uma nova cerveja que, para criticar as concorrentes, expõe uma senhora falando de seu traseiro no passado. Se a nova cerveja for tão ruim quanto a sua propaganda, não há com que os concorrentes se preocuparem.''
Abel Pires Rodrigues, Rio de Janeiro, por e-mail.