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Lula e o MST

''Dora Kramer (3/7) nos concede a mais lúcida análise do significado do encontro do presidente Lula com os líderes do MST. É desconfortável e estarrecedor para os cidadãos comuns ver na TV a confraternização do presidente com grupos que promovem saques, bloqueiam rodovias, invadem prédios públicos e ignoram ordens do Poder Judiciário. Pior ainda é ver o ministro Rosseto classificar esses atos como ''manifestações legítimas da classe trabalhadora''. A classe trabalhadora que eu conheço não faz manifestações com porretes, facões e foices.''

Luiz Carlos Lima, Rio de Janeiro, por e-mail.

''Vi na TV uma cena do intervalo da reunião de Lula com o MST. Boné na cabeça, o presidente bate bola e brinca com os representantes do movimento, entre sorrisos e abraços, como numa confraternização entre amigos. Imagino o que estará pensando ao contemplar essas imagens um proprietário rural, transportador de carga, comerciante ou quem quer que tenha tido sua propriedade invadida, ocupada e saqueada. De minha parte, recordei um outro momento, de 40 anos atrás, em que o almirante Aragão era carregado em triunfo por marinheiros, acenando alegre para os fotógrafos como o ''almirante do povo''. Espero que Lula ponha a cabeça no lugar e não desperdice os votos nem as esperanças dos que o elegeram. Ou dos que, ainda que não tenham sufragado seu nome, esperam que seu governo dê certo e que ele possa fazer do Brasil um país melhor.''

Sérgio Tôrres, Rio de Janeiro, por e-mail.

''Lamentável que o presidente Lula receba no Palácio do Planalto os líderes de um movimento que prega e executa abertamente o desrespeito ao direito de propriedade, à lei e à ordem. Enquanto recebia os líderes do MST as invasões prosseguiam. O governo deve tomar ações que na prática provem que não está avalizando incondicionalmente as pretensões dos sem-terra. A lei existe para ser cumprida.''

Dion de Assis Tavora, Rio de Janeiro, por e-mail.

''Como disse a colunista Dora Kramer no esplêndido artigo O alto preço de um boné (3/7): ''Ao MST não interessa a paz nem a negociação''. E o povo é que é o prejudicado.''

Carlos Arthur Schwarz, Vitória, por e-mail.

Passe livre

''O cerne da questão da polêmica do passe livre nos ônibus é a queda salarial das famílias. O empresário pretende o lucro, e não está errado, pois não seria empresário. É verdade que explora uma concessão que não lhe custou muito, mas fez investimentos e quer retorno. O social tem de ser feito pelo governo, com seus recursos. Por que o Estado não compra vale transporte e distribui entre os que têm direito? Por que é trabalhoso, burocrático ou por que não tem dinheiro para isso? Era previsível essa situação, ainda mais com a alta dependência da população do transporte de ônibus. Parece que, deliberadamente, menosprezaram-se os outros tipos de transporte - trem e metrô, por exemplo. Fizeram a festa das montadoras.''

Panayotis Poulis, Rio de Janeiro, por e-mail.

''Impressionante como no Brasil a Justiça só decide em favor dos poderosos. Graças a decisões como essa, e a que restabeleceu os salários milionários da Assembléia Legislativa, é que nossos magistrados não andam com bom conceito. A derrubada do passe livre para estudantes e idosos é antipática, impopular e socialmente injusta. Gratifica só os interesses de uma categoria cujas relações com o poder público são, no mínimo, nebulosas.''

Roberto Rocha, Rio de Janeiro, por e-mail.

''A questão do passe livre nos ônibus do Rio está indo longe demais, causando graves distúrbios e inconvenientes aos beneficiários e aos motoristas das empresas que exploram esse segmento do transporte urbano. Será possível que os governantes não sejam capazes de resolver nem mesmo esse problema?''

Marco Aurélio Chaudon, Rio de Janeiro, por e-mail.

''Lamentável a atitude do motorista que não quis abrir a porta do ônibus para um estudante, uma criança, de 12 anos de idade, e o arrastou e atropelou, matando-o, para não permitir que ele viajasse de graça. Fico imaginando se esse motorista teria a mesma atitude se, em vez do estudante fosse um daqueles ''galalaus'' de bermuda e sem camisa que entram pela frente, na maioria dos ônibus da cidade. Mas era uma criança uniformizada.''

João Carlos Gomes, Rio de Janeiro, por e-mail.

Combustíveis

''O governo arranjou mais um pretexto para não baixar o preço do combustível. Agora é a crise da Nigéria. Vamos continuar a fazer papel de idiotas perante a oligarquia que faz o que bem entende impunemente.''

Silvio de Barros Pinheiro, Santos (SP), por e-mail.

''Ninguém diria que a Nigéria seria fator preponderante para que a redução do preço da gasolina fosse cancelada. O governo continua com suas bravatas inconseqüentes.''

Abrahão Taublib, Rio de Janeiro, por e-mail.

Previdência

''A reforma da Previdência é uma necessidade que o país reivindica. Entretanto, é preciso separar o ''joio do trigo''. Há privilégios, e ninguém desconhece, principalmente na Justiça e no Legislativo. A responsabilidade por um Estado paternalista e fisiológico é dos governantes e legisladores. O governo precisa tomar cuidado para não massacrar os aposentados no futuro, por exemplo acabando com a paridade. O risco de os aposentados se distanciarem dos salários dos ativos é real. Na hora de conceder aumentos ninguém vai se lembrar dos aposentados. A lógica da contenção de despesa, pelos governantes, vai existir sempre. Outro risco é definir valores futuros - R$ 1.058 ou R$ 2.400 - sem atrelá-los ao salário mínimo. Ninguém desconhece a vulnerabilidade da nossa moeda.''

Antonio Negrão de Sá, Rio de Janeiro, por e-mail.

Presídios

''O Estado gasta verba instalando bloqueadores de celulares nos presídios de Bangu. Não seria o caso de investir numa política preventiva? Todos que entrassem nesses estabelecimentos seriam examinados rigorosamente, para que os aparelhos não chegassem às mãos dos detentos. E seriam instaladas portas giratórias semelhantes às existentes nos bancos (ou ao sistema existente nos aeroportos), pelas quais ninguém consegue entrar se estiver portando um molho de chaves, por exemplo, o que, não raro, causa constrangimento a todos que querem, tão somente, pagar uma conta.''

Fernando Duarte Gomes Cancela, Rio de Janeiro, por e-mail.

Transmissão

''Terminada a partida de anteontem, no Morumbi, esperava que a única emissora que transmitia o evento nos mostrasse a justa comemoração dos jogadores do Boca Juniors e os belos gols que lhe garantiram o título. Para minha surpresa, as câmeras só focalizavam os atletas do Santos com suas rezas e entrevistas, camuflando os heróis da noite. Aqui no Rio torço pelo Flamengo, e em São Paulo, pelo próprio Santos. Mas antes de mais nada quero reportagens imparciais. E o que se viu foi um fim de transmissão tendencioso, com a valorização dos perdedores.''

Mário Weikersheimer, Rio de Janeiro, por e-mail.

Teatro Municipal

''Li na coluna Boechat a resposta do Teatro Municipal a declarações feitas pelo maestro Tibiriçá, em público, no concerto do dia 29/6, criticando a ''má administração'' da casa. É impressionante como o teatro tem sempre uma desculpa para os seus erros. Jamais os reconhece. E, como o princípio básico para a transformação é o reconhecimento dos próprios erros, julgo que jamais evoluirá. Gostaria de que me explicassem então como podem ter emitido o meu ingresso em duplicidade no último domingo. Comprei o ingresso e tive ainda de me aborrecer, pois um outro senhor possuía um ingresso para o mesmo lugar, comprado a cambistas. Será que os cambistas têm facilidades que nós, do público, não temos?''

Paula Porto, Rio de Janeiro, por e-mail.

Congestionamento

''Há três dias que os moradores da Barra da Tijuca são obrigados a enfrentar congestionamento na Avenida Niemeyer devido a um buraco na pista, nos dois sentidos, em frente ao Vidigal. Nenhum órgão municipal toma providência.''

Luiz Serpa, Rio de Janeiro, por e-mail.

[04/JUL/2003]

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