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Diferenças

''Um ocidental estava colocando flores no túmulo de um parente quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Virou-se para o chinês e perguntou: ''Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?'' E o chinês respondeu: ''Sim, quando o seu vier cheirar as flores!'' Respeitar as opções dos outros, sob qualquer circunstância, é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, agem diferente e pensam diferente. Nunca devemos julgar. Apenas tentar compreender!''

Júlio Ferreira, Recife, por e-mail.

Escola

''O exercício do poder é escola única para entender que bravatas irresponsáveis de oposição são danosas à sociedade. Deve ser esse o sentimento do hoje presidente Lula e de sua cúpula petista diante de discípulos seus que continuam no partido e fiéis a essa pratica.''

Abel Pires Rodrigues, Rio de Janeiro, por e-mail.

Vereadores

''Para que aumentar o número de vereadores? Em vez disso, preocupem-se em aumentar as vagas nas escolas públicas, nos atendimentos das maternidades, nos hospitais etc. É por isso que o povo tem cassado dezenas de vereadores e há de cassar muito mais. Deve-se aumentar a carga de trabalho e não botar mais desocupados na casa do povo. O povo gasta fortunas para manter vereadores que só assinam o ponto e não trabalham ou então ficam inventando feriados para deixar a cidade sem funcionar.''

Lourenço Fernandes, Rio de Janeiro, por e-mail.

Previdência

''Só uma coisa me intriga: Será que a sociedade mais uma vez vai ficar passiva diante dessa barbárie que é a reforma da Previdência? Será que o aposentado terá de pagar a conta da roubalheira que é a Previdência? O maior culpado é o próprio governo. Cm sua incompetência, não cobra dos grandes devedores. Será que só nós, no fim da vida, quando os nossos gastos são maiores, com plano de saúde e medicamentos, temos de assumir essa dívida? A solução é acabar com a corrupção. Só assim o brasileiro terá uma vida melhor, com dignidade. Mas isso interessa ao governo?''

Marita Lima, Rio de Janeiro, por e-mail.

Pneumonia

''O articulista Bayard Boiteux (27/4) me sensibilizou com a abordagem do problema da pneumonia asiática e seus reflexos no turismo. Vejo com tristeza a China enfrentar um de seus maiores problemas epidemiológicos no momento em que se prepara para tentar sediar as Olimpíadas. O Sr. Boiteux conseguiu apresentar a situação mundial e fazer alusão ao Brasil.''

Guilherme Vitorino Meirelles, Niterói, por e-mail.

''O JB foi muito feliz ao publicar o excelente artigo Doença e turismo (27/4). O alerta dado por Bayard Boiteux deve ser seguido pelas autoridades. Não podemos deixar em hipótese alguma que a doença chegue ao Brasil. Como o próprio Bayard menciona, quem mais sofre é o turismo. Vivemos uma situação de falta de segurança no Rio e não podemos deixar que mais uma infelicidade nos atinja. Quero crer que, como os outros países estão fazendo, o Brasil já tomou, pelo menos em nível de planejamento, alguma ação.''

Livia Fagundes Portocarrero, Rio de Janeiro, por e-mail.

''O JB está de parabéns por abrir espaço para discussões atuais, como a pneumonia asiática. O artigo de Bayard do Coutto Boiteux, além de rico, demonstra clareza no pensamento lógico e racional. Ao ler o jornal fiquei mais curioso sobre o tema. ''

Paulo Azevedo Burlamaqui, Rio de Janeiro, por e-mail.

Presídios

''O Brasil é um país com vasta extensão territorial, de tamanho continental. Então é fácil construir presídios de segurança máxima fora dos grandes centros urbanos, deslocando-os para lugares ermos e de difícil acesso. Com recursos e técnica adequados, seriam erigidas poderosas masmorras federais, com muralhas inexpugnáveis, rodeadas por fossos, com cercas eletrificadas e terrenos adjacentes minados. Assim, os mentores do crime organizado seriam bem tutelados, afastados do convívio social, impedidos de comunicação com o mundo exterior e de comandar de dentro das celas os seus asseclas perversos. Já que não podem ser recuperados, seriam castigados com a dureza necessária, inclusive forçados ao trabalho compulsório visando à indenização parcial de suas vítimas prejudicadas. O único ponto vulnerável a ser considerado seria a eventual fuga pela porta da frente dos estabelecimentos prisionais, com os marginais peitando os carcereiros condescendentes.''

Carlos Alberto Dias Ferreira, Rio de Janeiro, por e-mail.

Aulas

''O Estado diz que garante a reposição das aulas perdidas a fim de cumprir os 200 dias de ano letivo. Oras, o Estado é o primeiro a não cumprir o que manda a LDB, uma vez que até agora não supriu a carência de professores. Sequer começou a contratar educadores. A imprensa parece não dar importância a esse fato.''

Vinícius Müller Lemos, Rio de Janeiro, por e-mail.

Trânsito

''Mais uma confusão burocrática beneficiará os infratores de trânsito. A conclusão a que se chega é que desde a entrada em vigor do novo Código de Trânsito nunca se quis punir ninguém. Senão vejamos: como está a situação dos milhares de motoristas que ultrapassaram os 20 pontos? Foram para a escolinha? Tiveram a carteira apreendida? E os reincidentes? Outro exemplo de que nada vai acontecer foi exibido nos jornais da TV de 22/4, quando veículos trafegavam pelo acostamento na Via Lagos, no retorno ao Rio após o feriado. Alguém dali será punido? Isso sem falar da obrigatoriedade de colocação de aviso de ''fiscalização eletrônica'' nas rodovias onde há esse sistema. Em que contribui para a segurança esse aviso?''

Panayotis Poulis, Rio de Janeiro, por e-mail.

Concurso

''Funcionária administrativa da Faetec, minha esposa, após se formar em Letras, concorreu ao cargo de professora de Língua Portuguesa, tendo sido aprovada. Aguarda a chamada, de acordo com a classificação. Mas o que me deixa indignado é saber que, mesmo havendo professores concursados e aprovados no último concurso, a Faetec ignora a listagem de aprovados e contrata professores não aprovados no concurso. Acho isso uma injustiça para com os concursados e funcionários que, mesmo já sendo da Faetec, não tiveram privilégio algum e, mesmo tendo sido aprovados, ficam assistindo a profissionais ocupando suas vagas sem nenhum tipo de avaliação.''

Claudio Gonçalves, Rio de Janeiro, por e-mail.

Cultura

''Em atenção à carta do Sr. João P. Pontes (Fórum dos Leitores, 21/4), informamos que os museus, teatros e casas de cultura administrados pela Funarj estão com o funcionamento normal e a programação diversificada. Os teatros estão com as salas lotadas. A peça Há vagas para moças de fino trato, na Casa de Cultura Laura Alvim, passou a ter aos sábados duas sessões, tal o sucesso. O Teatro João Caetano recebeu de janeiro a abril público de 38.842 espectadores, com as peças Closet show, South american way, Alice no país das maravilhas, Nada de pânico, a gravação de um CD, ao vivo, de Gilberto Gil, além da estréia da Cia. de Dança Deborah Colker, com o espetáculo 4 por 4. Assim como as salas de espetáculo Villa-Lobos e Gláucio Gill, que permanecem com programação à altura. Com o incentivo da utilização da Lei do ICMS aos eventos culturais, a Secretaria de Estado de Cultura está fomentando projetos nas áreas de museus, teatros, música, artes plásticas e literatura. A Casa de Casimiro de Abreu - Barra de São João - está iniciando a fase de restauro, pois é o centro cultural de importância regional que deverá atingir cinco municípios vizinhos, com suas atividades. O Museu do Ingá, com a exposição do acervo Banerj, atual Berj, tem alto índice de visitação. O Museu do Primeiro Reinado, mesmo em obras, está ativo em sua programação. O Museu dos Teatros está iniciando as obras para instalação da sala de exposições permanentes, em espaço nobre no interior do Teatro Municipal, e a montagem de um laboratório junto à reserva técnica. Na Sala Cecília Meireles, entre várias apresentações, podemos ressaltar, Harpa brasileira, com Cristina Braga; Ernesto Nazareth/140 anos, com a pianista Maria Teresa Madeira; a Companhia Bachiana Brasileira - Coro e Orquestra com a regência de Ricardo Rocha. A home page da Funarj é www.funarj.gov.br, onde, sempre atualizada, está a nossa programação.''

Thereza da Matta, Assessora de Comunicação da Funarj, Rio de Janeiro, por e-mail.

Banco da Terra

“Para que serve o Banco da Terra? Basicamente para financiar a aquisição de propriedades agrícolas e amparar seus mutuários com outros tipos de empréstimos. Para tal, acolhe propostas, as estuda e financia a compra de terras ou de benfeitorias. Se existe o Banco da Terra, não se justifica a permanência do MST, que só nos tem dado problemas, sem que haja o retorno esperado. As ilegais invasões do MST e os infindáveis recursos que absorve são conseqüências da aquiescência governamental, que joga para a mídia, fazendo vista grossa às ilegalidades e desperdiçando valiosos recursos públicos. A extinção do MST só vai dar tranqüilidade ao verdadeiro ruralista, que hoje vive sob a tensão de possíveis invasões causadoras de danos diretos e colaterais. Não seria o caso de colocarmos os pés no chão, deslocar os recursos do MST para o Banco da Terra, ampliando assim as chances daqueles que, de fato, querem trabalhar a terra?” Humberto Schuwartz Soares, Vila Velha (ES), por e-mail.

Rock in Rio

“Quando li a notícia de que o Rock in Rio vai ser em Portugal, pensei ser uma piada! Qual o objetivo de fazer um Rock in Rio em Portugal? Se Roberto Medina quer promover festivais pela Europa, tudo bem. Agora querer levar essa “marca” junto, não está certo. Aliás, eu nem sabia que Rock in Rio era uma marca. Pensei que fosse um evento em prol da cidade; tanto pelos shows trazidos quanto pelos empregos gerados.” Alessandra Rocha, Rio de Janeiro, por e-mail.

A coerência, dos discursos à prática

"A discussão sobre a reforma da Previdência Social, em alguns momentos, parece se resumir em “defender as posições anteriores e se manter coerente”. Gandhi, líder político-religioso indiano, dizia que não tinha preocupação com a coerência, e sim com o que ele achava mais correto, de acordo com seus valores, com sua “verdade”. É preciso pensar se a “coerência”, nesse caso, é interessante. As coisas mudam. As visões mudam. A discussão é se essas medidas, os tetos, taxação de inativos etc., são corretas ou não. Os petistas não são deuses. Podem ter errado em seus posicionamentos. Erraram muitas vezes como oposição. Acertaram muitas outras. E o governo, sim, erra. Esperamos que sejam erros novos. Se você defende a Revolução Cubana e Fidel executa três opositores ao regime, condenando outros 72, você mantém a coerência? José Saramago pensa que não. Eduardo Galeano também. O problema da votação da reforma e seus interesses e discordâncias é apontado por Cristovam Buarque. O Brasil é um arquipélago, diz ele, no qual existem poucos deputados que foram eleitos de acordo com o interesse geral da nação. A maior parte tem rabo preso, vínculos com sindicatos, associações etc. Quase ninguém pensa no Brasil como um todo. O primeiro exemplo – ou um de muitos – é o deputado carioca Lindberg, o tal petista da coerência, que para bom conhecedor é uma espécie de fantoche dos movimentos estudantis de seu Estado, muitos deles viciados pelo nome e pela legenda. Existem bons exemplos de petistas que defendem o interesse da nação, são sérios e têm propostas. Heloísa Helena é uma. Paulo Paim é outro. Chico Alencar, assim como Paim, não deu nenhum gritinho como Lindberg – muito menos foi chorar suas mágoas no Jornal Nacional –, e no entanto está trabalhando mais nesse sentido. É preciso discutir com informação. Caso contrário, sigo conselho de minha avó: “Em boca fechada não entra mosca”.”

Gustavo Barreto, Rio de Janeiro, por e-mail

Oscar Niemeyer

“Li, com tristeza, a carta do leitor Nelson Tangerini (2/5) sobre um brasileiro ilustre que ele chamou de o “milionário-comunista Oscar Niemeyer”. O aspecto mais relevante que existe na humanidade e no universo está na diferença e, por isso, respeito todas as opiniões. Todavia, não posso me furtar de manifestar as minhas e defender um ponto de vista contrário ao do acima mencionado leitor. Tendo viajado em minha vida por mais de 50 países e sendo um brasileiro fascinado pelo país e por seu povo, observei, em cada viagem, que o Brasil ainda é pouco conhecido no exterior, e no pouco que o conhecem sofre de imagens falsas e negativas sobre sua realidade, em função da corrupção e da miséria. Como se corrupção e miséria fossem atributos apenas do nosso país. Poucas pessoas contribuíram mais que o arquiteto Oscar Niemeyer para dar uma imagem positiva ao Brasil, através da divulgação de sua arquitetura moderna, sua concepção nova, carregada de beleza, repleta de mensagens para permitir à imaginação humana sonhar em espaços de luz e absoluta harmonia. Poucas pessoas no Brasil materializaram com tanta propriedade “espaços amorosos” como os que podemos observar em suas obras construídas em Brasília, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói e em centenas de outros projetos desse homem que dedicou uma vida à beleza e idealização de um mundo melhor, harmônico, menos injusto e violento, e mais humano. Na sua imensa grandeza, nunca deixou de ser humilde, servidor da sociedade, amigo de seus colegas. Sua vida e sua obra são, na verdade, um imenso patrimônio nacional. O fato de Niemeyer ser comunista nada tem a ver com seus projetos, pois sua visão ideológica, diga-se de passagem carregada de coerência ao longo de quase 100 anos, é um direito seu, e que é sagrado, como é o do leitor Tangerini de ter a sua ideologia respeitada por todos nós. O argumento central do leitor Tangerini está no fato de Niemeyer ter apoiado Fidel Castro em relação aos dissidentes em Cuba que, novamente afirmo, é um direito que ele tem, mesmo que o senhor Tangerini e eu sejamos contrários à pena de morte. Façamos justiça a Niemeyer, à sua vida, sua obra e à imensa contribuição que deu ao levar o nome do Brasil para todo o mundo. Respeitemos um homem cuja vida foi pautada pela busca do bem comum. Se devemos algo a esse grande brasileiro, certamente não é a crítica, porém nossas manifestações de reconhecimento, profundo respeito e fraternal amor.”

Peter José SchweizerRio de Janeiro, por e-mail

Oposição e governo

“Durante a ditadura, quem era de oposição participava no MDB. Quando o partido conquistou a maioria dos governos estaduais, em 1982, já como PMDB, começaram os problemas. As propostas de palanque cederam lugar à realidade. E muitos incendiários peemedebistas, vendo que ser estilingue é mais cômodo que fazer o papel de vidraça, foram para partidos de oposição. O problema do PT e de Lula é hoje, guardadas as devidas proporções, o mesmo do PMDB de 20 anos atrás. O papel e o palanque aceitam tudo. Fazer média diante da mídia virou negócio de ocasião para alguns parlamentares do partido sem que, no entanto, abdiquem de postos ocupados por afilhados no governo. A questão mais grave, contudo, é que esses parlamentares acabam por arranhar uma das mais importantes conquistas do PT – a democracia interna. Explico: debatem, discutem um tema à exaustão, colocam o tema em votação, perdem a eleição interna e correm às câmeras de TV para dizer que o decidido pela maioria fere seus princípios. Quanta demagogia! Democracia jamais pode rimar com hipocrisia. Se os deputados e senadores do PT não aceitam a idéia de, no voto, verem suas propostas derrotadas, devem ter a decência de pedir o boné e partir para a fundação do PT do B. Há certos políticos que estacionaram na teoria e jamais conseguem aliá-la à prática, seja por conveniência, seja por incompetência.”

Márcio Dison, Florianópolis, por e-mail

Saúde pública

“Penso que como cidadãos temos o direito de saber o que está sendo feito para conter a entrada da pneumonia asiática no país. Estou com a horrível sensação de que tudo o que o governo faz é colocar aquela gravação no aeroporto alertando sobre os sintomas e mostrar meia dúzia de leitos de “isolamento” em meia dúzia de hospitais. O governo deve tomar medidas drásticas para essa pandemia não assolar nosso país. Essa história de ficar monitorando quem teve contato com possíveis portadores da doença é ridícula. Essas pessoas ficam em quarentena dentro de suas casas? Ou ficam sendo “monitoradas” e espalhando a doença para outras ao seu redor? Aqui no Rio o hospital referência para doenças infecto-contagiosas era o São Sebastião, no Caju. Era, porque o hospital está caindo aos pedaços e esquecido pelo governo do estado. E o hospital da UFRJ, no Fundão, alguém já percebeu que daquele prédio enorme mais da metade está abandonada? É triste o descaso com a saúde pública em nosso país, felizes os que podem pagar. Um país que não consegue conter a dengue e a malária, como vai conseguir conter o avanço desse vírus? Como controlar uma doença dessas nas comunidades pobres, em favelas ou em municípios do interior onde não existe um hospital sequer? No início do século passado Osvaldo Cruz, sem quase nenhum recurso tecnológico, conseguiu acabar com a febre amarela. Por que? Por que tomou atitudes radicais de combate à doença. Enquanto isso, nós, em pleno século 21, estamos aguardando a chegada da pneumonia asiática no país para ver se o governo faz alguma coisa.”

Jeane Mello, Rio de Janeiro, por e-mail

Jogos Pan-Americanos

“Gostaria de esclarecer que, em português, o nome da capital da República Dominicana é São Domingos e não “Santo Domingo” como vem sendo escrito no JB. Escrever “Santo Domingo” incide em castelhanismo. Se continuar assim, logo os senhores grafarão “Madrid”, “Sevilla”, “Milano”, “Firenze”, “Torino”, “Venezia”, “München” ou “Munich”, “Cologne” ou “Köln”, “Hamburg”, “Göteborg”, “Stockholm”, “London” e “Edinburgh”. Portanto, a sede dos XIV Jogos Desportivos Pan-Americanos, a serem disputados em agosto próximo, é a cidade de São Domingos, capital da República Dominicana.”

Renato Agueda N. da Silva, Brasília, por e-mail

Os senhores feudais das ruas

“Gostaria de noticiar um fato que demonstra a tragédia que é o atual estado de acefalia em que se encontra o Rio de Janeiro. Na Rua Jardim Botânico, em frente ao próprio, reina o mais absoluto faroeste tupiniquim entre os senhores feudais de nossas ruas. Os autoproclamados “guardadores” atacam, aos bandos e aos berros, os carros que param para ir ao Jardim. Eles se aproximam disputando entre si quem vai lucrar com aquele veículo. Promovem um escarcéu de tal ordem que os visitantes ficam acuados dentro de seus próprios carros. Quando conseguem sair têm de pagar antecipadamente aos “loteadores” do logradouro que um dia já foi público. Alguns, de tão assustados, desistem da visita e vão embora. Outros, refeitos, correm para o Jardim Botânico com suas famílias e pedem que a administração tome alguma providência. Aí, então, é que vem o golpe final. O funcionário explica que aquelas cenas acontecem em todos os fins de semana e que tanto a Polícia Militar e a Guarda Municipal eximem-se de aceitar a obrigação de solucionar o problema. Será que estão esperando algo mais grave acontecer? O Rio de Janeiro não merece o tratamento que vem recebendo. Até quando os cariocas e fluminenses vão resistir a esse descaso das autoridades com os patrimônios humano, natural, cultural e artístico da cidade e do estado?”

Jorge Teixeira de Souza, Rio de Janeiro, por e-mail

Servidores públicos estatutários

“Será que centenas de parlamentares brasileiros passarão à História como universalizadores da injustiça? Nivelar por baixo não é fazer justiça. Nivelar por baixo é universalizar a injustiça. Os servidores públicos estatutários que exercem cargos públicos estatutários bem remunerados são pessoas que, através de concursos públicos, demonstraram sua inteligência, sua cultura, seu preparo intelectual e profissional. São, portanto, pessoas que poderiam, perfeitamente, ter ido trabalhar nos EUA ou em países da Europa, certamente com remunerações melhores do que as recebidas aqui no Brasil. Em vez disso, preferiram ficar aqui. Tomaram essa decisão sabendo que durante vários anos ficariam recebendo remunerações menores do que as que poderiam conseguir fora do Brasil, mas sabendo também que, em compensação, suas remunerações não seriam reduzidas no momento em que se aposentassem. Tomaram essa decisão acreditando que esse direito seria respeitado pelos parlamentares brasileiros. No momento em que se tornaram servidores públicos estatutários, estabeleceu-se um pacto entre eles e a administração pública. Esse pacto é regido pelas normas constitucionais que estabelecem os direitos e deveres dos servidores públicos estatutários em relação à administração pública, bem como os direitos e deveres da administração pública em relação aos servidores públicos estatutários. No momento em que esse pacto foi estabelecido, a administração pública assumiu o compromisso de assegurar a esses servidores que suas remunerações não seriam reduzidas no momento em que se aposentassem. Tendo conquistado esse direito, esses servidores públicos não adotaram outras medidas nesse sentido, ou seja, não se tornaram participantes de planos de previdência privada nem de quaisquer outros planos capazes de assegurarem rendimentos condignos durante a aposentadoria. Retirar esse direito daqueles que já são servidores públicos estatutários é cometer uma injustiça extrema. Na prática, será o mesmo que retirar desses servidores o direito à aposentadoria, pois, de maneira geral, esses servidores não poderão se aposentar nunca, ou seja, terão que ficar trabalhando até a morte, para não sofrerem uma redução drástica nas suas remunerações. Fazer justiça de verdade é manter esse direito para todos os que, neste momento, já são servidores públicos estatutários. Nivelar por baixo não é fazer justiça. Nivelar por baixo é universalizar a injustiça. Será que centenas de parlamentares brasileiros passarão à História como universalizadores da injustiça? Evidentemente, jamais me passou pela cabeça a idéia de defender privilégios inconstitucionais, como aqueles de pessoas que recebem remunerações superiores aos limites permitidos pela Constituição Federal. Estou defendendo direitos constitucionais, e não privilégios inconstitucionais.”

Leonardo Rodrigo, Rio de Janeiro

Correspondência para esta seção: Avenida Rio Branco nº 110, 12º andar. CEP 20040-001, Rio de Janeiro, RJ. Fax 021-3233-4428 ou e-mail: cartas@jb.com.br. As cartas deverão conter assinatura, nome completo e telefone. Não serão permitidas referências insultuosas a terceiros nem informações incorretas.

[05/MAI/2003]

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