''A baixa de 26,5% para 26% na taxa de juros é igual à tentativa de salvar o infeliz que se está afogando em piscina de oito metros de profundidade transferindo-o para outra com sete de fundo, a ver se consegue sobreviver. Ou seja, é trocar seis por meia-dúzia.''
Orlando Lovecchio Filho, Santos (SP), por e-mail.
CPI do Banestado
''Temos agora mais 30 bilhões de motivos para questionar a integridade dos políticos. É inadmissível tantos senões para a instalação de uma CPI que apuraria o escândalo dos US$ 30 bilhões enviados ao exterior. O político ou o partido que se posicionar contra deveria ter o nome divulgado à nação e encaminhado à Justiça. Não há explicação política, filosófica, econômica ou transcendental que justifique o boicote à CPI. A explicação é moral, ou melhor, é devida à falta da mesma.''
Fernando Monçores Velloso, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Enquanto o governo se contorce como odalisca ensandecida para buscar argumentos e fingir atitudes que escamoteiem a volúpia de ver a CPI do Banestado não sepultada, mas cremada de vez e as cinzas dispersas em local inacessível, vem o senador Almir Lando e, num paroxismo de concisão vernacular, diz na TV, em horário nobre (crianças inocentes ainda acordadas), que ''não se pode botar o ventilador na farofa''. De Gaulle foi criticado por muita gente porque disse que não éramos um país sério. E somos?''
Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro, por e-mail.
Reforma
''O presidente comparar um cortador de cana a um professor universitário é, no mínimo, ofensivo aos dois lados. O cortador de cana está sendo usado por um ex-operário, como foi usado ao longo de oito anos por um doutor. O cortador de cana não está preocupado com a reforma da Previdência, importante só para o bolso do funcionário público. O presidente deveria era dar condições de vida e sustentabilidade aos trabalhadores, que geralmente trabalham a vida toda para não morrer de fome. Aos 60 anos, eles já trabalharam mais de 35, mas continuam, até morrer. Quanto ao professor universitário público, responsável por mais de 90% das pesquisas que se desenvolvem no pais, merece mais respeito pelo trabalho nobre e importante que desenvolve.''
Jorge Paladino Correa de Lima, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Cerca de 4 mil juízes e membros do Ministério Público em todo o país participaram de atos públicos contra a proposta de reforma da Previdência. Eles querem manter a aposentadoria integral e outros benefícios. A Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul chegou a parar por 24 horas, com ameaças de repetir a paralisação se o governo não atender às reivindicações. Nunca se soube de manifestações públicas de juízes e procuradores contra a lentidão, o elitismo e a desorganização da Justiça. A categoria é boa no corporativismo.''
Waldemar Weller, Rio de Janeiro, por e-mail.
Vigilância Sanitária
''O que é que a Vigilância Sanitária vigia? Se o Estado fosse uma empresa, todos os funcionários desse setor seriam demitidos por incompetência e ineficiência. O laboratório realizava a mágica proeza de vender maior quantidade do medicamento do que seria possível produzir com a quantidade de matéria- prima comprada, algo facilmente detectável com um mínimo de esforço e tecnologia, como um computador cruzando essas informações. Imagino quantos outros laboratórios estariam apenas reduzindo a dosagem de princípio ativo (ao invés de adicionar veneno), uma vez que não há nenhuma fiscalização ou controle periódico.''
Roberto Simões Castilho, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Diante das fraudes com medicamentos alopáticos que vêm cegando e matando, conclui-se que a Anvisa perdeu sua utilidade. Mas sua omissão, quando muito sua lerda providência, não se aplica à perseguição que promove aos medicamentos fitoterápicos, de uso centenário do povo, tirando-os, quase todos, das prateleiras das farmácias, para gáudio das multinacionais que, aliás, já detonaram os genéricos.''
Telmo Reis, Rio de Janeiro, por e-mail.
Tributos
''Nós, mortais brasileiros, que pagamos muitos impostos, com o governo do ex- Partido dos Trabalhadores, atual partido dos tributos, pagaremos muito mais. Não fomos convidados a nenhuma festa, porém loucos ficamos.''
José Antonio de Assis, Rio de Janeiro, por e-mail.
Violência
''A violência nas grandes cidades pode ser dividida em três fases: a primeira surgiu com a marginalização dos cidadãos pobres, de boa-fé e desempregados que, sem oportunidades, buscaram abrigo no seio do tráfico. A segunda foi marcada pela migração do crime institucionalizado, das favelas para as áreas nobres das cidades, alimentada pela soberba da classe alta e motivada pela fragilidade do poder público. Hoje, na terceira fase, a violência entrou pela porta da frente das casas de personalidades, políticos e artistas, teoricamente os que têm mais condições de segurança. E, o pior, não foi por falta de aviso. Assim, sofrendo do mal que atinge a todos nós, é óbvio que o presidente Lula não vai, nem pode, se manifestar sobre o risco que a ''terceira onda'' traz para ele e sua família.''
Sérgio Galvão Diniz Torreão Braz, Brasília, por e-mail.
''Militares do Exército, seguranças do filho do presidente da República, tombaram em combate com criminosos das ruas brasileiras. Estamos em guerra, ou ''ainda'' não, autoridades?''
Luiz Serra, Brasília, por e-mail.
Precedência
''A sempre atenta Dora Kramer comentou na coluna de 19/6 fatos que passam despercebidos pela população, principalmente por falta de atenção da mídia para com eles, como a circunstância de o ministro-chefe da Casa Civil ter-se assenhoreado, na precedência prevista no cerimonial ministerial, da posição que deveria ser do ministro da Justiça que, desde o Império, ocupa o lugar de proeminência, por ter sido sua pasta o primeiro ministério a ser criado no Brasil, seguindo-se os demais pela ordem da data de criação dos respectivos ministérios, tradição sacramentada em vários decretos. O atual Ministério da Defesa ocupa o segundo lugar tendo em vista ser o sucessor do antigo Ministério da Marinha, o segundo a ser criado no Império. Será que o novo lugar ocupado por José Dirceu deve-se ao fato de ter declarado em seu discurso de posse no cargo que não se sentia bem ao lado de um general, no caso o atual ministro-chefe da antiga Casa Militar, hoje rotulada de Gabinete de Segurança Institucional? Afinal, qual é o novo critério de precedência das autoridades do governo?''
Paulo Marcos Gomes Lustoza, Rio de Janeiro, por e-mail.
Metrô
''Apóio o projeto do deputado Edmilson Valentim de aumentar o horário de funcionamento do metrô - das 5h à meia-noite, inclusive aos domingos. Falta ainda construir a Estação Cruz Vermelha para desafogar a do Estácio e atender aos passageiros do Bairro de Fátima e da Lapa.''
João Carlos Rodrigues, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Faço coro à carta do leitor Marcelo Machado (17/6). Mas com uma ressalva: o funcionamento do metrô deve ir pelo menos até uma hora da madrugada, senão cinemas e teatros não serão beneficiados com a ampliação do horário.''
Luiz Fernando C. Marcondes, Rio de Janeiro, por e-mail.
Cultura
''Convido o leitor Antonio Carlos Guimarães (Cartas ao Editor, 14/6) a conhecer a programação dos cinco centros culturais mantidos pela prefeitura: só no mês de junho temos mais de 100 eventos gratuitos, entre shows, oficinas, cursos e espetáculos ao ar livre. A manutenção desses espaços, assim como a programação de 11 teatros, seis lonas culturais, três museus, do Arquivo da Cidade, das 25 bibliotecas municipais e do Centro de Artes Helio Oiticica só é possível num governo que tem um orçamento para a cultura mais alto do que o de todo o Estado de São Paulo. A prefeitura apóia ainda museus e diversos centros de cultura particulares, numa demonstração de que está apta a criar e administrar um equipamento de maior porte, como o Museu Guggenheim.''
Ricardo Macieira, secretário das Culturas do Município do Rio de Janeiro, por e-mail.