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Agências

''Em vez de capitular no episódio do absurdo aumento da telefonia fixa, o governo Lula deveria ter a coragem de enviar ao Congresso medida provisória ou, se for o caso, propor emenda constitucional para modificar as atribuições da Anatel, órgão que se notabilizou nos últimos anos por acatar, com submissão, os pedidos de reajustes de operadores de telefonia, como se fosse mero carimbador de aumentos. Se o governo tem, como alardeia, maioria parlamentar, é hora de fazer a reforma das agências reguladores, pois também a Aneel parece desconhecer o que significa interesse público.''

Amadeu Luiz Erthal, Nova Friburgo (RJ), por e-mail.

Inflação

''O governo só baixará os juros se a inflação ceder. Mas continua autorizando aumentos extorsivos para energia elétrica, telefone, água, pedágio e combustíveis, ou seja, joga gasolina na fogueira da inflação, enquanto foge dos aumentos salariais como o diabo da cruz.''

Silvio de Barros Pinheiro, Santos (SP), por e-mail.

Fome

''Como perguntar não ofende, e a título de colaborar para a reflexão do governo em relação ao Fome Zero, destaco: 1 - No caso dos alimentos, não exportamos muito do que falta aos brasileiros? 2 - Com tanta terra sobrando, por que importamos trigo, por exemplo, e perdemos divisas? 3 - Por que agricultores catarinenses queimam toneladas de alho e importamos o produto da China? 4 - Por que suinocultores dizem não ter o que fazer com excedentes do produto enquanto milhares de brasileiros passam fome? Quem se habilita a responder?''

Márcio Dison, Florianópolis, por e-mail.

Inativos

''A imprensa não usa a expressão correta quando diz que o governo Lula quer ''taxar os inativos''. Eles já foram ''taxados'' pela legislação em vigor. O governo quer, sim, a ''recobrança dos inativos'', obrigando-os a pagar outra vez pelo direito que já adquiriram, após os prazos de recolhimento das contribuições compulsórias, descontadas nos contracheques. Dou um exemplo claro e simples de ''direito adquirido'': se alguém comprou um apartamento ou um carro para quitá-lo em 30 meses, após a 30ª prestação os vendedores não poderão cobrar mais nada, pois o comprador, para os efeitos legais, adquiriu o direito de propriedade. Não deve nada a ninguém - exatamente como os inativos. A recobrança dos inativos é uma monstruosidade jurídica que abre as portas a novas agressões legais à sociedade.''

João Carlos Teixeira Gomes, Rio de Janeiro, por e-mail.

''Por que não se usa o processo de capitalização para a aposentadoria? Será que os responsáveis pela reforma da Previdência não confiam no governo e acham que alguém, quando verificar que o montante acumulado para pagar os aposentados está muito alto, irá lançar mão dele para outras finalidades?''

Carlos Fraga, Rio de Janeiro, por e-mail.

''Será que algum vendedor desses planos de previdência de bancos e companhias de seguro conseguiria cliente para essa espécie de arremedo tributário, erroneamente chamado de ''reforma da Previdência'', que o presidente Lula combinou com os 27 governadores imediatistas, para cobrir seus eternos e insolúveis ''problemas de caixa''?''

Fernando Salinas Lacorte, Rio de Janeiro, por e-mail.

Estilo

''Dora Kramer deu-nos aula de Direito Constitucional sobre o equilíbrio e a autonomia dos três poderes (26/6), mas exagerou no julgamento das inflamadas palavras de Lula no Senai. Cada presidente tem seu estilo. No jogo democrático são normais as manifestações de impaciência e exasperação com a lentidão do debate, o contraditório. No entender de Lula, 52 milhões de votos e prestígio internacional não justificam as reações que encontra no Congresso e no Judiciário. Lula tem de se habituar com a realidade do poder.''

Marco Aurélio Chaudon, Rio de Janeiro, por e-mail.

Impostos

''O leitor Antônio Carlos Viana Braga (24/6) reclama de que o Brasil é o único país do mundo onde se paga imposto para pagar imposto. Esqueceu-se de que também pagamos imposto para receber o salário que é depositado em conta bancária.''

Osmard Andrade Faria, Florianópolis, por e-mail.

Corte de energia

''Já está virando rotina e não se vê providência. Os moradores das imediações do antigo Jardim Zoológico e do campo da Light são brindados, quase semanalmente, com cortes no fornecimento de energia elétrica por essa ou aquela falha. Já é quase rotina ouvir-se um estouro e cair uma fase ou faltar luz por alguns segundos, com risco de queima de aparelhos. Sem falar de que quando chove ou venta é certa a falta de luz. A ocorrência tem sido tão constante que perde-se a confiança no fornecimento, pois não se sabe qual será a próxima surpresa. Seria aconselhável verificarem o que está ocorrendo.''

Panayotis Poulis, Rio de Janeiro, por e-mail.

Jornalismo

''O trabalho de Beatriz Bissio, mostrado na reportagem Visão da resistência, de Ana Cecilia Martins (Caderno B, 21/6), dá sentido à nossa profissão, tão combalida e aviltada. Quando Beatriz começou a publicação de Cadernos do Terceiro Mundo vivíamos em plena ditadura. Eram tempos em que viver e discordar era correr riscos. Tempos em que não havia sentido para outro jornalismo que não o investigativo. Ou se reproduziam press-releases ou se investigava. Beatriz Bissio optou pela segunda via e está aí, nessa história belíssima de vida e profissão, uma aula magna de jornalismo. A foto de Evandro Teixeira captou bem o olhar de realização profissional da entrevistada, uma vitoriosa, sem dúvida!''

Ana Lagôa, Rio de Janeiro, por e-mail.

Concurso

''É com preocupação que vejo a situação em que se encontra o concurso da Cedae, que teve como taxa de inscrição o valor de R$ 90 para os cargos de nível médio. Foi homologado em dezembro e até agora não chamou nenhum dos candidatos aprovados e classificados dentro do número de vagas. Pela lei, o empregador tem de chamar os classificados até 180 dias após a homologação, o que a Cedae não fez. O prazo expirou no dia 17/6 e não foi dada uma satisfação plausível para a não convocação. Esse desrespeito à lei põe em risco a idoneidade e a credibilidade dos concursos públicos. As pessoas se dedicam, estudam para ser classificadas, conseguem passar e não são chamadas. Já que a impunidade prevalece no país, o desrespeito às leis torna-se uma constante.''

Carlos Eduardo Assis Campos, Rio de Janeiro, por e-mail.

Paquetá

''É ultrajante o aumento instituído por Barcas S/A para a travessia de Paquetá ao Rio (R$ 3 nos dias úteis e R$ 6 nos fins de semana e feriados). A população de Paquetá é de baixa renda e essas tarifas oneram os trabalhadores e vetam o lazer nos fins de semana em outros locais da cidade do Rio. É estranho que Barcas S/A, concessionária com cláusulas contratuais derivadas de ser o meio de transporte preferencial para a ilha, não esteja preocupada com o cidadão mas só com o lucro.''

Renata Quintanilha, Rio de Janeiro, por e-mail.

Ônibus

''É inacreditável o que acontece no transporte coletivo no Rio de Janeiro. A implantação de roletas na parte dianteira dos ônibus é um abuso das empresas, na ânsia de lucros mais altos. Querem punir aqueles que mais necessitam da passagem gratuita: estudantes de escolas públicas e idosos - diga-se de passagem que a lei ampara esses casos. Limitar o número de assentos, além de ser imoral, prejudica as pessoas devido ao tumulto causado pela falta de espaço entre a porta dianteira e a roleta.''

Euclides Neto, Rio de Janeiro, por e-mail.

''Está na memória de todos a tentativa inútil do atual chefe do Executivo municipal de diminuir os ônibus na Zona Sul e aumentar os da Zona Oeste. Se houvesse um órgão competente, que no caso seria a SMTU, essa repartição veria que os passageiros de Jacarepaguá, mais precisamente das áreas da Gardênia Azul, Engenho D'Água, Anil e Montela, que utilizam a linha 268 (Praça XV-Riocentro), sofrem com os desmandos da empresa Redentor, detentora do monopólio naqueles locais, cujos veículos, além de escassos, estão velhos e mal cuidados.''

Marco Antônio de Morais, Rio de Janeiro, por -e-mail.

[30/JUN/2003]

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