''Com Sérgio Vieira de Mello a humanidade perde um pedaço de esperança. Com sua morte, a ignorância, a violência e a estupidez dão um tabefe no rosto da paz, à qual esse homem dedicou sua vida e em prol da qual a perdeu.''
Juan Antonio Moya, Niterói, por e-mail.
''O cenário internacional, ainda hoje dominado pela força bruta, encontrava na independência de Sérgio Vieira de Mello a expressão de justiça de que a paz mundial necessita para se sustentar. No posto de alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, cargo de destacada relevância reconhecida pela comunidade internacional, o brasileiro correspondia com louvor à expectativa, ao sobrepor a lealdade a seus ideais a qualquer outro interesse pontual. Morre Sérgio Vieira de Mello, um homem livre, mas não morre a liberdade nem a capacidade de sonhar um mundo melhor.''
Rodrigo Terra, Rio de Janeiro, por e-mail.
''É com profundo lamento que recebi a triste notícia de que Sérgio Vieira de Mello faleceu depois de um atentado à sede da ONU em Bagdá. Ele dedicou parte de sua vida à luta pela preservação dos direitos humanos. O número de pessoas que direta ou indiretamente ajudou, nos programas da ONU de que participou, como em Bangladesh, no Sudão, em Chipre, Moçambique e no Peru, é incalculável. Sempre admirei essa honrada figura, que ficará na memória do povo e na história da nação.''
Igor Rios, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Ninguém pergunta a coisa mais importante: por que é que isso aconteceu? A resposta é simples: porque a guerra do Iraque não deveria ter acontecido. É bom relembrar que a guerra teve início quando outro digno brasileiro foi sacrificado por querer evitá-la: o embaixador Bustani, indicado ao Nobel da Paz. Sérgio Vieira - que nem era diplomata, mas brilhou como tal - partiu justamente por ser uma daquelas raras pessoas que lutavam, arriscando a própria vida, por um mundo melhor, ao contrário dos pacifistas de gabinete e ar-condicionado. Ele foi fundamental em Kosovo, decisivo no Timor Leste e certamente seria excepcional na sua nova missão, a reconstrução do Iraque. Era o homem certo para estar à frente do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU. Mas ontem estava no lugar errado.''
Milton Córdova Júnior, Brasília, por e-mail.
''Assassinaram a paz. A entrevista da jornalista Sonia Araripe, no JB de 17/8, mostrou que o alto comissário da ONU Vieira de Mello sabia da missão que tinha: ele disse, na entrevista, que tinha dois ''coletes à prova de bala'': o fato de Deus ser brasileiro, e o estabelecimento de boas relações com as partes envolvidas no conflito.''
Luis Fernando Bello, Rio de Janeiro, por e-mail.
''A morte do diplomata Sérgio Vieira de Mello mancha de sangue a bandeira da paz que, em nome na ONU, ele sempre empunhou. O atentado contra Mello e dezenas de outras pessoas, mortas e/ou feridas, merece o mais veemente repúdio de todas as forças vivas do planeta. O que está em jogo no Iraque não é a supremacia desse ou daquele país, dessa ou daquela religião, mas sim a defesa do direito à vida dentro de um regime democrático.''
Márcio Dison, Florianópolis, por e-mail.
''Representam as Nações Unidas e representava Vieira de Mello um obstáculo aos ''projetos'' norte-americanos para o Iraque?''
Henrique de Abreu Lima, Rio de Janeiro, por e-mail.
''A morte de Sérgio Vieira de Mello deixa o mundo triste. Para nós brasileiros, mesmo os que não o conheciam, e nunca ouviram falar nele, uma mistura de dor e orgulho explodiu dentro de nosso peito, tão vazio de emoções patrióticas. Todos esperam que o atentado à sede da ONU em Bagdá e a morte de Sérgio Vieira de Mello não sejam em vão. Todo brasileiro deve se orgulhar de ter sido contemporâneo de Sérgio Vieira de Mello.''
Wilson Gordon Parker, Macaé (RJ), por e-mail.
''A morte do embaixador Sérgio Vieira de Mello é resultado de dois terrorismos: o religioso e o econômico. Ambos frutos da insensatez dos homens que, paradoxalmente, buscam a paz pela via da violência.''
Domingos Oliveira Medeiros, Brasília, por e-mail.
''Representante da ONU em Bagdá, descendente de tradicional família de políticos e diplomatas, Sérgio Vieira de Mello, um brilhante apaixonado pela defesa dos direitos humanos e da dignidade dos povos, tombou como mais uma vítima inocente do terrorismo, da guerra que se eterniza no mundo, e da ocupação militar de um país por outro. Os atentados do terror suicida que desabam como um raio da morte em qualquer lugar, em qualquer hora, são a conseqüência mais trágica da própria tragédia humana. Há quase 200 anos o universo não vive um só dia de paz. O conflito de sangue, parece incrível, predomina, apesar de todo o avanço científico e cultural. A ocupação física de um território nunca levou ao êxito, mas se repete. Explicar como? Vieira de Mello morreu no vértice da contradição da violência alucinada de duas faces. Lá se foi, aos 53 anos. A explosão de ontem cortou para sempre a contribuição de mais um humanista de nosso tempo.''
Pedro do Coutto, por fax.
''O terrorismo fanático ceifou, prematuramente, a vida do diplomata Sérgio Vieira, sempre preocupado com a proteção dos civis nas áreas de conflito por onde atuou, com especial destaque quando esteve no Timor Leste. Perdem o Brasil e o mundo.''
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro, por e-mail.
''A quem interessaria o ataque à ONU e, particularmente, ao embaixador Sérgio Vieira de Mello, que tanto fez pelo povo iraquiano? A ONU foi contra a guerra, dava apoio humanitário aos iraquianos e ajudava na reconstrução do Iraque. O fato é que terrorismo é coisa séria e deve ser combatido em todas as esferas, pois para terroristas o mais importante são os meios, não importando se os mortos serão civis e inocentes. Sabendo-se que qualquer ocidental é tratado como infiel e inimigo, faz-se necessária uma proteção ostensiva através da força de coalizão da ONU a todos os estrangeiros presentes naquele país.''
Rosimere Euzébio, Rio de Janeiro, por e-mail.
''A perda do brasileiro Sérgio Vieira de Mello revela as dificuldades do pós-guerra no Iraque e a ineficiência dos EUA em manter a ordem nesse país. Trata-se de uma morte que abala as ações humanitárias da ONU e mantém a paz como um sonho utópico.''
Leandro Silvio Katzer Rezende Maciel, Rio de Janeiro, por e-mail.
''É tamanha a miopia dos antiamericanistas, que não conseguem perceber um fato simples: o abandono do povo iraquiano e a insegurança já existiam enquanto Saddam estava no poder, quando se sucediam os massacres, as torturas e os assassinatos indiscriminados por um ditador e seus capangas brutais que continuam mostrando seus métodos. O acontecimento de ontem é mais uma lembrança ruim que os brasileiros, a diplomacia em especial, irão levar do Iraque.''
Marcello de A. Maranhão, Belém, por e-mail.
''O martírio do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello coloca-o na galeria de heróis da pátria! Seja qual tenha sido a força oculta que perpetrou o atentado monstruoso, visava a desmoralizar definitivamente a ONU. Foi um crime contra a humanidade!''
Fernando d' Ávila, Rio de Janeiro, por fax.
''As palavras são pobres para exprimir minha decepção e revolta contra mais um atentado covarde, desta vez ao embaixador Vieira de Mello. Só um fanático terrorista não é capaz de valorizar o trabalho social e humano de um homem de valor. Ser contra o terrorismo não significa ser a favor da hegemonia americana. Um terrorista atua no limite da animalidade, movido pela energia do ódio. Minhas condolências à família do embaixador e a todos que preservam sua humanidade.''
Marcos Cornet, Rio de Janeiro, por telefone.